Entalhar em madeira


Dotado de grande sensibilidade emocional e muita disciplina, o artista usava ferramentas simples, como goivas, formões, grosas, limas e lixas. Aplicava-as com paciência e visão sobre toras de madeira. E delas surgiam obras inacreditáveis, a deixar o observador perplexo“.

Talvez a maior tradição mundial em esculturas de madeira seja a da China. Há séculos seus mestres transformam madeira bruta em incríveis obras de arte. Porém, nenhuma tão fabulosa como a entalhada por Zheng Chunhui.

Zheng Chunhui

Zheng Chunhui apresentando o prêmio de seu recorde mundial

Este talentoso artista dedicou quatro anos esculpindo uma réplica detalhada da famosa pintura tradicional chinesa chamada “Ao longo do rio durante o Festival Qingming“. Essa pintura possui cerca de mil anos de idade e, por sua beleza, é conhecida como a “Mona Lisa Chinesa”. Para replica-la em madeira, Chunhui usou uma tora de árvore com pouco mais de 12 metros de altura, tal um prédio de quatro andares.

Vista em ângulo da escultura

Vista em ângulo da escultura

A beleza do seu trabalho simplesmente não pode ser expressa em palavras. Chunhui precisou de elevada precisão e paciência para entalhar os inúmeros detalhes de sua obra, que exibe árvores, animais, ambiente de trabalho, pontes, casas, rios, barcos, cerca de 600 pessoas maravilhosamente entalhadas em madeira, enfim, o Ambiente típico da China.

Os detalhes suaves criados pelo escultor

Os detalhes suaves criados pelo escultor

Afora a admiração de todos os que visitam a escultura, exposta no Museu do Palácio de Beijing, o escultor conquistou o recorde mundial para a mais volumosa peça em madeira jamais realizada – cerca de 12m de comprimento, 3m de altura e 2,5m de largura. Seu peso estimado está na ordem de 90 toneladas.

Um zoom diagonal nos preciosos detalhes

Um zoom diagonal nos preciosos detalhes

Ao longo dos tempos, outros artistas chineses já reinterpretaram a pintura tradicional chinesa – “Ao longo do rio durante o Festival Qingming” –, usando elementos culturais de suas épocas, ferramentas de seus tempos, mas nenhuma foi tão impressionante quanto a de Zheng Chunhui.

A travessia da ponte e o trabalho

A travessia da ponte e o trabalho

Barcos em ambiente litorâneo

Barcos em ambiente litorâneo

Vista frontal da peça de 90 toneladas

Vista frontal da peça de 90 toneladas

Ainda que nos dias de hoje Zheng Chunhui use ferramentas mais modernas para alcançar o requinte de sua arte, todos os observadores permanecem perplexos, estupefactos com sua genialidade. É simplesmente inacreditável!

Está difícil


Não temam. Mas, pode piorar muito!

Considero-me espontâneo, autêntico, visionário e muito otimista com atitudes pessoais. Procuro até mesmo descobrir o lado bom de uma eventual fatalidade ocorrida. Vivi momentos interessantes e, graças ao acaso, sem fatalidades.

Certa vez, andando pela Av. Rio Branco, vi um senhor bem sorridente, caminhando em minha direção de braços abertos. Pego de surpresa, tentei em vão reconhece-lo. De toda forma, dei-lhe um forte abraço, mesmo sem saber de quem se tratava. Ele sorriu, desvencilhou-se, agradeceu-me, e abraçou um velho amigo que vinha logo atrás de mim.

Sou assim mesmo, adoro conversar com pessoas desconhecidas. Permitam-me contar mais dois casos inesquecíveis, que mostram a parte boa de meu caráter. A ruim vocês já conhecem um pouco.

Estava no aeroporto internacional do Rio, aguardando um voo para Natal. De longe vi um amigo de costas, numa animada conversa com várias pessoas. Resolvi fazer-lhe uma surpresa. Indo em sua direção, pensava qual seria a melhor ação para surpreende-lo. Dada nossa antiga amizade, infantilmente dei-lhe um tapa na bunda!

Claro que foi uma besteira. Ele virou-se e, com muita calma, disse-me:

─ “Com certeza você bateu na bunda do meu irmão mais velho”. Foi assim que, naqueles rápidos segundos, tornamo-nos fieis amigos até hoje.

De outra feita, passando um fim de semana na cidade de Visconde de Mauá, minha mulher e eu fomos jantar numa famosa pizzaria, com forno a lenha. Era inverno e o ambiente tornava-se aconchegante.

Comentei que conhecia os dois irmãos sentados em uma mesa próxima. Um era político e o mais novo, um empresário inovador. Ambos notórios no país e mundo afora.

─ “Estão acompanhados de suas respectivas”, pensei.

Uns dez anos antes tivera uma breve reunião profissional com o irmão mais novo. E para ser cordial, num impulso, fui até a mesa que ocupavam para cumprimenta-los. Por educação, acenei também para as duas jovens senhoras. Até aí tudo bem, sorrisos à larga. Porém, a sequência foi hilária.

Olhei firme nos olhos da bela jovem que acompanhava o mais novo, talvez pensando em realizar algum trabalho para a empresa que ele dirigia, e afirmei de forma solene:

─ “Creio que nós já nos conhecemos do prédio de seu marido, lembro que a senhora avisou-me que o primeiro elevador não estava funcionado”.

E seu “acompanhante”, de testa franzida, falou de pronto:

─ “Tenho certeza que não …”.

Rapidamente interrompi sua fala e despedi-me dos quatro:

─ “É…, claro…, claro que não, evidente que nunca a vi, é isso que eu queria dizer! Tenham uma boa estada em Mauá”.

Embora os dois irmãos hajam soltado uma bela gargalhada com minha inesperada gafe, senti um estranho calor na face, prestes a se derreter pelo estúpido engano cometido: falar demais achando que seria agradável.

……….

Mas nem tudo é tão hilário na vida. Ao contrário, há dissabores que precisam ser entendidos e, quando possível, divulgados para reforçar as denúncias da imprensa.

