Fascismo por decreto?


Acaba de ser criada a “Política Nacional de Participação Social”, através do decreto no 8.243 (abra o link), o qual diz que visa a “consolidar a participação social como método de governo”. Mas, afinal, o que isso significa, o que é um “método de governo”?!

Lendo os 22 artigos do longo e detalhado decreto – quando é possível entende-lo –, observa-se uma brutal produção de burocracias, totalmente incompatíveis com a Governança Pública (abra o link). Por sinal, já debatida neste blog, e entendida como a limpeza definitiva de processos burocráticos, que a tudo retardam, anulam a eficiência empresarial e causam graves depressões na economia do país.

Com tanta coisa necessária e urgente a ser feita para a nação, depois de 12 anos andando para trás, por que inventar esse “novo método de governo”?

Pois bem, segundo o decreto, a sociedade civil é conceituada como “o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”.

Além de ser uma definição pretensiosa, é indefinida e ameaçadora, pois dentro dessa “dita sociedade civil” cabem tudo e todos. Basta que o governo “tenha desejos”, os quais são conhecidos por todos em sua essência. Sob essa ótica, portanto, deve ser entendida como uma definição de natureza fascista e ditatorial.

O fascismo não passará

Ao contrário, se for considerada a visão histórica de Alexis de Tocqueville [1] – estudioso das democracias ocidentais –, a sociedade civil seria definida através de “seus cidadãos, de sua capacidade de se associarem em iniciativas produtivas, bem pelo poder de determinar [pelo voto] quais estadistas poderão governar a nação”.

Porém, o decreto do governo destaca que os “movimentos sociais institucionalizados ou não, suas redes e suas organizações” são parte própria da sociedade civil. Isto, sem dúvida, é um ato de cooptação [que soe ser paga] de grupos de pessoas desorganizadas. É como admitir fazer uma sociedade com pessoas que não precisam cumprir as necessárias formalidades sempre exigidas. Pior ainda é fazê-lo, através de uma lei, em nome do governo do país.

Por acaso, algum dia, a sociedade brasileira foi consultada e aprovou o teor desse decreto?

No decreto, Artigo 3º, relativo às diretrizes do programa, lê-se: “IV – direito à informação, à transparência e ao controle social nas ações públicas, com uso de linguagem simples e objetiva, consideradas as características e o idioma da população a que se dirige”.

Será que a parte da diretriz grafada em azul significa “falar português da forma incorreta, com sintaxe errada e frases desconexas”? Será que os membros do governo possuem a necessária competência para falar o dialeto específico do cidadão que os interpela? Decerto, não. Possuem muita “verborreia” e nada mais.

Mas se é para chegar a esse nível de detalhe, na mesma diretriz há que ser esclarecido o que significa “direito … ao controle social nas ações públicas”. No texto da lei não está claro quem controla quem. Seria melhor que constasse da diretriz o “controle social das ações públicas”. Ou seja, que ficasse evidente que é a sociedade que precisa controlar as ações do governo. Se bem que isto já é feito há muito, sem depender nem um pouco deste decreto.

De todo modo, o objetivo não é fazer uma análise de conteúdo das várias páginas do decreto. Seria necessário redigir um compêndio de observações. No entanto, não se acredita que a “Participação Social na administração do Estado”, da forma imposta pelo decreto, vá ocorrer algum dia. Não possui conteúdo, é inverossímil, abstrato e sem poder legal. Ou trata-se de um tiro no pé, numa atitude bastante arriscada de guerra contra o legislativo, ou mais uma cortina de fumaça eleitoreira.

Contudo, sempre cabe o aviso de Nietzsche: “E aqueles que foram vistos a dançar, foram julgados insanos pelos que não podiam escutar a música”.

……….

[1] Visconde de Tocqueville, também conhecido por Alexis de Tocqueville (1805-1859), foi um pensador político, historiador, sociólogo e escritor contemporâneo francês.

