Vandalismo nacional


ou “Salve-se quem puder!”

Por Zik Sênior

Zik Sênior

Zik Sênior

Visto do espaço, em suas linhas gerais, o Brasil é um país habitado por beócios de 4ª classe, governados por vândalos de 1ª classe. Esse é o cenário que se descortina ao início do feliz ano novo de 2014: beócios manipulados por vândalos, a troco de nada.

Enquanto isso, os vândalos de 1ª classe têm certeza de que permanecerão no poder por pelo menos mais quatro anos (mas sonham com 4 décadas). Isso se, até lá, o Brasil ainda sobreviver à sua sanha destrutiva, tal hienas esfomeadas diante de um apetitoso bucho apodrecido.

A armadilha montada

Constituem o núcleo duro da 1ª classe ex-dirigentes e alguns dos mensaleiros que cumprem pena em penitenciárias e se auto classificam “consultores”. Para eles basta ter acesso a um telefone para fazer consultorias milionárias.

Membros subalternos, selecionados na caterva, montam a logística que satisfaça à clientela dos consultores. Para isso, possuem gigantescos propinodutos que cortam os subterrâneos do planeta e deságuam com segurança (?) em “instituições financeiras paradisíacas”.

No entanto, os membros da caterva são operacionais, meros cumpridores de ordens. Não têm livre arbítrio e nada decidem. Venderam-se aos consultores em troca de cargos públicos mais elevados e, de vez em quando, percebem benesses em dinheiro e até mesmo a salvação da prisão. Diz a mídia que o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, foi uma maquinação de vários vândalos de 1ª classe, mas coordenado por um caterva especial que foi blindado, função de ter o domínio de informações classificadas sobre objetivos e ações da 1ª classe.

Mas ainda há outra classe de personagens com relativa importância, que nem são consultores ou caterva operacional. Tratam-se dos “espasmos da 1ª classe”. Habitam no seu limbo, na favela moral de sua periferia. São ignorantes, mas responsáveis por realizar as tramas dos consultores.  São sempre temas prontos para criar litígio e dividir as forças que consideram adversárias. Essas tramas visam a gerar discórdia nacional, mas têm forte apelo na mídia. Desta maneira os espasmos dão suporte às ações dos consultores, sempre com posturas populistas, demagógicas e arrogantes.

Em síntese, a atuação dos espasmos se resume em criar conflitos com a opinião pública, com o uso de informação falsa. Todavia, para serem selecionados, precisam possuir traços físicos que convençam aos beócios de 4ª classe que não se tratam de patranheiros, a saber:

  • Cândida expressão facial, próxima a de uma freira;
  • Rosto sem maquiagem quando dão entrevistas;
  • A portar óculos da intelectualidade, que lhes forneça aparência de credibilidade;
  • Olhar fixo no espaço longínquo, a denotar que dominam as complexidades sociais; e
  • E, quando possível, ter corpo bem magro, tal como os milhões de brasileiros que não se alimentam da forma suficiente há pelo menos um mês. Acreditam que isso lhes dá certa empatia com os miseráveis que ganham o bolsa-esmola.

Por tudo isso, no cerimonial da 1ª classe, os espasmos são tratados por “tadinhas”. Embora tenham sonho de crescerem e, algum dia, tornarem-se elementos da caterva, continuam improdutivos. Em algumas situações são promovidos a ministros de estado, mas continuam a “enrolar as massas” e são apenas usados para legitimar as tramas da 1ª classe, nada mais.

Em suma, esse bando organizado – 1ª classe, caterva e espasmos –, acredita piamente que, por longos anos, ainda permanecerá vandalizando a nação em seu próprio benefício.

Mensaleiros, assessores e mensalistas

Na oportunidade do julgamento da ação penal 470, o juiz relator classificou as quadrilhas envolvidas para facilitar sua argumentação e dar lógica ao raciocínio. Por sua vez, a imprensa brasileira universalizou-as. Chamou a todos os réus simplesmente de “mensaleiros”.