Mantendo-me em linha – direto e autêntico – retorno ao foco principal do texto. Nesse caso, sinto ímpetos de ser desagradável com o que… Está difícil!

Pesando somente os escândalos que espocaram nos primeiros quatro meses de 2014, o cenário que o desgoverno federal serviu à mesa da sociedade civil brasileira é dantesco. Pior do que a descrição do inferno feita por Dante Alighieri, em Divina Comédia.

Cenário que constitui uma barafunda, coalhada de armadilhas plantadas em oito anos por “da Silva”, o apedeuta [1], que inventou a tresloucada “Gerenta Rebentona [2]. É difícil analisar a sequência de disparates decisórios cometidos pelo partido durante doze anos, que hoje ainda se acredita dono e senhor absoluto do Estado Brasileiro. Entretanto, é possível pelo menos dar uma ordem, ainda que aproximada, para a sequência das imoralidades.

Na quarta tentativa de eleição para Presidência da República, mas somente no segundo turno, “da Silva” foi eleito. Era o ano de 2003 e, por fim, conseguira instalar sua baderna. O chefe da Casa Civil,  automaticamente, passou a determinar as decisões de “da Silva”.

A primeira foi aparelhar a máquina pública federal, com lotes definidos para Companheiros da 1ª Classe. A segunda foi apelidar de “presidencialismo de coalizão” a mais safada oligarquia da história republicana do país. Aliás, alcunhada romanticamente pela imprensa de base aliada e não de forças do Eixo. Sem dúvida, seria mais apropriado.

Porém, nestas duas decisões pouco republicanas residiam graves conflitos. As forças do Eixo ameaçaram abandonar o navio e criar um grande vendaval, caso não recebessem as mesmas Bene$$e$ dos Companheiros da 1ª Classe.

Diante desse quadro, após ser devidamente orientado, “da Silva” decidiu “negociar” com as forças do Eixo e criar uma série de novos ministérios para cedê-los como “lotes de negócios”. Foi assim que os 39 ministérios do poder executivo foram aparelhados com os ditos cargos de confiança. Confiança em quê?!

A sensação do poder absoluto sobre Estado, Sociedade Civil e Mercado é inebriante para certos camaradas que atuam e pensam estar acima de qualquer lei. Têm-se diversos exemplos no mundo, infelizmente. Contudo, resquícios da democracia fizeram desabar o castelo de crimes políticos cometidos. O escândalo do mensalão foi denunciado pela imprensa livre, em cadeia mundial.

Parece ter havido uma coincidência numérica, pois, por ironia, alguns apelidaram o escândalo de Ali-Babá e os 40 Ladrões. No entanto, deve-se demonstrar profundo asco por esse tipo de tratamento para crimes hediondos praticados por agentes da gestão pública.

De toda forma, a Ação Penal 470 afetou seriamente a imagem da nação e de seu poder público, com reflexos bem sensíveis na relação com nações democráticas e no próprio comércio internacional.

Contudo, o mensalão deve ser tratado como “fichinha” diante da série dos graves e imorais crimes cometidos contra os ativos da Estatal Petrobras S/A. Por exemplo, as obras paradas de uma Refinaria de petróleo no Maranhão, a construção interrompida da Refinaria de petróleo em Pernambuco, o processo nitidamente corrompido da compra da Refinaria de Pasadena.

Duas coisas

Essa é uma pequena parte dos desmandos cometidos usando uma estatal. O governo federal jogou no lixo muitos bilhões de dólares em dinheiro público. E há forte impressão de que boa parte desse lixo, senão todo, esteja aterrado em contas privadas nos paraísos fiscais.

Há certeza de que o presidente da Petrobras da oportunidade, um possível responsável por este aterro, foi colocado no cargo durante o governo de “da Silva”, posto que parecem ser íntimos nos negócios.

Por fim, há absoluta certeza de que a “Gerenta Rebentona”, a criatura gerada por “da Silva”, assinou a infame compra da Refinaria de Pasadena, então na qualidade de presidente do Conselho de Administração da Petrobras.

Três coisas

Pode-se tratar de muitas outras misérias éticas e morais cometidas por agentes que lideram este partido. Todas na realização de projetos, tidos como projetos de governo. Na verdade, deviam ser revistos e, caso fossem vitais para a nação, tratados como projetos de Estado. Mas, com o uso da infraestrutura pública, foram transformados em negócios particulares.

Outros bilhões já foram jogados nos projetos da Ferrovia Transnordestina e da Transposição do Rio São Francisco. Ambos encontram-se muito acima do orçamento previsto. Mas nunca são concluídos, embora, volta e meia, façam festanças eleitoreiras para inauguração de suas obras inacabadas.

Duas características de “da Silva” causam péssima impressão ao mundo: sua arrogância e boçalidade. Quanto à “Rebentona”, há um traço de seu caráter que assusta ao povo brasileiro: sua extrema desconexão com a realidade do país e à sua volta.

……….

[1] Titulado Doctor Honoris Causa em Apedeutismo por várias universidades do mundo, hoje encontra-se escondido dentro de sua frágil cápsula de catedrático em patranhas e corrupção público-privada.

[2] Gerenta e Presidenta não existem no vernáculo português; Rebentona existe e, segundo o dicionário Priberam, também significa “negócio grave e duvidoso que está prestes a decidir-se”. Significado perfeito para o cargo.

Clínica do Ambiente


O termo Clínica sempre esteve associado à Medicina, representando o estabelecimento onde médicos de várias especialidades fazem e cobram consultas a seus pacientes. Pela essência da atividade que praticam, muitas vezes associada ao ato de salvar uma vida, parecia haver um acordo tácito que somente médicos podiam cobrar pelas consultas.

Porém, isto foi modificado faz algum tempo. Não há como precisar a data em que ocorreu a mudança, mas as consultas de hoje são extensivas a profissionais liberais de outras áreas. Engenheiros, por exemplo, são profissionais que devem cobrar pelas consultas. Até porque, projetam bem, calculam melhor, e garantem a existência de inúmeras vidas.