Por sorte, não é o super-homem


Antes de iniciar, devo esclarecer uma coisa: o texto a seguir nada tem a ver com a filosofia de Nietzsche, conforme proposta em sua obra e, sobretudo, em seu livro Assim falou Zaratustra. O Super-Homem aqui lembrado não é melhor, mais importante, nem está acima de qualquer outra espécie do Gênero Homo.

Contudo, é dotado de força descomunal, possui visão que atravessa até paredes de aço, tem corpo a prova de explosivos e exercita incríveis habilidades voadoras. Precisa-se de um que seja invulnerável à kriptonita.

Esse não serve

Esse não serve

Batendo um papo com o velho amigo Reinaldo Azevedo (que, por sinal, é outro), falávamos sobre os disparates diários que ocorrem no país. No entanto, não é possível sequer enumera-los. De toda forma, começamos a conversa com a seguinte visão:

─ “São centenas de milhares deles, que vão desde coisas de elementar civilização, como (i) estacionar caminhonete sobre a calçada enquanto aguarda a namorada e (ii) parar o carro na porta de garagens e ficar à espera do filho do patrão sair da escola, até, subindo na escala, (i) escutar as patranhas descaradas dos políticos e mandatários de ocasião, (ii) saber das “imundas maquiagens econômicas cometidas pelo governo” e depois, em estranha resposta, (iii) assistir aos ataques de silvícolas armados com lanças e flechas contra instituições e inomináveis figuras públicas”.

Isso é o resumo do Brasil de hoje, a mostrar os intestinos para o mundo e certos espécimes encravados no governo que, por sinal, já foram classificados pela Polícia Federal como da espécie homo larapius. Alguns poucos estão em penitenciárias.

É a repetição sistemática de quadros de baderna que angustia o povo brasileiro, pois é quase impossível dominá-los. Diante desses fantasmas, Reinaldo comentou, com o olhar distante:

A sorte deles é que eu não sou o super-homem? …

Pensei um pouco no que significaria ser super-homem naquela situação, mas logo Reinaldo tentou esclarecer:

Os hábitos dos brasileiros ficaram muito estranhos, perdeu-se a capacidade de ver que o outro existe. Por exemplo, volto do trabalho e sempre tem um carro estacionado na calçada do prédio. Um carrinho de compras ou de criança tem que ir pra rua, não há como ninguém passar.

─ “Mas Reina, o que isso tem a ver com super-homem”?

Simples, já pensou em esmigalhar cada carro e fazer lotes de tampas de Coca-Cola? Teria de ser um super-homem.

Dei asas à imaginação. A voar na velocidade da luz, avistei um super-homem carregando um enorme saco de políticos em direção à estratosfera. Largou-os perdidos no cosmos, atracados com bilhões de dólares desviados, se espancando de forma enlouquecida. Sequer notaram que já não mais habitavam o planeta.

Encerro o texto com a afirmação de Friedrich Nietzsche, plena de atualidade: “Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos.

E os embates crescem


Não é necessário saber quais foram as causas objetivas, mas o fato é que indígenas, pintados para a guerra e armados de lanças, porretes e arco e flecha, atacaram a capital federal. Tudo leva a crer que os alvos principais estavam na Praça dos Três Poderes. Ocorreu um embate violento, com pelo menos um policial flechado pelo “Exército da Selva”.

Indígenas invadem e atacam Brasília

Indígenas invadem e atacam Brasília

Outro embate que recomeça, agora travestido por nova tática, é contra a imprensa livre. Dizem que não vão mais tentar a censura prévia do conteúdo publicado em veículos da mídia em geral. Porém, uma facção de fantoches do partido deseja retirar todas as publicidades do Estado transmitidas por veículos que ousem falar contra as decisões do partido. Trata-se de apertar o torniquete econômico, até sangrar e quebrar a imprensa livre. Bastante temerário.