Nesse registro, os réus estão classificadas em três esferas, que são distintas mas complementares, a conformar um único bando de vigaristas:

  • Mensaleiros – aqueles que planejaram e executaram desvios do erário público, por interesses pessoais em obter mais poder para vandalizar o estado;
  • Assessores – “contratados” por mensaleiros, coube-lhes estabelecer a arquitetura dos desvios e os agentes financeiros e publicitários necessários para esconde-los; e
  • Mensalistas – aqueles que se venderam aos desígnios políticos de mensaleiros, porém livres para não aceitar propostas ou denunciá-los, o que, afinal, fez eclodir a maior ação penal da história brasileira.

Se essa classificação estiver correta, os mensaleiros foram a alma de todas as articulações. Porém, assim como os mensalistas, receberam as menores penas de prisão. Coube aos assessores pagarem a maior parte da conta, com penas de até 40 anos em regime fechado. Parece que determinados juízes do Supremo não notaram que eles foram meros acessórios na armadilha montada, algo como mais dois air bags no veículo da corrupção.

Seriam manobras legais?

Chegou-se ao cúmulo de um mensaleiro criar uma página na internet para “recolher doações” visando a pagar a multa determinada pela justiça! A imprensa conta que ele alugou uma casa em Brasília para cumprir sua prisão em regime aberto. E, ao que tudo indica, em dez dias já recebeu de beócios e vândalos menores mais do que o necessário para quitar sua multa (algo em torno de R$ 600 mil). O excedente decerto servirá para pagar as despesas de aluguel e alimentação de sua nova casa. Isso é patético!

Caso a justiça brasileira determinasse que todos os atuais presidiários 1ª classe devolvessem ao Estado o produto do roubo, eles são tão hediondos que é possível que abrissem páginas para captar mais “doações de íntimos beócios brasileiros”.

Mas muito cuidado, senhores beócios! Além de estarem a jogar seu próprio dinheiro na lixeira, o que é uma decisão pessoal, poderão incorrer em crime de cumplicidade, que é uma questão da justiça pública. O prêmio de cadeia em regime fechado do beócio poderá ser o resultado mais óbvio.

Todavia, como uma pronta-resposta da 1ª classe, já há os que pensam em criar “debêntures penitenciários”. Permitirá aos ladrões públicos arrecadarem “fortunas honestas” pela Bolsa de Valores. Afinal, para corruptos políticos, nada melhor do que vender suas cotas de corrupção produtiva, pois não desejam ser os majoritários em uma eventual derrocada nacional.

Mesmo havendo muito mais a narrar, encerro aqui esse registro, sabendo que, desgraçadamente, muita água ainda há de rolar para bolsos escusos.

Todavia, também tenho uma notícia alvissareira: nosso blog vai criar uma página para receber doações de pessoas cultas, honestas, democráticas e politizadas, de forma a continuar com seu trabalho e aumentar a equipe de redatores. Quem sabe se no ano de 3014 já não terá conseguido arrecadar a ínfima quantia de SUR$ 1.000,00?  O Surreal, a futura moeda inflacionada a circular no Rio de Janeiro e, quem sabe, em todo Brasil.

Desastres e tragédias


Resta saber como, porque e quando…

Faz pouco tempo que clima, flora e fauna tiveram sua existência descoberta pelo homem e ganharam destaque em canais a cabo internacionais. Alguns transmitem bons documentários, trazendo imagens de campo com forte apelo científico. Dentre eles, destacam-se os que têm bons narradores, que conhecem bem a matéria e convidam experts para explicar como podem se comportar esses fatores ambientais.

Embora com menor frequência, há ainda canais a cabo que trazem entrevistas com notórios cientistas. A diferença é que tudo acontece dentro de uma sala refrigerada, típica do habitat humano. Dessa forma, há debates que iluminam as ideias daqueles que as assistem, desde que o mediador fale menos do que os cientistas. E isto nem sempre ocorre.

Recentemente assisti a uma entrevista em um canal a cabo nacional. Dois especialistas foram convidados e, apesar de não simpatizar com o mediador – um incômodo grilo falante –, assisti às explanações dos cientistas até o fim.

O pano de fundo da entrevista foi, outra vez, desmatamento no Brasil, aquecimento global antropogênico (aquele causado pelas atividades humanas) e desastres naturais.