No dicionário Michaelis um dos significados de “consulta” generaliza o seguinte: “Atendimento que médico, advogado ou técnico dá a clientes que os consultam”. Significa dizer que deve ser natural que qualquer profissional competente cobre por uma consulta que lhe é solicitada.

Inclusive, na prática atual do mercado, verifica-se que profissionais liberais, que são técnicos em áreas específicas, passaram a cobrar para aplicar sua experiência e conhecimentos nas soluções desejadas por clientes corporativos, sejam privados ou públicos.

Como está o mercado da consultoria

Tanto na consultoria de projetos de engenharia, quanto na de estudos ambientais, o mercado brasileiro encontra-se bastante enfraquecido. Projetos de engenharia vem sendo elaborados por empreiteiras, o que é um desastre para a inteligência do setor. Estudos ambientais, por sua vez, tornaram-se “reserva de mercado” para poucas empresas consultoras, com destaque para os estudos relativos aos maiores empreendimentos.

Durante mais de uma década acompanha-se as circunvoluções negativas desse mercado. Em inúmeras conversas mantidas com sócios de empresas consultoras ouviu-se reclamações sobre atraso de pagamentos, falta de novos contratos e perda da perspectiva de um mercado efetivo, mais investidor.

Tendo em vista que a quantidade de profissionais atuantes é grande, atingindo a casa de centenas de milhares, com o estado alarmante a que chegou este mercado, há uma forte tendência de desemprego para técnicos com nível superior (especialistas e consultores).

Decerto, dada sua formação e longa experiência, somente em situações extremas aceitarão o emprego de balconista em lojas do varejo. Nada contra balconistas, mas tudo contra jogar no lixo os custos de uma boa formação e de experiências de trabalho que não têm preço!

Um novo e bom negócio

Mas, nem tudo está perdido no mercado ambiental. Visando a prosseguir atuando no mercado da consultoria, um bom time de profissionais iniciou a implantação da “CLIMA – Clínica do Ambiente”, mas sem relação com a prática da Medicina, Psicologia e áreas afins.

Já definiu algumas linhas de ação e, por ora, debate sobre o melhor modelo de negócios a ser seguido. No entanto, já demarcou o que fazer, para quem fazer e quais instrumentos devem ser utilizados, ou seja, definiu sua missão corporativa.

Missão da CLIMA

Sua missão está formulada através de dois Alvos Estratégicos que visam a resultados práticos com eficiência e objetividade.

AE-01: “Criar e formalizar uma rede nacional de especialistas para atuar na CLIMA, bem como auxiliar às empresas consultoras cadastradas na conquista de novos contratos ambientais”.

Grande parte da rede de especialistas já possui extensas relações profissionais com membros fundadores da CLIMA. A rede tende a crescer com relativa facilidade, inclusive estimulando o cadastro de empresas consultoras. Afinal, é o processo de compartilhamento de negócios que está em pauta.

AE-02: “Atender prontamente e a baixo custo às demandas de ordem ambiental formuladas por um ‘cliente perdido’.

Dois aspectos desse alvo precisam ser esclarecidos: atender prontamente e cliente perdido.

Atender prontamente significa fornecer esclarecimentos a uma pessoa, que representa uma entidade pública ou privada, para que ela possa realizar de forma segura um projeto, cumprindo com os requerimentos técnicos ambientais estabelecidos no país. Esses esclarecimentos são oferecidos em um relatório objetivo, do qual conta o diagnóstico do problema ambiental a ser solucionado e uma receita de solução. Assim sendo, trata-se de uma consulta técnica.

Cliente perdido é todo indivíduo que possui o problema ambiental, mas não sabe a quem recorrer e como deve solucioná-lo. Sempre representa uma entidade pública ou privada. Assim, um profissional da CLIMA, oferece as ações que deverá realizar, as fórmulas alternativas de realização, bem como eventual necessidade de contratação de estudos ambientais, desde que com qualidade e a custos mais baixos.

Espaço ótimo para as futuras instalações da Clínica do Ambiente

Espaço ótimo para as futuras instalações da Clínica do Ambiente

Conclusões da CLIMA

Como é possível verificar por esta apresentação, está-se a iniciar um processo de trabalho inovador. Ele tenciona aproveitar a excelência dos profissionais que já atuam ou desejam atuar no mercado consultivo e compartilhar seus resultados ambientais e monetários.

Todos os participantes devem estar interessados em garantir o Desempenho Ambiental otimizado das corporações produtivas que operam no Brasil e a consequente Sustentabilidade de seu território.

Aguarda-se seu eventual  interesse em ser participante ativo da CLIMA Network.

Animália


A violência na sociedade brasileira apresenta tendência de se generalizar. São tantos casos de agressões brutais e gratuitas, que ocorrem diariamente em cidades e campos, que podem se transformar em “comportamentos normais e aceitos”.

Parece tratar-se de outra demonstração empírica da Lei dos Vasos Comunicantes. Diferencia-se apenas por não usar líquidos ou gases (fluidos), mas atitudes tidas como humanas, porém dignas somente dos antigos povos bárbaros, que destruíam a tudo e todos por onde passavam.

Torna-se necessário relembrar como se comportam os vasos comunicantes, com uma breve revisão da Física.

Têm-se vários recipientes interligados, cada um com formato e volume diverso. Coloca-se um líquido homogêneo em qualquer um deles e vai se observar que ele se distribui pelos demais. Uma vez estabelecido o equilíbrio físico entre o líquido e seus recipientes, sua altura final será a mesma em todos os recipientes.

Esse experimento, realizado pelo físico belga Simon Stevin em laboratório, data do início do século 17, e demonstrou o que ficou chamado Teorema de Stevin.