No encontro nacional do PT, realizado no início deste mês, foram estabelecidas sete diretrizes para o futuro governo. São de arrepiar os cabelos de qualquer ser civilizado. A imprensa livre está produzindo matérias acerca do evento. Destaca as diretrizes de “menos liberalismo econômico”, de “aproximação com a esquerda sul-americana” e, acreditem, de “implantar o socialismo” no Brasil!

O interessado em conhecer mais detalhes, clique no link site do PT. É uma leitura patética em termos da “democracia autoritária” que querem implantar, seja qual for o risco de explosão.

Faz tempo que há um embate sério acerca dos 39 ministérios nacionais, todos de propriedade particular do presidente do Executivo. Por que tantos ministros e qual o motivo da reles qualidade de suas atuações? Para que servem pastas tal como Integração Nacional, Combate à Fome, Cidades, Turismo, Pesca, Previdência Social, Esporte, Direitos Humanos, Comunicação e Trabalho? Qual país do mundo possui uma máquina pública tão grande e inútil?

E o que é mais grave neste embate, caso um membro do partido seja eleito, é a ameaça de que façam o backup de ministérios, duplicando o número de chefes ministeriais desqualificados e suas respectivas quadrilhas. Seria como colocar o Brasil em uma torradeira, com fogo no máximo. Similar a um destruidor Brazil Warming

Entretanto, o mais importante é como a sociedade civil brasileira deve proceder para vencer a todos os embates em andamento. Decerto não será invadindo e atacando Brasília, muito menos com lanças, bordunas e flechas.

No curto prazo, a única defesa que se tem é o voto bem pensado. Não importa se o candidato seja de esquerda ou de direita, basta que seja sensato e possua experiência bem sucedida e notória em governança pública.

Por outro lado, não pode ser radical na forma de atuar, dado que precisa ser muito atento e ponderado. Por fim, e sobretudo, sob nenhuma hipótese pode ter quaisquer vínculos políticos ou programáticos com gente do partido que colocou o Brasil na torradeira.

Estou assustado, você não?


Por Zik-Sênior, o eremita.

Zik Sênior

Zik Sênior

Cá estou eu trancado na caverna, de volta à origem. Claro que por iniciativa própria, ninguém me trancou aqui. Não, não tem nada a ver com útero materno, porra!

Eu é que, após viver 105 anos com relativa lucidez, vi-me obrigado a trancafiar-me com pavor da gestão do país. Preciso proteger meu couro e os poucos pertences que me restaram.

Não quero mais ver jornais. Já li todos os periódicos do mundo. Foram úteis no passado. Na pobreza, inclusive, dormi com Amália debaixo deles. Mas na riqueza, pouco me importei com seus recados. Com franqueza, hoje de nada me servem!

Tudo o que amedronta é simples questão de ponto de vista. Se você é “sócio da ameaça”, a usufruir de suas sujas benesses, ou se está fora dela, sofrendo com as ignomínias cometidas. Dado que lutei por mais de um século e consegui vencer – afinal, não fui engolido –, por quê agora deveria agir diferente?

O problema não é da economia, mas da ideologia política imposta aos cidadãos brasileiros. Economia é até simples de ser gerida: ─ “Se o dono da quitanda gasta mais do que recebe, a quitanda fecha”. Isso é verdade em qualquer organização ou país.

O Estado interventor faz a miséria do país, que é uma quitanda governada por 39 ministérios. Em sua maioria, ministros incompetentes nos temas de suas pastas. Outros, além de leigos, são apólogos da impossível “igualdade social”. Odeiam profundamente o que chamam de “classe média” e “elite dominante”. Gostam muito de manipular o que denominam “lumpemproletariado“, ou seja, os que levam vida miserável.

Dito isto, gostaria que me respondessem a poucas perguntas:

─ “Quando no Brasil os bancos privados obtiveram lucros iguais aos que têm hoje”?

─ “Por que a indústria brasileira está incapacitada de atender à demanda interna de produtos manufaturados”?