Sobre desmatamento e aquecimento global creio que já falei bastante neste blog. No entanto, sobre desastres e tragédias naturais ainda não me detive o suficiente. Considero-os um grave desvio conceitual e, sobretudo, um erro crasso na análise entre causa e efeito. Por isso, dou-lhes “zero, nota zero!”, pois desconhecem o Postulado da Causalidade.

Desastre humano com tragédias

Desastre humano com tragédias

Explico

Todos os presentes afirmaram com clareza que ocorrem desastres e tragédias naturais, como se a dinâmica do espaço natural (ou Ambiente, ou Natureza) fosse a causadora da destruição de casas, prédios, vias urbanas, cidades e causasse a morte de pessoas.

Para o Postulado da Causalidade é necessário que existam e sejam explicados os processos de causalidade entre os eventos da dinâmica ambiental. Assim sendo, alguns requisitos são importantes para seu entendimento pela visão científica:

  • Eventos causais originais – identificar as causas da transformação ambiental.
  • Correlação entre os eventos – as causas precisam se correlacionar com efeitos ocorrentes e previstos.
  • Variáveis intervenientes – identificar e avaliar os processos ou decisões que possam aumentar ou reduzir a correlação entre os eventos considerados.
  • Ordem dos eventos – as causas precedem no tempo os efeitos ocorrentes e previstos.

Aplicando essa lógica, não é difícil compreender o elevado risco a que se submetem pessoas que moram em casas, ruas e cidades próximas a vulcões. Não temos esse risco graças à Geologia, pois no Brasil todos parecem estar extintos.

O mesmo acontece com aqueles que habitam em vales, entre encostas por onde as chuvas são drenadas. Em casos de grandes tempestades, sem dúvida, a água “lavará a tudo e a todos”, decerto com prejuízos e mortes. Da mesma forma, os que habitam áreas íngremes de vertentes, onde se encontra a maioria das favelas do Rio. Os riscos são os mesmos. Hei! Autoridades, vocês nunca se mancam?!

Assim, vê-se que a natureza não promove desastres ou tragédias. Apenas o Ambiente do planeta, pré-existente ao Homem, vez por outra apenas dá “sacudidelas de acomodação”, sem se preocupar com o que está em cima dele, o que é natural há milênios.

Dessa forma, o que ocorre realmente são desastres humanos seguidos de tragédias, posto que são causados pela pretensão do homem em ignorar o poder da transformação espontânea do Ambiente do Planeta. Segundo estudiosos, essa transformação sistemática acontece há pelo menos 4,54 bilhões de anos.

Sendo assim, sugiro “um pequeno Big Bang de atenção” para os que desejarem um imóvel bem localizado e, sobretudo, seguro de eventos ambientais elementares.

Visita inesperada


O novo dilúvio mundial.

Estava num bate-papo animado com o engenheiro Lima, em seu apartamento. Falávamos sobre assuntos aleatórios: computador, conexão wireless, política em geral, promessas de santa carochinha, “dis-putas eleitorais” e atos de corrupção, quando o toque da campainha nos fez parar.

Pelo olho mágico viam-se três senhoras muito bem trajadas, todas com idade mais avançada. Não pareciam ser vendedoras e, caso o fossem, o porteiro não as deixaria entrar.

Lima abriu a porta e as cumprimentou. Como não as conhecia, ficou um pouco confuso em como deveria saudá-las, mas saiu-se bem.

─ “Boa tarde, em que posso ser útil?”, disse ele.

Notei que as três carregavam às mãos um livro grosso, com capa de couro escuro, e escritas gravadas em dourado.

A mais audaz respondeu:

Somos moradoras aqui do prédio e temos uma proposta para fazer ao senhor… Aguardou a resposta.

─ “Pois não, senhora, qual é a proposta?”, disse Lima gentilmente.

Brandindo seu livro no ar, respondeu a ele com uma atitude grave que lhe franziu o cenho:

Estamos à beira de um novo dilúvio no mundo. Fortes ventos, maremotos, raios e trovões, chuvas e enchentes causarão destruições nas cidades e a maioria das pessoas morrerá afogada no mar da vergonha. Porém, os Adventistas do Sétimo Dia irão sobreviver, sempre com a missão de reconstruir o mundo. Nós contamos com a boa vontade do senhor…, qual é mesmo seu nome? …

O Grande Dilúvio

O Grande Dilúvio

─ “Pode me chamar de Lima, é assim que todos me conhecem”.