Imagem dos vasos comunicantes

Imagem dos vasos comunicantes

Isso ocorre porque a pressão exercida pelo líquido no corpo dos recipientes depende apenas da altura da coluna d’água. Os demais fatores de cálculo da pressão (densidade do líquido, pressão atmosférica e aceleração da gravidade) são constantes para casos dessa natureza.

O experimento empírico na Nação

Os recipientes de uma nação são a sociedade civil, suas empresas (públicas e privadas) e o Estado. Em razoável medida funcionam tal como vasos comunicantes, através dos meios e sistemas de comunicação de que dispuserem. O principal fluido que esses meios distribuem aos recipientes da nação é a informação útil, prática e culta, que visa a ampliar a educação de seus cidadãos, de forma a que continuem livres.

Embora essa tese possa ser considerada utópica, há várias nações que sempre caminharam nessa direção. São consideradas as mais desenvolvidas, pela qualidade dos serviços que oferecem às suas populações.

Como é normal de se prever, podem apresentar eventuais quadros de desvio, mas que logo são devidamente sanados pelas instituições formais do Estado. Justo por isso, seus Índices de Desenvolvimento Humano [1] são os mais elevados do mundo.

Porém, o inverso também ocorre. Ou seja, através do recipiente do Estado, o governo derrama fluidos incontroláveis que são expressivos quadros de desvio, no mais das vezes sistemáticos: atos de corrupção, assassinatos políticos, desvios e lavagem de dinheiro, evasão de divisas, associações criminosas, envolvimento com tráfico de drogas, enfim, tudo de ruim que se possa imaginar.

Raras são as vezes que o Estado possui condições de impedir que esse fluido imoral nivele-se nos demais recipientes das nações acometidas pela barbárie política. Até porque ele e suas instituições encontram-se aprisionados, asfixiados.

Quando esse fluido se propaga e nivela-se no recipiente da sociedade, a educação deixa de existir, surgem revoltas, motins, vandalismos, linchamentos, insurreições, guerras civis e até “assassinato com ‘latrinada’ na cabeça”. Os casos políticos que vêem sendo vivenciados pelo mundo são inúmeros. Constituem a confirmação prática dos vasos comunicantes na sua forma mais desastrosa.

A imposição ferrenha de ideologias fundamentalistas e de dogmas quase feudais, visando a locupletação de “parceiros dentro do Estado“, constituem as mais estúpidas agressões que uma sociedade livre pode receber. O cidadão que pensar de forma diversa será duramente punido. Merecerá a forca ou será linchado em praça pública por “agentes do governo”!

……….

[1] Para quem desejar a visão mais detalhada de como foram classificados os países segundo seu IDH de 2013, segue a lista publicada pela ONU. Clique aqui.

Memórias e Futuro


Por Ricardo Kohn, Escritor e Consultor em Gestão.

Há momentos em que é essencial refletir sobre a própria história de trabalho; ensimesmar-se, e analisar se nossas memórias estão em dia. Além disso, se possível, projetá-las para o futuro, visando a refaze-las e melhorar os bons momentos. Não falo de resultados, mas de momentos que foram e são inesquecíveis.

Assim, permita-me conjecturar e falar sozinho em voz alta. Contudo, peço-lhe um especial favor: guarde bem o que entender dessas palavras e, se possível, mantenha absoluto sigilo.

……….

Desde o início da adolescência, por volta dos 13 anos, descobri na estante de meu avô uma série de livros que instigaram meu interesse pela leitura. Sozinho descobri autores como Camus, Proust, Kafka, Herman Hesse, Baudelaire e outros escritores de nível mundial. Fiquei maravilhado e tornei-me frequentador assíduo de livrarias. Queria encontrar a obra completa de cada um e, quem sabe, descobrir mais escritores do mesmo nível.

Minha fome pela literatura tornou-se tão grande que lia todos os jornais da banca próxima à minha casa.

Mais tarde, já na faculdade, no departamento de pesquisas onde estagiava, fui orientado por meu mestre a ler os autores sul-americanos. Disse-me ele: ─ “Você que gosta de escrever contos, leia Julio Cortázar e Jorge Luis Borges. São dois argentinos de primeira cepa”.

Li grande parte da obra de ambos, quase a totalidade. Sem dúvida, excepcionais em trançar o “realismo fantástico” com naturalidade! Porém, na mesma época descobri Pablo Neruda e Gabriel Garcia Márquez.

Sinto que de Neruda tenha lido pouco (“Confesso que vivi”), mas de Garcia Márquez, a menos de seu último livro de memórias,“tracei” a obra toda. Fui tão marcado por seus trabalhos que lia um livro por dia, alguns nas publicações em espanhol, acho que lançados pela Editorial Sudamerinana. Tinha a certeza de que ele receberia o Prêmio Nobel de Literatura.

Destaco, obviamente, Cien Años de Soledad. Mas acho simplesmente espetacular El Otoño del Patriarca. Se não contar com o terrorismo de Estado, imposto naquela ocasião por Alberto Fujimori ao Peru, parece-me uma sátira do Brasil de hoje. Memórias, apenas memórias…

……….

Você pode estar se perguntando: ─ “Aonde esse sujeito quer chegar”?

Vou explicar. Desde muito cedo botei na cabeça que seria um escritor, a viver exclusivamente de minhas publicações, tal como meus“íntimos amigos”, Albert Camus, Jorge Luis Borges e Gabo. Assim, venderia livros, milhares de livros para manter minha futura família.

Alguns acasos disseram-me que esse sonho era possível; dentre eles o fato de que, em 1972, haver sido classificado em primeiro lugar num concurso nacional de contos. Recordo-me que a poetisa Stella Leonardos, membro da banca do concurso (“membra” não existe!), escreveu uma frase na 1ª página do conto vencedor e assinou embaixo:

─ “Bravo Zik! Eis um escritor de talento! – Para finalista”.

Fiquei bastante emocionado ao ler suas palavras. Embora, nem tanto com relação ao prêmio monetário recebido, e sim pelo que senti como primeiro reconhecimento de minha capacidade de escrever, de tornar-me escritor.

