Educação libertária


Educação libertária

Por Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Recebi, cá nas Maçãs, a notícia de que, em março de 2013, foi fundada uma faculdade de informática em Paris, cujo nome é École 42. Isso mesmo, Escola 42, uma alusão ao romance de Douglas Adams, “O Guia do viajante Galáctico”. Por sinal, não o adquiri, não o li e decerto nunca vou lê-lo. Mas, mesmo a desconhecer a motivação do nome da Escola, fiquei bastante interessado. E explico.

Chamou-me a atenção uma série de inventos que a Escola 42 oferece aos alunos que nela ingressam, após várias fases de rigorosa seleção. Segundo a notícia, o curso de informática tem cerca de três anos de duração e é gratuito. Mas há ainda um curso complementar de dois anos, para aqueles que desejarem montar suas próprias empresas. Os pretendentes aos cursos não precisam possuir qualquer diploma. Basta que saibam pensar.

Para o primeiro curso houve cerca de 60 mil inscrições, mas apenas mil foram selecionados neste ano. Todos entre 18 e 30 anos de idade. Assim, curiosíssimos, seguimos de carro até Paris – eu e Quincas – para conhecer a 42, aberta para “cursos que informatizam pessoas” desde julho passado.

Prédio da 42: Boulevard Bessières 96, com área de 4242 m2

Prédio da 42: Boulevard Bessières 96, com área de 4.242 metros quadrados

Mesmo depois de pedir muito, quase implorar, só nos foi permitida uma hora para visitar a 42, durante a tarde. Se fôssemos jornalistas de peso, decerto teríamos descoberto mais coisas. Mas, sem sermos da área, coube-nos apenas organizar nossas anotações e produzir este breve relato.

As tomadas fotográficas foram-nos cedidas por um coordenador de alguma função da Escola. Pela forte emoção que nos casou a estrutura e a proposta da 42, não guardamos seu nome e área de atuação. Que ele nos perdoe esse imperdoável esquecimento.

Relato da visita [1]

Xavier Niel [2] é o fundador e Presidente da 42. Investe em internet e telecomunicações há pelo menos 20 anos. Dizem as “más línguas” que, embora jovem, é um dos 10 franceses mais ricos do país. A 42 é uma de suas várias criações. Niel garantiu, a título de doação, de 20 a 50 milhões de Euros para os 10 primeiros anos de funcionamento da Escola. Dá para imaginar o que falam as “boas línguas” acerca dele.

Hall da Escola 42: limpo, claro e funcional. Precisaria mais?

Hall da Escola 42: limpo, claro e funcional. E precisaria mais?

O foco da Escola baseia-se na liberdade do aprendizado. Segundo Niel e seus pares, nos últimos tempos a educação na França tem declinado em qualidade. Acreditam que um dos fatores que motivaram essa queda é decorrente dos inúmeros defeitos da tradicional hierarquia “professor & aluno”.

Entretanto, acreditam que os jovens educandos do século 21 anseiam por definir, de forma independente, o que desejam aprender e em que profundidade. E é isso que a 42 oferece e, de certa forma, impõe a seus “aprendizes de programação”.

Salão para a seleção final dos candidatos – La Piscine

Salão para a seleção final dos candidatos – La Piscine

A Escola permanece aberta durante todo o ano, 24 horas por dia. Não possui salas de aula e professores, mas apenas tutores que orientam os alunos pelos caminhos que desejam trilhar na informática. A todos os pretendentes selecionados, “que não se afogaram em La Piscine”, são disponibilizadas máquinas, equipamentos e acessórios de última geração – vimos fileiras de mesas de trabalho portando 1.000 Macintosh!

Da mesma forma que o mercado de trabalho, durante todo o curso a Escola 42 faz demandas imprevistas a seus educandos. Eles precisam estar prontos para, a qualquer instante, serem avaliados, tal como as empresas fazem aleatoriamente com seus funcionários, por força das demandas do mercado de serviços.