Lima já estava impaciente por dois minutos de conversa com a senhora bem trajada. Decerto, creio eu, pensava o que aconteceria se as três falassem ao mesmo tempo.

A senhora falante, por sua vez, suava na testa, nas axilas e ficou sem ar após proferir o palavrório decorado. Parecia existir um tele-prompt engastado na traseira do livro e ela desembestava a ler o texto.

─ “Não entendi, contam comigo exatamente para o quê?”, indagou Lima assustado.

Nós nunca nos falamos, seu Lima, mas sabemos de sua distinção, de seus interesses, moramos nesse mesmo prédio e…

Mas Lima a interrompeu, enquanto ela continuava a brandir o tal livro:

─ “Senhora, por favor, sem rodeios. Eu estava ocupado e fui interrompido para escutar coisas que não fazem nenhum sentido para mim. Ora! Um novo dilúvio a afogar a população… É possível ser mais direta? Diga o que quer.”

A senhora ficou nervosa e elevou a voz:

Pois bem, vim lhe convidar para ser mais um Adventista do Sétimo Dia e ajudar-nos a salvar o mundo! Todos vão morrer afogados pelo dilúvio! Mas nós três não vamos! Nos sentiremos infelizes se o senhor se afogar…

─ “As senhoras moram em que andar do prédio?”.

Moramos no 7º andar, por quê?!, disse ela exaltada.

E Lima encerrou a inesperada visita:

─ “Se não vão morrer afogadas no 7º andar, muito menos eu, que moro no 13º. Passem muito bem!”

Bestial


Bestial

Por Simão-pescador, de lá daquela praia “bestial de boa”.

Meus amigos, pasmem, passei quase um mês no Brasil, a estar com meus filhos, netos e bisnetos. E, por óbvio, a fazer andanças de reconhecimento pelo país. Sou andarilho. Sequer avisei ao Zik e ao Kohn. Eles que me perdoem, pois o tempo era pouco e desejava fazer muito.

Conheci muita gente que não poderia sequer imaginar que existissem em pessoa! Com formato e entranha de pessoa, com alma e cérebro de pessoa. Entrementes, também conheci e debulhei gente feita de fezes, verdadeiros moluscos podres, a perambular pelas ruas, à farta.

Fiquei a maior parte do tempo “a dançar na terra de Zé Carioca”, se é que me entendem. Assim, fui assaltado quatro vezes, com arma em riste. Como dizem por lá, “fui dançado várias vezes”.

Depois segui até a Bahia, a saber quais seriam meus orixás. Tolices! Achei as opiniões do chamado “pai-de-santo” esdrúxulas e apimentadas. Desci ao Rio Grande do Sul para tomar um mate, trajar-me “piuchado” e comer uma boa carne de vitela, assada no chão de terra. Um sucesso de amizades e alegrias.

Como sou praticamente nascido no mar, optei por percorrer pequenas partes da orla marítima brasileira, ao invés de andarilhar na Amazônia e no Pantanal. Fiquei maravilhado com os manguezais da costa paulista em que pude meter as mãos. Ficaram recobertas de nutrientes orgânicos e sedimentos vivos. Não há nada parecido no mundo europeu que conheço, em especial por abrigar tão rica avifauna. Sem dúvida, um país que possui mais de 25.000 km2 de mangues, distribuídos de norte a sul, berços da fauna marinha, é bestial!

Vôo de guarás em área de manguezal

Voo de guarás em área de manguezal

Antes de retornar ao Rio, para partir de volta às Maçãs, durante um dia, por fim, consegui conhecer o Panteão da Corrupção. De todo modo, somente encontrei portas trancadas, guardadas por seguranças armados que protegem matilhas de políticos.

Devo dizer que de início não entendi o que lhes causava tanto temor, por que se sentiam ameaçados. Porém, aos poucos, fiquei convencido de que aquele distrito é o Templo Sagrado dos Deuses-Ladrões. Daí surge o medo incontido de seus operadores: deputados, senadores, ministros, secretários, assessores, empresas corruptas e até mesmo sua senhoria e respectivos mentores. Todos anseiam por navegar na direção de paraísos fiscais, com malas de dinheiro do Estado. Claro que sempre às custas dos contribuintes, dos 200 milhões de pagadores de tributos extorsivos.