Meu avô acompanhou-me na cerimônia de premiação do concurso, realizada na Academia Brasileira de Letras. Lembro que ele estava bem mais emocionado do que eu. Vi-lhe os olhos a marejar e tremi sobre as pernas. Memórias, apenas memórias…

……….

Dez anos após esse acontecimento, em 1982, finalmente consegui editar um livro de contos, que intitulei O Lapidador. Mesmo assim, não fora a empresa em que então trabalhava assumir os custos na edição, bem como as ações de meu saudoso amigo Oliveira Bastos (jornalista) que, como disse à equipe do jornal que então dirigia, “não quero uma reportagem sobre o Ricardo, quero um escândalo na primeira página!”, sei não…

O Lapidador foi lançado com sucesso em Brasília, onde então morava, e depois no Rio, onde cresci. Com a inestimável ajuda de Oliveira, em Brasília consegui um excelente espaço para o evento: a área da piscina no melhor apart hotel da capital. No Rio, contando com o apoio de dois jornalistas indicados por Oliveira, o evento aconteceu na antiga livraria Xanan, Shopping Cassino Atlântico.

O Lapidador - lançamento em Brasília. Com Caio Marini e Marcelo Motta.

O Lapidador – lançamento em Brasília. Com Caio Marini e Marcelo Motta.

Redigi com muita emoção pouco mais de 1200 dedicatórias nos dois lançamentos! Mas foi dessa forma que fiquei diante de um grave impasse. Como conciliar o horário programado de trabalho com o imprevisível horário da criação literária? Como substituir a quase certeza da remuneração do trabalho pela dúvida da aceitação de um novo autor literário? Memórias, apenas memórias…

……….

Mesmo que gostando de correr riscos – dizem que sou temerário –, o acaso permitiu-me sair do impasse. Pedi demissão da empresa de Brasília, pois recebera em 1986 convite para retornar ao Rio e trabalhar em planejamento ambiental.

Estudei bastante para compreender as coisas básicas da Ecologia. Sobre metodologias de planejamento já havia aprendido e praticado o suficiente. Logo comecei a fazer anotações acerca do que lia e a redigir o que chamei de modelos ambientais. Por sinal, foram adotados nos estudos que realizávamos pela empresa. Em quase três anos (1989), meus manuscritos já somavam 1.215 páginas. “Falta apenas um título para se tornar um livro técnico”; confesso que fui imodesto ao pensar sobre a pilha de papel em cima de minha mesa.

De toda forma, mesmo a correr certos riscos acadêmicos, reuni poucos amigos de trabalho e fizemos o Batismo Pagão da pilha, chamando-a de MAGIA – Modelo de Avaliação e Gestão de Impactos Ambientais. Senti-me novamente escritor.

Na época ainda não existia a internet. Assim, para divulgar que o MAGIA nascera, a princípio teria que enviar cartas, ofícios e gastar telefonemas urbanos e interurbanos. No entanto, meu modelo particular de planejamento disse-me que devia limitar os contatos, de preferência realiza-los pessoalmente, com foco nos principais formadores do opinião do mercado. E, a meu ver, todos eles eram acadêmicos – professores, pesquisadores e cientistas.

Acho que deu certo. Fui convidado para fazer palestras sobre o MAGIA em diversos estados e universidades. Tinha-o bem organizado em um classificador cinza, mais pesado que um notebook, contendo as metodologias manuscritas para estudos ambientais. Posso dizer que passeei pelo Brasil portando o MAGIA a tiracolo.

Mas foi em São Paulo que dois papers de palestras que proferi tornaram-se capítulos do livro Análise Ambiental: Uma Visão Multidisciplinar, editado pela UNESP – Universidade Estadual Paulista, Campus de Rio Claro, em 1991. Ganhei honras e louvores de um professor da USP, que disse em uma publicação crítica que “o ponto alto do livro era o capítulo dedicado a Equívocos e Propostas para a Avaliação Ambiental”. O querido professor só cometeu um pequeno engano: chamou-me de economista.

Após realizar uma conferência no 1o Congresso Brasileiro de Análise Ambiental, UNESP, também no Campus de Rio Claro, apresentei meu primeiro livro solo: Gestão Ambiental – Os Instrumentos Básicos para a Gestão Ambiental de Territórios e de Unidades Produtivas. A obra foi editada e lançada pela ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, em 1994.

Pela terceira vez, e sempre graças à dedicação profissional do Prof. Miguel Petrere Jr., a UNESP de Rio Claro incorporou o texto de minha conferência – Metodologias para a Sustentabilidade Ambiental – como capítulo de seu livro-proprietário, Análise Ambiental: Estratégias e Ações, que foi lançado em 1995.

A partir deste ano, com o país em polvorosa pela implantação do Plano Real, decidi adormecer o escritor e sua pena. Dediquei-me com unhas e dentes à empresa de que era sócio-diretor. Mas, oito anos depois, em 2003, com o país sob o comando do “Persistente da República”, nossa empresa entendeu que já era hora de simplificar o sistema de licenciamento ambiental existente, visto como grave ameaça a investidores produtivos, sobretudo os internacionais.

Cometemos bons gastos visando a democratizar a participação cidadã da sociedade civil, mas, afora o pequeno patrocínio de uma petroleira norte-americana, não obtivemos sequer uma moeda para o fórum de debates que desejávamos realizar.

Assim, achei que devia despertar o escritor para redigir mais um livro técnico: SLAN – Sistema de Licenciamento Ambiental Nacional: é possível. Apesar de possuir um texto monocrático, foi lançado em fins de 2003, na sede da Fundação Getulio Vargas. Devo dizer que, além de ser prefaciado pelo Prof. Paulo Nogueira-Neto, o fundador do setor ambiental brasileiro, não houve qualquer esforço para divulgar o livro, pois foi um trabalho muito específico.