Essa é a base de sua pedagogia: preparar seus aprendizes para conviver de acordo com a realidade. Por isso, trabalhos práticos são intensamente aplicados e os alunos devem buscar soluções através de pesquisas na internet e das relações de ajuda mútua que estabelecem entre si. Os tutores nunca informam “como fazer”, apenas os orientam aonde talvez encontrem a solução.

Área de imersão para a busca de soluções

Área de imersão para a busca de soluções

Segundo nos disse um dos tutores, muitos alunos da 42 permanecem em suas dependências. Praticamente acampam na Escola por longos períodos e dormem nas salas de trabalho.

Não há dúvida que a diretoria da École 42 está em busca de talentos, de gênios inovadores. Resta saber qual será a resposta de seus alunos face ao estresse que essa educação libertária poderá criar. Ou seja, diante dessa panela de alta pressão, qual poderá ser sua taxa anual de evasão.

A considerar a faixa da idade dos jovens aprendizes e de sua alucinação pela informática, esperamos que seja igual a zero.

Tudo nos leva a crer que a Escola 42 não está em busca de formar excelentes programadores, mas de descobrir criadores de soberbas e inesperadas soluções de informática.

Vista da cobertura do prédio da Escola 42

Vista da cobertura do prédio da Escola 42

Para os que desejarem mais informações sobre a 42, deixamos o endereço de seu site oficial, em “Born to Code”.

Para ver uma boa reportagem feita in loco, basta acessar Faculdade de informática em Paris inova em sistema educacional.


[1] Fontes de informação: visita à Escola 42, conversa com funcionários e entrevista com passantes pelo bulevar, acerca do que pensam sobre a 42. Ou seja, factos vividos e experimentados.

[2] Xavier Niel é um autodidata que montou o primeiro provedor de acesso à Internet na França: Worldnet. Atua nas áreas da telemática, da Internet e das telecomunicações. É um grande investidor em startups, a promover a aceleração de até 100 novas empresas por ano.

Uma irretocável aula de matemática


Muito antiga, mas sempre funciona…

Um gaúcho, dono de um pequeno rancho no sul do país, nas bandas do Alegrete, tinha 17 cavalos e 3 filhos. Porém, infelizmente faleceu. Quando o testamento foi aberto, dizia que metade dos cavalos ficaria para o filho mais velho, um terço para o do meio e um nono dos equinos para o caçula.

─ O que deveriam fazer? …

A herança

A herança

Se eram dezessete cavalos, como dar metade ao filho mais velho? Será que um dos animais deveria ser cortado ao meio?! …

Tal decisão não iria resolver o problema, porque um terço deveria ser dado ao segundo filho. E a nona parte dos cavalos entregue ao caçula.

É claro que os três filhos correram em busca do homem mais erudito na cidade, que fosse muito estudioso, além de matemático.

Procuraram o prefeito, como sempre ignorante. Então foram ao Juiz da Comarca, que disse só ter embasamento em legislação. Mas, mesmo assim, resignado tentou. Ele raciocinou muito, mas não conseguiu encontrar a solução, já que a mesma é de matemática.

A cidade já estava em polvorosa, quando então alguém sugeriu:

─ Olha lá, vem vindo um oficial de cavalaria montado em seu cavalo.

Perguntaram-lhe se ele entendia de matemática, pois de cavalo ele parecia ser bom. O oficial disse:

─ “Sou 2º tesoureiro do 3º Comando de Cavalaria. Me digam qual é o problema”.

Passaram-lhe o problema e o oficial sorriu:

─ “É muito simples, não se preocupem“.

Emprestou seu cavalo aos herdeiros – como eram 17 cavalos herdados, agora os irmãos ficaram com 18. Depois o oficial fez a divisão. Nove foram dados ao primeiro filho, que ficou satisfeito. Ao segundo coube a terça parte – seis cavalos – e ao terceiro filho foram dados os dois cavalos, conforme o testamento – a nona parte. Sobrou um cavalo: o que fora emprestado.

O oficial pegou seu cavalo de volta e disse:

─ “Agora podem seguir, a divisão está feita e o testamento cumprido. Recebam meus sentimentos“.

Os cálculos do cavaleiro

17 herdados + 1 emprestado = 18 cavalos para dividir entre três herdeiros.