A quantidade de quadrilhas decerto é bestial, pois a corrupção foi socializada. Quadrilhas sempre a sangue-sugar o dinheiro público de forma implacável. E ainda querem que o povo as legitime pelo voto e que depois se dane. Peço desculpas pois, vez em quando, sou meio agressivo no verbo contra atos que anulam a moral e a ética de uma sociedade que é humana.

Sentado na Praia das Maçãs

Muito embora a viagem tenho sido oportuna e feliz – abracei meus filhos, senti o calor de netos e bisnetos, conheci pessoas inesquecíveis e recantos de esplendor natural –, devo dizer que não me senti confortável após visitar a fria e calamitosa capital do país.

Pode parecer paradoxal, mas de volta à terra, sinto a tristeza da solidão benigna em que me encontro, sem ter com quem conversar sobre o cenário político-social do Brasil, onde vive a maior parte de meus descendentes.

Meus velhos amigos estão todos no oceano a pescar. Só devem retornar às areias dessa praia em no máximo uma semana. Não tenho do que reclamar pois, afinal, é um tempo curto que aguardarei com paciência. Mas, até lá, cada pôr do Sol será muito longo…

Imagem florida da Maçãs

Imagem florida da Praia das Maçãs

Ineptocracia


Política “hereditária e furtiva”

Ineptocracia constitui o sistema político de governo onde os incapazes de liderar são eleitos por incapazes em produzir. Nesse sistema os membros da sociedade com menores chances de se sustentarem, são recompensados pelo governo com doações de bens e serviços pagos pela riqueza confiscada de um número cada vez menor de produtores.

Pode parecer paradoxal, mas é fato corriqueiro no país, sobretudo, com extrema frequência nos últimos 11 anos.

Esse conceito remete-nos a reflexões da filósofa russa, Ayn Rand:

Quando você perceber que para produzir precisa obter a autorização de quem nada produz; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia “por meio de favores”; quando ver que muitos ficam ricos pelo suborno e pela influência, mais do que pelo trabalho; que as leis não nos protegem deles, ao contrário, protegem-nos de nós; quando concluir que a corrupção é recompensada e a honestidade se torna ato de auto imolação, então poderá afirmar, sem medo de errar, que sua sociedade encontra-se condenada“.

Há estados brasileiros que ainda existem dessa forma, a viver sob o regime das Capitanias Hereditárias. Porém, o que mais salta aos olhos é o estado do Maranhão.

Numa terra sem lei, os Sarney comandam a capitania há 48 anos, com a glória da liberdade que dão a si próprios. Os maranhenses são seu gado mais manejável. A política que instalaram, com economia desastrosa, apenas serviu para “engordar os bolsos da Família”.

Dentre seus inúmeros bens imóveis e meios de comunicação, destacam-se a mansão na Praia do Calhau, situada na região mais cara da orla de São Luiz, e a Ilha de Curupu, onde construíram mansão de veraneio para receber “amigos e convivas especiais”.

Pequena mansão da Família na Ilha de Curupu

Pequena mansão da Família na Ilha de Curupu

Mas um fato é no mínimo curioso. Nascido de família pobre, com o nome José de Ribamar Ferreira de Araújo Costa, o criador e chefe do clã era conhecido na juventude como José do Sarney”, numa referência ao nome de seu progenitor.

Todavia, quando resolveu seguir a “carreira política”, adotou o codinome “José Sarney”, por muitos interpretado como “José Sir Ney”. Talvez, dada sua “estranha nobreza britânica” no trato furtivo do dinheiro público e a poderosa riqueza particular que nele teve origem.

Percebendo uma remuneração de funcionário público eleito – governador, deputado, senador, governador e presidente da república, uma “puta carreira”, como dizem os portugueses – Zé de Ribamar tornou-se milionário – talvez bilionário – assim como seus três filhos, para quem realiza “doações de bens”, sempre que pode.