─ “Por que existem associações de políticos com facções criminosas, doleiros e lobistas”?

Quando olho os resultados dessas infâmias, vejo os escândalos da Petrobras, da Eletrobras, bem como os programas eternamente inacabados e superfaturados – “Transposição do São Francisco”, “Ferrovia Transnordestina”, “Refinaria Abreu e Lima”, “Minha Casa, Minha Vida”, sem falar no fantasmagórico Trem-Bala, que sequer saiu do papel, tal como a Refinaria de Bacabeira, no Maranhão, que torrou R$ 1,5 bilhão para nada. Sumiu na poeira, nem um tijolo inaugural foi plantado.

Por outro lado, vamos em frente: Saúde zero, Educação zero, Segurança zero, aeroportos, portos e rodovias iguais a zero! Em alta apenas a inflação decorrente e uma dúzia de Arenas para a Copa!

Mas também vejo, às vésperas das eleições presidenciais, farta distribuição de máquinas e equipamentos para municípios, as deslavadas mentiras de palanque e, sobretudo, as vaias que a candidata da situação recebe quando “comete discursos de promessas” em espaços públicos. Pela primeira vez assisti, pasmem, vídeos não manipulados, onde prédios, condomínios e até cidades vaiavam-na. Quero ver o que acontecerá na Copa. Acho que a senhora vai fazer comprinhas em Portugal

O cenário brasileiro, no percurso dos últimos doze anos, é de assustar a qualquer um. Eu estou muito assustado, você não?

Acesso à internet no Brasil


Em fins de 2013, várias instituições de pesquisa estimaram que no Brasil existam cerca de 105 milhões de internautas. E é para a parcela dos menos informados que se dirige este artigo.

Informes básicos

O acesso à internet pode ser realizado de três formas: (i) a mais antiga, através de uma linha telefônica discada (conexão dial-up) e (ii) a mais moderna, pela chamada banda larga (broad band), que usa dois equipamentos de suporte essenciais – o modem e o roteador. Há ainda o (iii) acesso via rádio, mais usado em áreas rurais.

Em todos os casos, as atividades dos usuários da internet são feitas por meio de sinais elétricos emitidos para satélites de comunicação, os quais se encarregam de retransmiti-los ao destino desejado. Dessa forma, foi preciso criar e instalar uma série de meios de telecomunicação, visando a entregar os serviços gratuitos da rede mundial, na porta da casa de cada cidadão.

Os meios necessários requereram elevados investimentos das muitas partes interessadas na novidade. Podem ser assim simplificados:

─ Lançar satélites geoestacionários na órbita da Terra; implantar cabos coaxiais, de fibra ótica ou metálicos, interligando vários continentes; criar plataformas de softwares básicos para realizar a telecomunicação sem fio (wireless).

Provedor de acesso e conexão na Internet

Provedor de acesso e conexão na Internet

Esse processo, somente disponível há pouco mais de duas décadas, envolveu um incontável número de cientistas e profissionais, trabalhando com foco desde os anos 1960. Culminou quando o físico Tim Berners-Lee e sua equipe criaram a Grande Rede Mundial – Web [1].

Provedores de acesso

Assim foi-se abrindo um grande mercado mundial. Empresários visualizaram a chance montar empresas para comercializar o acesso à internet. Milhões de novos empregos foram criados mundo afora. Mas os primeiros empreendedores foram norte-americanos e, tal como praga infecciosa, provedores de internet se espalharam pelo mundo.

Estima-se que hoje, incluindo o acesso por telefone celular, haja mais de 3 bilhões de internautas no planeta!

Conheça a qualidade de seu acesso

Têm-se vários provedores de internet no Brasil, todos pagos e com seu próprio nível de qualidade. Porém, sem exceção, são bem inferiores aos provedores norte-americanos. Nos EUA ainda existem provedores de banda larga gratuitos, com alta qualidade!