─ O primeiro filho recebeu seus 9 animais → 18/2.

─ O segundo, recebeu 6 animais → 18/3.

─ O primeiro filho recebeu 2 animais → 18/9.

Cumprido o testamento: 9 + 6 + 2= 17 cavalos.

─ 18 – 17, sobrou 1 cavalo, por sinal o emprestado, que foi devolvido ao oficial.

Esta história simples serve para ilustrar a diferença entre sabedoria e erudição. Ela conclui dizendo: “A sabedoria é prática, o que não acontece com a erudição. A cultura é abstrata, a sabedoria é terrena; a erudição são palavras e a sabedoria é experiência“.

Nota: Isto também funciona com jegues, mulas, antas, toupeiras, burros e jumentos.

Beatles, história de 44 anos


Há 44 anos eles atravessaram a Abbey Road.

Era 8 de agosto de 1969 quando os Beatles se reuniram para lançar mais um novo álbum. Viria a ser motivo de um dos seus últimos ensaios fotográficos juntos.

Nessa época Paul McCartney já decidia muitas coisas da banda, mas tudo era complicado. Reunir todos os membros era bastante difícil. Sair para negociar, agendar horários, marcar encontros, conseguir que todos estivessem presentes, nada disso acontecia sem boas doses de desgastes. Talvez o único que ainda queria ser Beatle fosse Ringo.

Foi de Paul a ideia e iniciativa de fotografar a capa do álbum naquela exata faixa de pedestres da Abbey Road.

Rascunho de Paul para a capa

Rascunho de Paul para a capa

O fotógrafo escocês Iain Stewart Macmillan foi chamado para executar o trabalho. Antes de começar, Iain fez uma tomada da rua vazia. Precisava “ver no papel” o ambiente da ideia de Paul.

A Abbey Road vazia

A Abbey Road vazia

Linda McCartney também tirou mais de uma dúzia de fotos do grupo e “dos preparativos”, enquanto o quarteto aguardava o ensaio começar:

Paul e Ringo, by Linda McCartney

Paul e Ringo, by Linda McCartney

The "bunch of kooks", by Linda

The “bunch of kooks”, by Linda – fora de foco…

John e Paul, by Linda McCartney

John e Paul, by Linda McCartney

Iain Macmillan fez seis tomadas da banda atravessando a rua nos dois sentidos. Mas apenas uma indicava o equilíbrio dos Beatles em termos de suas posições, passadas largas e sua desorganização natural. Segue a imagem selecionada e uma das que não serviu para nada…

Foto da capa selecionada por Paul

Foto da capa selecionada por Paul

A quarta tentativa de Iain

A quarta tentativa de Iain

A história fez a sua parte após desse evento. Ninguém imaginava que os Beatles chegariam ao fim alguns dias depois. Nem o fã mais pessimista, nem mesmo John Lennon, “que declarou numa reunião seu desejo de sair da banda, por força das ambições de George Harrison em ter mais espaço para compor”.

Na foto selecionada, atrás do perfil de George, há um Fusca com placa LMW 281F. Após o lançamento do álbum a placa foi roubada repetidas vezes, até o carro ser leiloado em 1986. Foi arrematado por £2.530. Atualmente ele se encontra no museu da Volkswagen, Alemanha.

O Fusca Abbey Road ainda existe

O Fusca Abbey Road ainda existe

Fica aqui o registro. A incrível história do fim da vida de uma banda que dificilmente se repetirá no planeta com a mesma intensidade. Assistam a Come Together.

Honestidade de expressão


A lógica da informação.

Desde o início do século 21 fala-se muito sobre o direito do cidadão em expressar suas ideias, opiniões, sugestões e convicções. Trata-se da chamada liberdade de expressão, normal nas democracias modernas. Porém, cremos que há muito a ponderar sobre esse tema. Nunca a partir dos preceitos estabelecidos em lei, mas sempre pela lógica racional.