O filho mais velho, Zequinha, é político de 4ª categoria. A filha Roseana, também política, está governadora do Maranhão pela segunda vez. Foi até mesmo candidata à presidência da república e, segundo as pesquisas de intenção de voto à época, liderava a campanha até que foram descobertos “1,34 milhão de reais”, em dinheiro vivo, no escritório de Jorge Murad, por sinal seu marido e secretário do estado, nomeado por ela. A propósito, não custa contar que Murad é conhecido no mercado como o “mala de Sir Ney”.

Por fim, o filho mais novo, Fernandinho, se diz empresário. Do quê, ninguém sabe ao certo. Trata-se de um empresário “faz-tudo”, que até já esteve encalacrado com a Polícia Federal [1]. Mas convém lembrar que os três filhos de Zé de Ribamar aparecem no cadastro do Ministério da Comunicações na qualidade de sócios de dezenas de emissoras de rádio e televisão. Quem sabe não foram doações do papai?

De volta a Roseana

Nessa última semana a imprensa denunciou acintes cometidos pela governadora na tentativa de adquirir víveres para seu cerimonial. Como chefe do governo do estado mais miserável do país, Roseana decidiu licitar a compra de 80 quilos de lagosta fresca, 2,4 toneladas de camarão, 750 quilos de pata de caranguejo, 50 potes de foie gras, 300 unidades de panetone, caviar, salmão e bateladas de champanhe importado, além de uísque escocês e vinho de qualidade – francês, italiano, espanhol, português ou chileno.

Esses viveres, de “primeira necessidade” para os Sir Ney, tinham o custo estimado de R$ 1,1 milhão de reais. Parece que se tratava de valor subfaturado ou, quem há de saber, de produtos contrabandeados

Mas isto sem contar com os obrigatórios talheres de prata, copos e taças de cristal, mesas e cadeiras de madeira estilo Tiffany, Dior ou similares. E, para manter a sobriedade familiar, mesas forradas com toalhas de linho também faziam parte da lista de produtos a serem licitados.

Ainda que a licitação não haja ocorrido, trata-se de mais um exemplo da sociopatia que é acometida pelos cargos públicos no Brasil, não por seus ocupantes. Aqui, os cargos públicos costumam ficar delirantes, sem motivo aparente. É uma pena que ainda não sejam encarcerados em hospícios de segurança máxima.

Enquanto isso…

Dentre os 62 presos assassinados em 2013 no Maranhão, dia 17 de dezembro passado, três presos foram torturados e decapitados por internos rebelados, no Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Há um vídeo na internet que comprova essa delinquência, que parece ser natural nesse estado.

Que postura arrogante... - Reprodução da Folhapress

Que postura arrogante… – Reprodução da Folhapress

Mas, enquanto isso, dona Roseana e seus convivas, bebiam champanhe, vinhos importados, uísque escocês. Saboreavam caviar, lagosta, camarão, salmão, foie gras e outras iguarias, sempre em mesas forradas com toalhas de linho.


[1] Segundo o jornal Estado de São Paulo, Fernando Sarney foi indiciado em 2008 e 2009 pelos crimes de formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, evasão de divisas, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. O amoreco do papai está progredindo sempre, pois continua solto mesmo após haver enviado 1 US$ milhão para um banco em Qindao, China. Leia mais, e muito mais, em Estadão.

Decisão de Michelle Obama


Reflexão pública não custa caro, ao contrário.

Na qualidade de Primeira Dama dos EUA, a Juris Doctor Michelle Obama [1] parece haver escandalizado o mundo ao sugerir que todos os seus convidados para a a festa de seus 50 anos [2], a ser realizada na Casa Branca neste mês de janeiro, comam antes de sair de casa.

Michelle Obama está preocupadíssima com a mídia mundial

Michelle Obama está preocupadíssima com a mídia mundial

Achei a atitude da Dra. Michelle dotada de profundo espírito público, sobretudo a considerar o crash da economia norte-americana a partir de 2008, causado pela ganância de “financistas” e pela total incompetência do texano-idiota, senhor George W. Bush.

Ao contrário, seria uma lástima se, no momento em que economia norte-americana começa a se solidificar – conforme é esperado –, a Primeira Dama servisse a seus convidados champanhe de primeira linha, caviar russo, loco, ostras e vieiras chilenas, vôngoles e, como pratos principais, um cardápio sofisticado da cozinha francesa, pagando rios de dólares aos três melhores chefs de cuisine franceses, todos importados para a data.