Lançamento do SLAN. Com Bianor Cavalcanti, Diretor Internacional da FGV

Lançamento do SLAN. Com Bianor Cavalcanti, hoje Diretor Internacional da FGV

Do ponto de vista objetivo, o SLAN não rendeu qualquer resultado prático para a melhoria do processo de licenças ambientais no Brasil. Entretanto, por fruto do acaso, em fevereiro de 2004, graças a este livro, recebi convite do Ministério do Ambiente e do Território da Itália para participar do International Forum on Partnerships for Sustainable Development, realizado em Roma, com despesas pagas pelas Nações Unidas. Obviamente aceitei passar uma semana em Roma e ser remunerado para isso! Mas são memórias, tão-somente memórias…

……….

Fazendo uma parábola, diria que estava eu com um pequeno puçá a caçar borboletas, bem distraído, quando caiu-me ao colo uma Águia Real. E agora, o que faço com ela?

Não é suficiente contribuir para evolução da ciência e da tecnologia somente com memórias. Mas também não é necessário elaborar um livro que seja uma Águia Real, basta ser uma Harpia.

Após rever algumas construções seculares do Império Romano, retornei da Itália com uma ideia fixa: como se pode conceber novos modelos capazes de fornecer mais funções e operacionalidade aos modelos primitivos do MAGIA?

E a resposta surgiu intuitivamente: ─ “Decerto, será mais simples do que reconstruir Roma. Um bom desafio para o futuro”.

……….

Estimulado pelo Prof. Antônio Carlos Beaumord, convidei amigos de longa data, especialistas em várias Ciências do Ambiente, para trocarmos ideias sobre como estruturar um livro técnico- acadêmico, sobretudo para oferece-lo a milhões de universitários brasileiros.

Após mais de cinco anos de trabalho, estava concluído o livro Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão. Conseguir sua edição no Brasil foi uma guerra. Porém, por força de uma palestra que fiz para universitários de um curso de Engenharia Ambiental, um dos professores que compunha a mesa de palestrantes indicou o livro para uma editora que há muito se dedica a livros acadêmicos.

Mais uma vez a sorte esteve a meu lado. No mês passado assinei contrato de edição do livro com a Editora LTC – Livros Técnicos e Acadêmicos. Há previsão de ser lançado em setembro ou outubro desse ano.

Por fim, quero agradecer ao Professor e Consultor internacional em Gestão Pública, Caio Marini, que leu meus manuscritos e declara na apresentação do livro:

Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão é exatamente isto: um manuscrito com quase 700 páginas, organizado em 18 capítulos, contendo metodologias técnicas para a prática da gestão e um estudo de caso sobre o Planeta Terra.”

Apresenta inovações tecnológicas e doses benevolentes de inteligência e criatividade. Propõe ao leitor ser o Caminho, a Orientação, o Tao da Sustentabilidade. É acessível, mesmo aos mais leigos nas práticas ambientais, dado que é racional e lógico.

Cria um clima bastante favorável para ser lido e estudado. Possui exercícios ao fim de vários capítulos, oferece diversos exemplos em variados cenários. Demonstra-se como quase universal, conceitualmente falando.”

Se não existissem memórias, este livro não poderia ser escrito. Por isso, espero que essa obra faça parte do futuro.

Quem sabe agora não retornarei aos contos ou até mesmo enfrentarei o desafio de escrever um romance. Memórias não faltam.

Quebra do silêncio


Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior

Zik Sênior

Não consigo ficar calado. Inda mais diante das ações da súcia política que arrota comandar o país, embora haja perdido todas as estribeiras. Encontra-se sem norte e prossegue cega, canais de esgotos adentro. Arrasta consigo o país, num flagrante ato de política escatológica. Para quem não sabe, Escatologia é uma parte da filosofia que trata de excrementos, do fim dos tempos humanos.

A maioria do povo – como dizem – “não se manca”, parece feliz e emocionada ao ser furtada de forma sistemática!

Eu sou de outro tempo. Do tempo em que ruas e vielas eram iluminadas por lampiões a gas, pendurados bem no alto dos postes.

Vistos de hoje, um século depois, sinto que era um cenário muito poético: um a um, lampiões a serem acendidos por pessoas de trajes escuros, funcionários públicos de pouca fortuna, mas nem por isso sem honra e dignidade.

Alguns faziam-lhes provocações, chamando-os de vagalumes. Mas eles sequer respondiam, pois estavam orgulhosos com seu simples ganha pão. Afinal, não era pouco acender a luz da cidade.

Hoje esses costumes estão degradados; o cidadão honrado e digno é tratado pelo governo (e seus asseclas semeados pelo país) como um idiota contumaz!

Não quero permanecer calado. Sob meus 105 anos (completados ontem), não me lembro de ter visto o país tão abatido como agora. Durante o século 20, resguardado pela solidão, convivi com ecos de duas guerras mundiais, com efeitos de várias tentativas de golpe de Estado, violentos períodos ditatoriais, com governos insidiosos e populistas.

Pequena Pasárgada

Pequena Pasárgada

Enfim, consegui atravessar muitas situações difíceis. Mas, neste início do novo século, estou abismado com o que assisto no país. Fico assustado como quando era criança.

Para refletir melhor, leio poesias de Manuel Bandeira, sobretudo em Libertinagem. Mas concluo que temos tido“reis libertinos” no retrocesso ao atual Império do Brasil. É o que vejo concretamente neste nosso país!

Não posso ficar ausente, tenho que quebrar o silêncio. Já construí minha “Pasárgada”, rego-a todos os dias. Mas nunca serei “amigo do rei”!

Governança do Ambiente


Este texto é um esboço empírico-conceitual. Portanto, encontra-se aberto a críticas. A única proposição do autor é receber comentários para, quem sabe, reelaborar e melhorar as proposições nele contidas.

O ensaio teve como premissa que a Governança do Ambiente deve resultar do processo da Governança Corporativa, ou seja, ser uma ideia dela derivada. No entanto, sem assumi-la como dogma ou mito, mas somente uma democrática e efetiva ferramenta para a gestão.

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Parte-se de uma questão que se considera primordial: ─ “Qual o mais importante e mais rico patrimônio de uma nação?