No Brasil, desde 1884, a liberdade de expressão constitui direito definido pela Constituição do Império. Direito que somente foi extirpado durante a ditadura de Vargas e as do período militar. Períodos em que a liberdade de expor o pensamento foi castrada pela censura, por ações arbitrárias e até mesmo pelo uso irracional da violência. Enfim, uma completa falta de lógica.

Qual é a lógica dessa porcaria?

Qual é a lógica dessa porcaria?

Mudanças foram realizadas em relação a liberdade de expressão a partir da Constituição de 1988. Demagogicamente, quando a expressão foi libertada, voltou a ser um direito inalienável de todos os cidadãos brasileiros. Em tese, esse nobre desejo – a liberdade – constitui requisito básico para a existência de sociedades democráticas e civilizadas. Mesmo assim, ainda lhe falta a maldita lógica.

Quando a informação é algemada

Quando a informação é algemada

A lógica da liberdade de expressão

Seja de um cidadão isolado ou de uma grande empresa da mídia, a liberdade de expressão deve seguir a lógica dos princípios da sociabilidade: qualquer publicação ou discurso não pode conter falácias, deve ser honesta, objetiva e clara, além de oferecer ao público todas as informações disponíveis sobre assunto tratado. Afinal, embora possa cansar o leitor, o que abunda não prejudica – quod abundant non nocet.

Desta forma, o conteúdo da liberdade de expressão deve ser a exata medida da honestidade do redator. Omissões casuais precisam ser revistas e esgotadas. Omissões dolosas, punidas pelo esquecimento de seu público. Assim, optamos por ir além da simples liberdade e adotar o termo Honestidade de Expressão, o qual consideramos mais completo.

Rumo a uma nova marca

Achamos que o ultrapassado lema positivista da bandeira brasileira – Ordem e Progresso – precisa ser atualizado com certa urgência. Uma vez que ambos os “tags” teimam em não funcionar desde quando foram criados, em 1889, propomos uma nova visão dos valores nacionais desejados por sua população – “Liberty and Honesty” –, com vistas a dotar o país de maior credibilidade internacional, e trazer a reboque investimentos produtivos que aumentem seus futuros parceiros no comércio bilateral.

Decerto alguns países acreditarão nesse “novo grito de independência”. Restará à nação, e somente à nação, erigir um Estado que realmente a represente, bem como seja capaz de realizar e de demonstrar a seriedade do teor desse grito ao mundo.

Para tanto, a sociedade brasileira precisará renovar a lógica de sua honestidade.

O neurônio político


Não funciona por que é solitário e chega a ser cômico.

Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior

Zik Sênior

Tenho acompanhado pelos jornais os acontecimentos políticos mundiais, com ênfase para os que ocorrem no Brasil. Aos 104 anos de idade tenho todo o tempo do mundo para ler e fazer pesquisas pela internet.

Foi assim que descobri um espaço digital que só trata de conversas e falações de políticos. Em cada texto o jornalista faz comentários quase sempre cômicos sobre o autor. Trata-se do Sanatório Geral, que é uma seção do blog de Augusto Nunes. Não sei quantos prédios, alas e salas tem este Sanatório, mas decerto é gigantesco, pois a quantidade de pacientes e das besteiras proferidas é muito grande e diária. Uma solenidade de asnices sem fim.

Ontem fiquei durante mais de 12 horas estupefato ao ler as falações políticas proferidas, bem como as chacotas provocantes de Augusto. Imaginem, compilei, mesmo com bastante seletividade, cerca de 13 páginas de asneiras monumentais!

Como seus autores são muito variados, assim como as circunstâncias e temas sobre o que falaram, optei por apresentar apenas um autor, que se destaca sobremaneira na sua forma inteligente de fazer política.

Transcrevo a seguir, como mais um registro de minha passagem neste planeta, algumas falas da Sra. Dilma Rousseff, candidata à reeleição para a Presidência da República. Todas têm um título, a data em que foi proferida e as considerações do Sanatório. Saliento o fato de que não consegui descobrir quem é um tal de “Celso Arnaldo”, sempre citado pelo Sanatório. Acho que só pode ser um diretor executivo da instituição.