Esta seria a atitude própria de uma analfabeta do 3º mundo ou de uma vigarista aboletada no poder. Por sinal, se considerarmos também o “Primeiro Damo”, os brasileiros já viveram (e vivem) esse cenário hediondo em diversas ocasiões e de inúmeras formas. Sobretudo, nos casos de bilhões de reais em empréstimos a países africanos e latino-americanos, perdoados pela “presidência da república”. Conhecem este cenário muito bem, assim como suas consequências aéticas, imorais e economicamente nefastas. Aqui sequer falo da corrupção que está a reboque desses bilhões.

Reprodução do site Sabor Digital

O mijão -Reprodução do site Sabor Digital

Retornando a Dra. Michelle. Uma série de pampanátas (babacas), ditos jornalistas, condenou a atitude de Michelle, dizendo-a uma flagrante falta de educação, um constrangimento para seus queridos convidados. Chega a ser patético para um profissional da imprensa não ter nada melhor para noticiar de forma tendenciosa e superficial.

A festa é da aniversariante, promovida por ela na Casa Branca. E a Dra. Michelle, mantendo sua ampla simpatia, decidiu com essa simples condição: “vou servir somente “comes e bebes”; quem quiser “encher a pança” faça-o antes em casa”. Decerto usou outras palavras.

Para finalizar esse registro, atenção senhores jornalistas! Perguntem à dona Roseana Sarney, quem vai pagar por seu simplório pedido de 90 quilos de lagosta fresca, camarão, salmão e sorvetes para sua comilança de 2014? A um custo aproximado de hum milhão de reais, por acaso terá sido uma receita médica de rotina?

Retornem ao passado recente e perguntem ao molusco quanto custaram e quem pagou as festanças realizadas na Granja do Torto? Ao custo de vários milhões de reais, pagos com dinheiro público. Não acham, senhores jornalistas, que se trata de uma barbárie pública?!

Granja do Torto, um nome perfeito para a “residência oficial da republiqueta“: tem-se uma Granja e nela habita um Torto ou…


[1] Graduada em Direito pela Universidade de Princeton e Juris Doctor pela Universidade de Harvard.

[2] Nascida em Chicago, a 17 de janeiro de 1964.

A imprensa nas eleições de 2014


Pouca informação e comentários conflitantes.

Houve o tempo em que a Igreja detinha o poder quase absoluto do Estado. Todavia, somente em Estados autocráticos e não liberais, que eram a maioria dos então existentes. Mas isso aconteceu no passado longínquo das monarquias originais da Europa e acabou há muito.

É do fim do século 20 a nova visão de que nações liberais e democráticas possuem três principais agentes do poder: o Governo Central, as Forças Armadas, e o Mercado. Parece ser bastante razoável.

Já foi feita uma analogia desses poderes com um triângulo, onde cada lado representa um agente. Contudo, a partir do século 21, senão um pouco mais cedo, entrou em cena a Imprensa, em busca de conquistar o quarto poder principal. Tal desejo é compatível em nações sólidas, que tenham povo educado e Governo Central democrático. No entanto, não torna o triângulo em quadrado, mas em um novo corpo, que pode ser chamado de Poliedro do Poder.

O Poder, segundo Henfil

Queremos o Poder, por Henfil

Esse corpo (não geométrico) fica formado por quatro faces irregulares, com arestas, vértices e inteligências bem sensíveis e dinâmicas. Por isso a área de cada face é variável, de modo a que mantenham um conjunto de forças com balanço estabilizável, todavia, não equilibrado.