A qualidade da conexão de acesso deve ser analisada pelo usuário por meio de pelo menos duas variáveis: (i) a intermitência do acesso, ou seja, acesso sem interrupção de sinal (“Merda! Caiu a internet!”), e (ii) a real velocidade da banda larga adquirida, uma vez que, nem sempre, o que se contrata com provedores brasileiros corresponde aos serviços que efetivamente se recebe.

Para realizar essa análise existem vários websites na internet que fazem testes da velocidade de acesso de sua conexão. Sugere-se que clique no OOLKLA Speed Test, pois parece ser o teste mais completo e confiável. Tem-se o hábito de fazer esse teste sistematicamente, dado que os resultados demonstram a variação da qualidade dos serviços de um mesmo provedor.

Este website, além de fornecer a velocidade de acesso da conexão, faz comparações entre a sua conexão e outras mais, tanto do Brasil, quanto do planeta. Constitui uma boa medida para o internauta verificar a qualidade dos serviços prestados por seu provedor.

No último teste que se realizou, o OOKLA forneceu as seguintes notas comparativas:

Nota nacional: B+ = 79% e Nota global: B = 63%.

A nota nacional indica que apenas 21% das conexões feitas no Brasil são mais rápidas. No entanto, a nota global mostra como os provedores brasileiros se encontram em comparação com os provedores internacionais, ou seja, 47% das conexões do mundo são mais rápidas!

Recomenda-se que você faça esse teste e verifique a qualidade de seu provedor. Se necessário for, sempre há formas de trocar de provedor.

Por sinal, fez-se a escolha do provedor de acesso nacional com base no conhecimento de especialistas em internet e na longa experiência que se possui. Tem-se certeza que se escolheu o de melhor qualidade, mesmo que ele seja mais lento do que a metade do resto do mundo.

……….

[1] Para conhecer um pouco da História da Internet clique em A Web, Grande Rede Mundial.

Verga, verga, mas não se parte!


Tal como talo de bambu, enverga-se desde jovem, é dobrável, mas não se corrompe.

Assim precisa ser a sociedade civil brasileira, em resposta ao doloroso processo que lhe vem sendo imposto há quase doze anos. Mas, segue-se a falar apenas do bambu (Guadua ssp.).

Enverga mas não quebra - foto de Ronaldo Kohn

Enverga mas não quebra – foto de Ronaldo Kohn

Igual à vara de bambu tensionada, que se desdobra como chicote sibilante e fugaz, assim é a visão de alguns povos asiáticos. China e Índia são as mais antigas civilizações a produzir diversas coisas usando tranças, varas e toras de bambu, inclusive casas, hotéis e prédios.

Bambu no design da estrutura

Bambu no design da estrutura

Esta gramínea possui excelentes propriedades que merecem ser destacadas: alta resistência mecânica (pode até suportar terremotos), peso bastante menor quando comparado a outros materiais, facilidade de manutenção (trocam-se as partes danificadas) e, sobretudo, preço muito reduzido em relação à construção em alvenaria.

No Equador, por exemplo, uma casa popular feita de bambu, sem enfeites, custa cerca de US$ 400. A mesma casa, se construída em alvenaria, não sai por menos de US$ 10.000. Ou seja, no Equador a casa de bambu custa 4% da de alvenaria!

Não há dúvida que programas habitacionais públicos deveriam pensar sobre o uso do bambu para casas populares. Com o mesmo investimento que é feito através dos tributos pagos por cidadãos, o governo construiria 24 vezes mais casas, sem risco de ver prédios em construção que se partem ao meio (sem enfeites), antes mesmo de serem politicamente inaugurados.

Mas há dois fatos a considerar: (i) o que acontece na floresta tropical diante do crescimento do bambu, seja nativo ou plantado; e (ii) a cultura agrícola de Guadua ssp mais adequada.