A esperar a licença do jornalista Augusto Nunes e equipe, mas com respeito, e obviamente sem cerimônia, reproduzo uma pequena parcela de seu rico material informativo. A sátira é ancestral e verdadeira. Portanto, receba meus parabéns pela criatividade do que é capaz de nos apresentar, com base em fatos corriqueiros da nossa putrefata democracia.

Seguem, grafados em bege, discursos, verborreias e textos da “presidenta”.

Neurônio em parafuso, em 07/08/2013

“E é essa a forma pela qual um país vira uma grande nação, porque uma coisa é um grande país, outra coisa é uma grande nação. Uma grande nação é grande porque a sua população é grande. E nós só podemos ser de fato um país desenvolvido, não é se o nosso PIB crescesse – é também –, não é só se nós descobrimos mais riquezas, é também, mas é, sobretudo, se nós mudarmos radicalmente a qualidade da educação prestada às crianças e aos jovens deste país, e também aos adultos, porque também adulto não pode pará (sic) de estudar, não”.

Hoje, na cerimônia de inauguração do campus avançado da Universidade Federal de Alfenas, internada por Celso Arnaldo ao dar um exemplo extraordinário de adulto que parou de estudar e chegou à Presidência da República.

Neurônio espacial, em 18/07/2013

“Se a gente for olhar essas manifestações de junho, nós vamos ver que elas foram feitas por quê? Por que elas foram feitas? Por causa do seguinte: uma característica do ser humano nos distingue e nos transforma em capazes de fazer, de sair da idade do bronze e colocar um voo na lua. Qual é essa característica? É querer mais, é cada vez querer mais, como aquele pessoal que você tentava e tentava”.

Nesta quinta-feira, durante inauguração de estações do metrô de Fortaleza, internada por Celso Arnaldo ao revelar que os manifestantes de junho pararam o Brasil porque agora querem ir da Idade da Pedra a Marte.

Antecipando o antecipado, em 04/06/2013

“Mas hoje eu queria antecipar – até porque eu falei disso ontem – algumas, praticamente uma questão, que engloba tudo o que eu vou antecipar”.

Na cerimônia de lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2013/2014, internada por Celso Arnaldo ao antecipar o que já foi antecipado antes de ser antecipado novamente.

Neurônio atrapalhado, em 15/05/2013

“Porém esse processo está sub judice, e a MP que define essa parte, essa parte dos royalties que é royalties, participações… essa parte da lei, aliás royalties, participações especiais e os recursos do pré-sal, destina à educação… essa lei, ela está parada porque ela está sub judice. O Supremo Tribunal está avaliando essa questão, se é ou não é inconstitucional ou não”.

Tentando dizer alguma coisa sobre royalties numa variação do dilmês ainda não catalogada por Celso Arnaldo.

Neurônio de porre, em 11/05/2013

“E hoje aqui eu aproveito a posse do ministro para mais uma vez – eu fiz esse anúncio, ali quando eu compareci em São Paulo à posse da Associação Comercial de São Paulo e do presidente da Federação de Associações Comerciais do Estado de São Paulo – eu fiz um anúncio que foi que nós estamos reduzindo os juros desses empréstimos de 8% para 5%, portanto juro zero”.

Na posse de Guilherme Afif Domingos, revelando em dilmês de botequim que, para o neurônio solitário, 5% é igual a zero.

Neurônio ministeriável, em 10/05/2013

“E por que um novo ministério? No Brasil nós temos de ter e de reconhecer que é necessário um processo de expansão para depois abrir um processo de redução e assinamento”.

Na cerimônia de posse de Guilherme Afif Domingos, titular da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, o 39º ministério de seu governo, internada por Celso Arnaldo ao insinuar que, antes de se saber o que é “assinamento”, vamos chegar fácil aos 50º.

[Neurônio] Não entendeu, em 07/05/2013

“Mas voltando desse parêntese, a destinação dos royalties do petróleo. Ela não é trivial. Eu enviei para o Congresso quando vetei a medida, aliás, vetei parte da Lei dos Portos, dos Portos não, dos Royalties, e era do Petróleo, que mudava os contratos para trás, em uma afirmação que o Brasil tem que respeitar contratos gostando dos contratos ou não, não é uma questão de vontade, é uma questão de respeito à lei. Porém esse processo está sub judice, e a MP que define essa parte, essa parte dos royalties que é royalties, participações… essa parte da lei, aliás royalties, participações especiais e os recursos do pré-sal, destina à educação… essa lei, ela está parada porque ela está sub judice. O Supremo Tribunal está avaliando essa questão, se é ou não é inconstitucional ou não”.