Há diversas respostas para esta pergunta, muitas delas fundadas em bons argumentos. Por exemplo, a cultura duramente construída pelo povo constitui o patrimônio riquíssimo da nação. Quem tiver dúvida, observe o que sucede na sua ausência.

Outro exemplo: desde que intrínsecos a seu povo, os princípios da moral e da ética de uma nação também constituem excepcional patrimônio a ser ressaltado e protegido.

Por fim, tomando a China como o caso mais singular do planeta, o vertiginoso crescimento econômico, com PIB disparando a taxas formidáveis, também pode ser visto, pelo menos por parte do Estado chinês, como o mais rico patrimônio nacional até então alcançado.

As respostas são inumeráveis. Porém, é provável que em sua maioria sejam relacionadas às ações do indivíduo. Isto é, repostas restritas ao espaço antropogênico. E não há dúvida que os espaços contidos no planeta Terra são bem maiores do que isso.

Dados básicos sobre o Planeta

A superfície total da Terra é da ordem de 510 milhões de km2. Cerca de 71% desta área é recoberta por água salgada. São os oceanos – Ambiente Oceânico –, ainda pouco conhecidos pelo Homem, por ele ser um elemento da biota primitiva com aptidão sobejamente terrestre.

Dos 21% restantes – Ambiente Terrestre –, estudiosos da dinâmica do uso e ocupação do solo, estimam que as áreas urbanas ocupem hoje entre 2 e 3% do Ambiente Terrestre, com tendência de expansão, sobretudo nos países ainda não propriamente desenvolvidos.

Ambiente que pode ser urbano

Ambiente que pode ser urbano

Destinadas a atividades agropecuárias – culturas e pastagens permanentes –, são estimadas áreas equivalentes a cerca de 32% do Ambiente Terrestre, com necessidade de ampliação, visando a alimentar os seres vivos em geral – o Homem e a Fauna.

Por outro lado, as áreas com cobertura vegetal – florestas, matas, savanas, pradarias, etc. – estão na ordem de 30% do Ambiente Terrestre, com possibilidade de expressiva redução por força de atividades humanas.

Para as finalidades deste ensaio não foi necessário destacar as áreas industriais do Ambiente Terrestre, bem como outros usos do solo existentes. Todos estão tratados de forma genérica como usos antropogênicos do solo.

A tabela abaixo sintetiza os números de interesse [1].

Uso do solo no Planeta

Os números mais dinâmicos desta tabela, relativos aos variados usos do Ambiente Terrestre, são gerados por atividades produtivas ocorrentes em todas as nações do planeta, as quais dependem das dimensões e características do Ambiente Oceânico e Terrestre de cada nação.

Parece ser nítido que essa afirmação é bastante lógica e óbvia. No entanto, resta saber de quais atividades resultam efeitos benéficos sobre cada nação e quais, ao contrário, geram a anorexia gradativa de seus espaços físico, biótico e antropogênico.

Para unificar a visão dos leitores, segue o conceito adotado para Ambiente (também chamado esquisitamente de “meio ambiente”):

É qualquer porção da biosfera que resulta de relações físicas, químicas, biológicas, sociais, econômicas e culturais, catalisadas pela energia solar, mantidas pelos fatores ambientais que a constituem (Ar, Água, Solo, Flora, Fauna e Homem). Todas as porções da biosfera são compostas por distintos ecossistemas, que podem ser aéreos, aquáticos e terrestres, bem como devem ser analisados segundo seus fatores físicos, bióticos e antropogênicos” (Kohn de Macedo, R., 2014[2]).

Verifica-se que, de acordo com esta definição, Ambiente pode ser todo o planeta, um canteiro de plantas ou até mesmo uma simples gota d’água. Dependerá da abordagem que se deseja para sua análise e do conhecimento que se deseja de seus elementos constituintes: serão cordilheiras alpinas, espécies endêmicas da flora ou micro-organismos?

De toda sorte, pelo exposto, acredita-se que a questão primordial ─ “Qual o mais importante e rico patrimônio de uma nação?” ─ deve ser respondida da seguinte forma:

─ “O patrimônio fundamental, mais rico e importante de qualquer nação, é seu Ambiente. É de seus elementos constituintes que gestores públicos e privados se utilizam para, em tese, construir o melhor habitat preferencial do ser humano”.

Porém, com essa resposta, surgem aspectos que demandam análise. Por óbvio, o Ambiente de cada nação é restrito em seus limites físicos e possibilidades de uso, mas há casos extremos que merecem uma análise comparativa, pelo menos com base nas variáveis ambientais constantes da tabela – áreas urbanizadas, área de agropecuária e áreas vegetadas.

Japão e Brasil

Há países situados em áreas sujeitas a eventos ambientais que geram catástrofes humanas, possuem território reduzido, cobertura vegetal parca e entremeada por rocha, bem como solos pouco próprios para a agropecuária. Vários deles situam-se no Ambiente do Círculo de Fogo do Pacífico. Mas considera-se o Japão como exemplo da pobreza ambiental: um país insular, com Ambiente de 377.873 km2, extremamente vulnerável, a sofrer terremotos diários.

Contudo, no outro extremo, existem países que esbanjam a força quase ilimitada de recursos naturais disponíveis em seu vasto Ambiente. Possuem imensas manchas de solo ricas em nutrientes e próprias para a agricultura e pecuária; densa cobertura vegetal, com biomas que se multiplicam em abundância e diversidade de espécies vegetais. Não há dúvida, de que o Brasil é um excelente exemplo planetário de riqueza ambiental.

Com área territorial de 8.515.767 km2, dentro do Brasil caberiam 22,5 territórios (ambientes) iguais ao do Japão. Entretanto, em 2012, segundo dados divulgados pelo FMI e pelo Banco Mundial, o PIB Japão foi mais que o dobro do PIB Brasil. Como esse fato pode ser explicado em um mundo que se encontra globalizado?