Amazônia versus Guadua

Segundo Evandro Ferreira, Engenheiro Agrônomo e Pesquisador do Inpa, em artigo publicado no mês de fevereiro passado – Insustentabilidade da exploração madeireira em florestas com bambu no Acre –, o domínio de florestas pelo bambu gera alterações em suas estruturas, as quais reduzem sua diversidade florística. Isto é, impedem o afluxo espontâneo de novas espécies arbóreas e, em consequência, sua disseminação no espaço que lhe é nativo, com consequente redução da abundância de espécies naturais da região. Diversidade a Abundância constituem a alma das florestas.

A tese de Evandro Ferreira, com a qual se concorda lógica e racionalmente, é que “o bambu apresenta rápido crescimento e grande agressividade na ocupação do sub-bosque das florestas”, além do fato que seu domínio em densas matas, como a da floresta acriana, torna infrutífera “a intervenção recorrente do homem para impedir que mudas [nativas] plantadas não sejam ‘sufocadas’ pelo bambu”.

Embora o autor não haja feito análises complementares acerca dos impactos ambientais regionais adversos sobre a fauna amazônica, sugere-se a leitura de seu excelente artigo. Clique no link acima, grafado em vermelho.

A cultura agrícola necessária

Não há como desistir do uso do bambu como eficaz material de construção: seguro, barato e de fácil manutenção. Porém, deve ser pensada a hipótese de realizar a cultura do bambu em fazendas agrícolas, escolhendo espécies que não proliferam em “touceiras”, mas que permitem plantação e colheita organizada, não destruidora de florestas.

Trecho de mata nativa de bambu

Trecho de mata plantada de bambu

Segundo estudos realizados, existem no Brasil cerca de 50 espécies nativas de bambu que podem ter seu uso racional diferenciado. Cabe à engenharia agronômica estudar e propor quais são as espécies mais adequadas para construção de casas e prédios.

Ainda são poucas as empresas brasileiras de arquitetura que fazem projetos em bambu. Contudo, o número delas tende a crescer. O único inconveniente que ainda se tem no país é a falta de segurança pública, associada ao crescimento da criminalidade.

No entanto, essa sensação de fragilidade caseira é relativa, pois tiros de fuzil de maior potência atravessam paredes de alvenaria e até mesmo paredes metálicas.

Fica-se a imaginar as milhões de favelas do Brasil com casas feitas de bambu. Claro que ainda se está longe disso, mas existem inúmeras casas modernas construídas a partir de espetaculares projetos de bambu. O exemplo inteligente pode subir o morro.

Meditações liberais


Após pouco mais de dois anos de existência, nosso blog tem 680 artigos publicados, incluindo este. Estimando a média de duas páginas por artigo, redigiu-se um livro sobre Opinião política e Sustentabilidade de 1.360 páginas.

Não é pouco. Sobretudo num país como o nosso, repleto de analfabetos oficiais e uma horda de imitadores particulares. Portanto, é hora de meditar, especular sobre passado, presente e futuro, mas sem necessidade de ter certezas.

Acerca das turbulências sociais nas ruas de várias cidades brasileiras, que se tornaram mais intensas a partir de 2013, indaga-se: ─ “A quem interessa as manifestações mais violentas?

Em junho de 2013, milhões de brasileiros descontentes foram para as ruas denunciar diversas decadências nacionais. De início, poucos foram casos de conflito com forças de segurança. Porém, logo começou uma espécie de infiltração de elementos estranhos. Isso ocorria ao fim dos manifestos da sociedade civilizada (ou quase).

Apareceu uma entidade que se autodenominava “Mídia Ninja”, a dar publicidade em tempo real da violência conflagrada ao final de todos os manifestos. O povo presente foi-se retraindo e desapareceu em julho, após uma passeata das centrais sindicais, realizada em São Paulo.

Foi uma manifestação patética em vários sentidos: poucos participantes, mas quintuplicados na internet por comandos virtuais de “cópia e cola”; tinham a aparência de “soldadinhos de chumbo” mal remunerados; e permitiram a adesão de pequenos grupos do MST e do MTST. O resultado foi o gradativo silêncio que se instalou na sociedade. A quem interessava esse silêncio?