Na posse da nova diretoria da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo, internada por Celso Arnaldo ao insinuar aos empresários presentes que a lei dos royalties ainda está sub judice no Supremo porque nenhum ministro entendeu o que a presidente quis dizer e persiste a dúvida se é ela inconstitucional ou não ou vice-versa.

Como é que é?, em 05/05/2013

“E nós, agora, estamos fazendo por um método brasileiro. Me desculpem… Não, não vou falar isso, não, porque é uma dó. É um método brasileiro que é o seguinte. Nós, agora, construímos e já beneficiamos… a gente não constrói… por exemplo, nós construímos um trecho e entregamos, e ele já dá água. Aí construímos outro e entregamos, e ele continua dando água, porque antes você construía o primeiro e o terceiro, e aí você não tinha um intermediário. Agora nós construímos por módulos. Eu chamo de sistema brasileiro para não chamar sistema de outro país. Eu não posso falar o outro país. Mas é… o sistema nosso agora é um sistema brasileiro, bem inteligente. Ficou bem inteligente o nosso sistema”.

Ao tentar explicar como é o novo e revolucionário sistema brasileiro de combate à seca, deixando claro que, se depender do neurônio solitário, o Nordeste inteiro vai morrer de sede.

Neurônio criativo, em 27/04/2013

“Por exemplo, eu vou dar um exemplo, morreu muita criação. Morreu muita galinha, morreu cabra, morreu boi, morreu criação. Então, nós vamos ter de retomar. Nós vamos criar um programa para retomar a criação. Justamente o bovino, tem de recuperar a criação. A mesma coisa com semente. Nós perdemos todas as sementes. E nós vamos voltar a distribuir”.

Diretamente do Portal do Planalto, avisando que, assim que chover no Nordeste, o governo vai semear bovinos, colher galinhas, criar sementes e plantar cabras.

Neurônio doentio, em 23/04/2013

“Nós colocamos à disposição das pessoas, nas farmácias populares, nas farmácias populares que se chamam Aqui Tem Farmácia Popular, são as privadas, coloca à disposição tanto remédios para hipertensão como remédio para insulina”.

Na coletiva de hoje no Palácio do Planalto, internada por Celso Arnaldo ao anunciar uma boa nova: a partir de agora, as farmácias populares, também conhecidas como as privadas, passarão a oferecer remédios para essa doença ameaçadora chamada insulina.

Neurônio comprometido, em 03/04/2013

“Eu queria dizer para vocês, nesta noite, aqui no Ceará, em Fortaleza e nessa escola, o compromisso forte, o compromisso que é um compromisso que eu diria o maior compromisso do meu governo. Porque é que o compromisso com a educação tem que ser o maior compromisso de um governo”.

Na cerimônia de inauguração de uma escola de educação profissional em Fortaleza, internada por Celso Arnaldo ao deixar bem claro que tem compromisso com o compromisso.

Para os que tiverem interesse na leitura dos absurdos proferidos por todos os “artistas políticos” brasileiros e sul-americanos, cliquem em Sanatório Geral.

Os jovens e sua força inventiva


Conseguem superar nosso eterno Estado Interventor.

Há livros de História e teses de doutorado em Ciência Política que narram em detalhes os processos de colonização do Brasil. Os autores apresentam documentos que comprovam que o Estado foi fundado antes de haver uma pequena sociedade formada naquele sítio. Foi como se o apressado Império Português implantasse uma Carta Magna na colônia, sem ter ainda qualquer nativo para obedece-la.

Após trezentos anos de uso desta filosofia política, o gene cultural do patrimonialismo estatal estava definitivamente configurado. O Estado não permitia que a nação existisse, a menos de curtos períodos de exceção, mesmo depois de fundada a República Democrática do Brasil.