A tese do Ambiente

Há várias formas de explicação desse fenômeno. Mas optou-se pela seguinte linha lógica: a ciência e a tecnologia mais evoluídas são função direta das dificuldades de viver no Ambiente de cada nação. Ou seja, é o Ambiente que estimula a criação da Ciência em cada país. O aparato tecnológico mais sofisticado e relevante resulta da imposição de ter que sobreviver em Ambiente adverso.

Isso é fato desde a origem do gênero Homo na Terra, a cerca de 2 milhões de anos passados. Dentre as sete ou mais espécies do gênero, a única sobrevivente ganhou a alcunha científica de Homo sapiens. Talvez haja sido por sua capacidade de adaptação ao Ambiente em que vivia, certamente bastante adverso diante das ferramentas de que dispunha.

Nas nações em que as condições do Ambiente ameaçam ao Estado, à Sociedade Civil e ao Mercado Corporativo, os atores mais preocupados em financiarem soluções são investidores, tanto do ponto de vista das ciências essenciais, quanto das tecnologias delas derivadas.

Porém, em nações onde a fartura do Ambiente encontra-se no quintal do cidadão – que lança um grão de milho ao solo e logo cresce um milharal –, as perspectivas do desenvolvimento científico e tecnológico podem ser adiadas ad aeternum. Na maior parte das vezes, a evolução científica fica a cargo de poucos cientistas renitentes, mesmo sabendo que serão raros os atores dispostos a financiar seus experimentos e pesquisas.

É justamente como função desse extremo contraste ambiental, que líderes de Estados menos aquinhoados, junto com corporações privadas, apostam em fortes investimentos nas ciências que essenciais à sua sobrevivência. É comum que nessas nações aconteça o total suporte da sociedade civil organizada, acrescida da iniciativa espontânea de seus cidadãos.

A Governança do Ambiente

Constitui uma proposta empírica para nações bem dotadas de bens ambientais, quase “eco-potências”, mas que decerto ainda não sabem como proceder seu desenvolvimento de forma estabilizada. Serve também para os povos que são “vítimas permanentes” do subdesenvolvimento.

Porém, há três premissas essenciais a serem atendidas pela nação que pensa em implantar a Governança do Ambiente, a saber:

  • Ela é realizada por agentes democráticos, liberais e independentes, quais sejam: (i) a Sociedade civil e suas instituições cidadãs (não-governamentais e apolíticas); (ii) o Mercado produtor e consumidor, através de corporações produtivas e entidades que lhes são próprias; e, por fim, (iii) o Estado, por meio do governo e suas instituições públicas apropriadas.
  • É imprescindível que gestores públicos e corporativos possuam acurado domínio das técnicas da gestão ambiental e da sustentabilidade, tanto em seus processos públicos, quanto em seus negócios privados, respectivamente.
  • Todas as escolas públicas e privadas, desde o nível básico do fundamental até o limite máximo do nível superior, precisam oferecer educação plena de elevada qualidade.

O atendimento gradativo a essas premissas, de forma séria e responsável, pode aumentar a confiabilidade na nação, tornar seus processos ambientais transparentes e monitoráveis, desenvolver técnicas próprias de gestão e elevar os níveis de educação da sociedade civil. Por sinal, fator indispensável a qualquer tipo de governança.

Como resultado positivo, embora indireto, espera-se expressiva redução de atos ilegais que podem ser ordinariamente cometidos por qualquer agente ativo. Sobretudo, em nações que possuam governos autocráticos e sejam menos nutridas da moral e da ética públicas.

Para executar a Governança do Ambiente

A criação de um Conselho de Governança é básica. No entanto, precisa ocorrer uma inversão de posturas entre seus agentes, pois um deles falará ao Conselho em nome do Ambiente da nação. Assim, essa prática cabe às instituições da Sociedade Civil, com suporte das empresas e instituições privadas que compõem o Mercado.

As ações do Conselho visam à manutenção da Sustentabilidade do Ambiente da nação, bem como a garantia da qualidade do Desempenho Ambiental das empresas que constituem seu Mercado produtor. Dessa forma, cabe ao Estado a aprovação das normas legais que garantam a sustentabilidade e o desempenho ambiental adequados, conforme definidos e requeridos pela Sociedade Civil.

Por fim, cabe ao Conselho de Governança as ações de fiscalização no uso das normas legais aprovadas, ficando fora de qualquer votação o agente fiscalizado.

As atividades e processos do Conselho podem ser assim sumarizadas;

  • Elaboração conjunta da agenda ambiental da nação, visando ao curto, médio e longo prazos. Portanto, trata-se da definição de alvos estratégicos, táticos e operacionais.
  • Identificação das partes interessadas na execução da agenda aprovada, onde são identificadas aquelas que poderão ser parceiras na realização de planos, programas e projetos ambientais estruturantes.
  • Implantação da agenda e de sistema para sua monitoração, operando na internet sem qualquer obstáculo para acesso, permitindo o controle dos alvos da agenda, bem como de seus planos, programas e projetos ambientais.
  • Por fim, a avaliação dos resultados alcançados e ajustes dos desvios encontrados, para atualizar a agenda inicialmente concebida.

Como em qualquer processo de Governança, cabe à Sociedade Civil e ao Mercado o controle das ações ambientais promovidas pelo Estado, de forma a legitima-las ou não, em acordo com a agenda aprovada. O Governo precisa ser transeunte, sem gorduras monetárias e submisso aos interesse da sociedade e do mercado que ela constrói.

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[1] Os valores constantes da tabela estão arredondados, uma vez que para efetuar considerações acerca de cada uso do solo somente interessam suas ordens de grandeza relativas ao Ambiente da Terra.

[2] Kohn de Macedo, R., Ambiente e Sustentabilidade – Metodologias para Gestão, Rio de Janeiro, RJ, Editora LTC – Livros Técnicos e Científicos, GEN – Grupo Editorial Nacional, 702 pg., 1ª edição. 2015. Em processo de edição, com lançamento previsto para junho próximo.