Agora, neste mês de maio, retornam as manifestações classistas em diversos estados, com greve e passeata de professores, greve de policiais militares, greve de motoristas de ônibus, e até a Polícia Federal fazendo greve nos aeroportos[1].

Simultaneamente, ocorreram protestos do MTST e MST, sempre mais ostensivos com queima de pneus, badernas, bandeiras vermelhas e palavras de ordem.

Novamente surgem os vândalos infiltrados em passeatas de grevistas, a destruir o patrimônio e criar violentos confrontos com forças da segurança pública. Isto ocorreu ontem, ao fim da passeata dos professores municipais paulistas, em greve por melhores salários.

Pode-se especular sobre o confuso contexto atual, que envolve passeatas contra esquemas do governo, movimentos classistas, protestos mais localizados e ação de delinquentes a destruir o patrimônio, sobretudo o privado – queima de ônibus, destruição de agências de bancos privados, quebra de vidraças de lojas e furto de produtos. São exemplos claros de elementos que não acreditam em meritocracia e competência para trabalhar. Quando não as possuem, crêem ter o direito de destruir.

Imagem da farsa

Imagem da farsa

Depois de meditar muito e refletir sobre esses acontecimentos, teve-se o pressentimento de que a sociedade civil brasileira foi induzida a diversos erros de interpretação, a mídia foi manipulada (ou comprada) e é bastante provável que haja um agente financiador do clima de violência instaurado no país. Um clima odiento, que cresce dia-a-dia, alimentado de forma infame pelas eleições presidenciais deste ano.

Especula-se por partes

Foi vendido para a sociedade civil que se havia instalado no Brasil um grupo de anarquistas internacionais, com objetivos desconhecidos. O grupo se autodenominava de Black Bloc, bem estridente.

Em seguida, foi jogado na internet o boato que os Black Bloc eram os causadores de todas as violências cometidas em passeatas e manifestos. O tal do Mídia Ninja era seu principal veículo publicitário, dizendo-se apolítico. No entanto, em 2013, publicou-se um artigo sobre esses indivíduos com título bem sugestivo – Mídia Ninja, o MST do jornalismo.

Neste artigo encontra-se o líder-ninja acompanhando um farsante, que hoje atua na política brasileira, embora na qualidade de presidiário na Papuda.

A mídia comprou essa estória, sobretudo sua parcela de “jornalistas progressistas”, por sinal paga pelo agente financiador. No entanto, jornalistas independentes deixaram-se manipular e engoliram as duas farsas: os Black Bloc e os Mídia Ninja.

A partir de então, estes dois seres antediluvianos, bem como suas ações tresloucadas, tornaram-se verdades absolutas, dogmas da democracia interventora implantada no país.

Novamente, indaga-se: ─ “A quem interessa a violência nas manifestações populares?

Ao agente financiador, é óbvio. Comprou um serviço e exige resultado com qualidade! Mas pouco se sabe acerca desse “financista”. Ele opera com poucos amigos na calada da noite. Para sua segurança, usa salas trancadas com blindagem acústica. Sabe-se que é exageradamente falante, trata somente de si próprio e de suas ditas proezas públicas. Tem-se informação de que é exagerado, mentiroso, não possui mérito ou qualquer capacidade de trabalho produtivo. Todavia, gosta de ver o mundo pegar fogo, pois acredita que assim conseguirá mais poder.

Pensam como Marx, governam como Stalin e vivem como Rockfeller

Pensam como Marx, governam como Stalin e vivem como Rockfeller

Há uma frase de Millôr Fernandes que, acredita-se, encerra o perfil do digno financista: ─ “As pessoas que falam muito, mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades”.

……….

[1] Clama por atenção a greve de oficiais e auxiliares de chancelaria no exterior, que parou por 24 horas inúmeras representações diplomáticas em cerca de 13 países, segundo notícias da imprensa.