A ênfase estatizante e “colonialesca” ficou muito clara no segundo período do governo Getulio Vargas que, após sua violenta ditadura, ficou conhecido como Estado Novo. A nosso ver, sofríamos o império do populismo e a sociedade brasileira curvava-se agradecida diante das “bondades do Estado“. Por sinal, parece que hoje não vivemos um cenário político diferente.

Até hoje, sobretudo em grandes negócios, o caminho seguido pelas caravanas de investidores e empresários passa obrigatoriamente pelos gabinetes do Estado, que lhes dá ou não permissão para investir e produzir. Há leis e processos burocráticos em demasia, que afetam de forma adversa a criação de empresas, sua produtividade e o retorno dos investimentos. Sobre a carga tributária absurda sequer vamos falar.

No entanto, começam a aparecer sinais bem expressivos de que jovens empreendedores estão a escapar das prisões arbitrárias – legais e burocráticas -, impostas pelo Estado. Podemos explicar esse fenômeno com base em fatos.

Nos últimos 20 anos, com o amplo domínio das técnicas de uso comercial da internet, muitas empresas têm sido criadas para evitar o impacto negativo do poder desmesurado do Estado Brasileiro. Seus serviços e produtos independem da aquiescência dos “governantes de ocasião“. E mais, podem ser exportados caso sejam emperrados por alguma norma legal vigente no país. Há uma verdadeira nação de empreendedores jovens, com mais de 18 anos, que vem crescendo muito rápido no país. Suas empresas são chamadas pelo mercado mundial de “startups”.

Em síntese, as startups são empresas em busca de um modelo de negócios que possa ser replicado e demonstre capacidade de crescimento econômico sustentável. No entanto, seus sócios aceitam trabalhar em condições de incerteza. Contam com equipes pequenas e custo operacional bem baixo. Possuem boas visões de seus mercados potenciais e de como pretendem atendê-los. Mas faltam-lhes o domínio das práticas de enfrentamento do mercado concorrente e das questões jurídicas envolvidas.

Novo nicho de mercado

O número de startups criadas no Brasil já é bem grande. Elas começaram como empresas incubadas em universidades e algumas, digamos, tomaram rumo na vida. Todavia, faltava-lhes os aconselhamentos de profissionais experientes nas práticas do mercado (mentores e mentoria). Embora a Academia tenha força para ensinar, normalmente não possui a melhor vivência dos mercados que seus alunos deverão atuar.

Sem renegar a Academia, muito ao contrário, empresários um pouco mais velhos (de 35 a 45 anos) descobriram que havia um espaço ainda não ocupado para a orientação profissional das startups. Criaram as “empresas aceleradoras de startup” e, com a visão de compartilhar experiências e conhecimentos, selecionam e integram várias empresas recém criadas sob um mesmo teto, ativo e bem profissional. Possuem mentores de primeira grandeza que, de forma voluntária, dão orientações e conselhos pragmáticos de como devem atuar em cada fatia do mercado.

Um fato acelerador

Assistimos ontem, via internet, a um evento digno do Primeiro Mundo: chamou-se Demo Day 21212. Foi uma espécie de relatório presencial da história da vida da empresa 21212 Digital Accelerator neste ano. Aconteceu no delicioso Espaço Tom Jobim, situado no Jardim Botânico do Rio.

A 21212 Digital Accelerator

A 21212 Digital Accelerator

A 21212 é uma aceleradora de empresas digitais focada em mentoria, baseada no Rio de Janeiro (21) e Nova Iorque (212). Fundada em 2011 por um grupo de executivos brasileiros e norte-americanos, em pouco tempo tornou-se uma notável base para o lançamento e crescimento de empresas no mercado digital brasileiro. Por sinal, um mercado de alta concorrência.

A 21212 sabe muito bem como levar ao público (mercado) suas principais startups, os resultados que obtiveram, com palestras e debates sobre o ecossistema de negócios digitais de que participa.