Ao considerar-se como exemplo uma “nação sólida, mas de classe média”, as faces desse Gigantesco Poliedro são assim descritas:

  • Face do Mercado – provida de bancos, indústrias, agropecuária, equipamentos de infraestrutura, universidades, comércio e serviços. Decerto é a mais ampla de todas as faces, dado que oferece à nação ciência, tecnologia, trabalho, riqueza e a maior parte do PIB nacional. Torna-se sustentável do ponto de vista econômico-financeiro, bem como é capaz de manter viáveis as demais faces.
  • Face das Forças Armadas – constitui o ambiente de defesa da nação, com recursos humanos treinados, máquinas e equipamentos suficientes para suprir as necessidades da Aeronáutica, do Exército e da Marinha nacionais. Trata-se de uma face dinâmica que precisa variar de acordo com as mudanças do nível de ameaças externas.
  • Face do Governo Central – envolve os poderes executivo, judiciário e legislativo, bem como exclusivamente instituições públicas imprescindíveis e de alta qualidade social, como universidades, escolas, hospitais, segurança e profissionais capacitados. Para que uma nação seja sólida e assim permaneça, esta precisa ser a menor face do Poliedro do Poder. Além disso, sob nenhuma hipótese, o Governo Central concorre com a Face do Mercado.
  • Face da Imprensa – é provida por organizações privadas de telecomunicação, companhias de televisão, empresas editoras de jornais e revistas. Muito embora faça parte da Face do Mercado, possui a missão singular de divulgar pública e criticamente o desempenho de todas as faces do Poliedro, sobretudo o seu próprio.

Dessa descrição, ainda que superficial, é possível tirar algumas conclusões acerca dos riscos adversos provenientes das variações das áreas de cada face. Senão, vejamos.

A Face do Mercado

O Poliedro somente existe em função do desempenho da Face do Mercado, sua maior face. Todos os seus componentes pertencem à iniciativa privada. Se ela decair em desempenho, o Poliedro é enfraquecido, com tendência a se estagnar.

A Face das Forças Armadas

Se essa face for desnecessariamente grande em relação às demais, há grave risco de a nação deixar de ser liberal e democrática. Nesse caso, toda a Teoria do Poliedro invariavelmente “vai para o espaço”.

Atenção similar deve ser dada ao enfraquecimento desta face, pois nações vizinhas e grupos radicais, diante de um cenário de nação desarmada, podem tentar ocupar espaços vitais e estratégicos de seu território.

A Face do Governo Central

Processo similar ocorre quando a Face do Governo Central cresce sem necessidade ou por “ditas demandas políticas”. Há casos em que nações tidas como liberais e democráticas, com relativa solidez, sofrem as consequências nefastas da falta de cultura política de seus povos. Pois elegem membros do executivo e do legislativo que não possuem os escrúpulos imprescindíveis para exercerem seus cargos. Criam dezenas de ministérios apenas para terem uma “base aliada” a seu favor. Na verdade, são gestores da inutilidade e acreditam que, como afirmou em Paris o absolutista Luís XIV, O Estado Sou Eu (L’État C’est Moi).

Mediante essa visão, tornam o cidadão da nação em escravo do Estado; competem de forma descarada com a Face do Mercado e, não raro, levam-na ao caos. Enfim, roubam, desviam verbas públicas, mandam assassinar os que não os apoiam, dão força a “companheiros” e, por fim, destroem totalmente a estrutura do Poliedro.

A Face da Imprensa

Esta face normalmente é pequena e bem diversificada em nações sólidas, inclusive nas mais ricas. Em geral, cumprem suas missões de informar ao público o desempenho de todas as faces do Poliedro com relativa qualidade, pois tem a seu favor a educação e cultura dos cidadãos.

O mesmo não acontece em algumas das chamadas nações emergentes. A Face da Imprensa pode pertencer ao Governo Central, o que é um risco elevado para o cumprimento de sua missão informativa; ou pode ser restrita a grande grupos econômicos, que compactuam com as ditas iniciativas da Face do Governo Central.

Veja-se o caso do Brasil, com eleições presidenciais marcada para este ano. Tendo um Governo Central Paquidérmico, o quarto poder, sonega informação de desempenho nas reportagens e notícias que traz. Apresenta reflexões conflitantes entre seus comentaristas, que às vezes extrapolam em maçantes redundâncias.

Porém, ainda que com raras exceções, é grave o fato de que inúmeros jornalistas diplomados não seguem “direto ao ponto”, não criticam como deveriam, dado que ficam a fazer firulas culturais que nada informam aos cidadãos da nação. Isto sem falar da “casta de chapas-brancas”, paga com dinheiro público para garantir a continuidade do desgoverno.