Em seu terceiro Demo Day, reuniu, além de sua própria equipe, um belo time de executivos e mentores nas áreas das relações humanas, economia, informática, e-comerce, gestão de negócios e, claro, da Academia. Mas sempre tendo em vista atender às demandas da iniciativa privada em seu nascedouro e estimular a criação de novas iniciativas empresariais, que atuem de acordo com as melhores práticas internacionais.

Que mais jovens empresários fiquem atentos e pratiquem esta “subversão amiga de boas maneiras“.

Para os que desejarem saber mais sobre esse processo deixamos o link da 21212 Digital Accelerator. Bons negócios para todos!

Ih, a NSA nos descobriu!


A NSA nos descobriu

Vários fatos nos levam a pensar que, pelo menos há três meses, estamos a ser “inspecionados” por agentes de alto desempenho da área de segurança do Estado Norte-Americano. Afinal, segundo a imprensa, eles sabem de tudo o que acontece no Brasil Político: todas as suas impurezas, macaquices e safadezas, se assim pode ser simplificado o plano de corrupção nacional, que há de ser cumprido, custe o que custar à sociedade.

Espionar os outros deixa-os sem calças

Esse tipo de espião é coisa do passado

Explicamos por quê

A visitação do blog por pessoas que residem nos EUA sempre foi função dos velhos amigos que se mudaram para este país. Ficávamos felizes em ter três visitas diárias, no máximo. Ao contrário do comportamento das visitas provindas de Portugal, que sempre cresceram desde que o blog foi lançado, em abril de 2012.

Todavia, quando consultamos as estatísticas do blog, foi verificado que a visitação norte-americana começou a aumentar de forma expressiva, sobretudo neste último trimestre (de julho a setembro): tivemos 1.389 visitas americanas ao blog no trimestre. Do eterno e maravilhoso público português, no mesmo período, recebemos 351 visitas, menos que 1/3 do que as norte-americanas.

Concordamos que esse súbito aumento visitação não é razão suficiente para que alguém afirme que a NSA e a CIA estejam-nos bisbilhotando. Mesmo que seja barato e não precisem usar seus satélites para capturar dados e imagens.

Entretanto, o período em que se deu esse aumento, de julho e setembro de 2013, foi o mesmo em que os articulistas do blog deram mais ênfase à opinião política: sobre “os estranhos desvios da governança brasileira”, seus inumeráveis escândalos e processos penais, julgados em várias alçadas jurídicas. Uma verdadeira baderna desorganizada, onde todos roubam e, ao fim, livram-se da prisão. São “companheiros” e “eles sabem” muito bem.

Os motivos dessa ênfase política em nossos artigos são óbvios. A começar pelos movimentos populares contra a corrupção e a culminar com o ato ainda não inaugurado: o Movimento Contra o Analfabetismo Funcional, de propriedade da nação, sobretudo destinado a educar a maioria dos membros dos poderes executivo e legislativo. Afinal, tarde é nunca!

A debater o artigo

Fizemos uma videoconferência com os quatro articulistas do blog para discutir o teor deste texto e se deveríamos publicá-lo. Ajustamos o texto e, por consenso, firmamos dois pontos de convergência:

  • Por unanimidade, concordamos em publicá-lo; e
  • A probabilidade de nosso blog ter sido aberto por um órgão de segurança de qualquer Estado Nacional do planeta é, na prática, igual a zero. Não por falta de competência desses órgãos, mas por dominarem em muito mais detalhes o cheiro das matérias que distribuímos.

E se agentes secretos atuassem

Seriam agentes silenciosos, não fariam qualquer tipo de ruído, não estragariam arquivos, nem gerariam interferências com “Cavalos de Troia”. Tudo nos indica que, de alguma forma, achariam “interessantes” as informações políticas que publicamos no blog com assiduidade.

Mas, caso atuem, sirvam-se, a mesa é posta! Todas as informações que divulgamos são públicas, muito bem conhecidas, embora com diversas interpretações duvidosas pelo planeta.

O que nos difere delas é o fato de que nossa visão particular não impacta, de forma gratuita e adversa, a terceiros. Representa a voz uníssona e cidadã de nosso time social.

Espião descarado

Espião entreguista