Improbidade psíquica


Por Dr. Shikimaka Shitemo Memorito – tradução de Takeo Shimata[1].

Quando conclui o doutorado em Psiquiatria (Cambridge University, 1961), em síntese buscava demonstrar a seguinte tese: “a intimidade com o dinheiro da nação faz com que ignorância e perfídia transformem-se em poder público desgovernado”.

Tudo me levava a crer que haveria de pesquisar intensamente várias culturas do planeta. Porém, o prazo para redigir a tese era de até dois anos. Assim, tive de reduzir o universo da pesquisa apenas para países ocidentais, onde ignorância, perfídia e poder público aprisionam comportamentos similares, embora distintos dos do mundo oriental.

Reverencio à banca de professores, que me auxiliou a lograr êxito na apresentação da tese. Tornaram-me Doctor Summa cum Laude em Psiquiatria. No entanto, precisava deixar o ninho acadêmico para aplicar-me na realidade.

Em pleno recrudescimento da guerra-fria e com risco de uma guerra nuclear (1962), dediquei-me à pesquisa de campo para avaliar os efeitos funestos das conclusões da minha tese: “que o poder público corrompido, conjugado com a submissão do povo, passa a dominar as nações que tenham Governo e Parlamento imersos no fenômeno a que chamei de Suma Idiotice”. Assim, impus-me um vasto campo de trabalho e nele atuo desde então, há pouco mais de 50 anos.

Pesquisas no campo

De início, precisava me engajar como pesquisador em uma universidade que se interessasse por meu trabalho. Ademais, que investisse na produção de conhecimentos desse gênero.

Não foi fácil demonstrar à Academia que, das pesquisas a que então me propunha realizar, poderiam resultar insumos estratégicos para a tomada de decisão de bons gestores, afora o grande banco de dados psiquiátricos que seria criado.

Após dois anos de confabulação pelo mundo, em meados de 1963 mudei-me para a Califórnia. Por fim, contratado com o raro cargo de Psiquiatra-pesquisador. Logo fiz contato com minha família em Kyoto e tranquilizei os mais antigos sobre o caminho que já estava a trilhar.

Escadaria em Kyoto, Japão

Escadaria em Kyoto, Japão

Ao cabo de mais 12 anos, formávamos uma equipe multidisciplinar composta por quatro doutores, oito mestres e quase três dezenas de graduados e trainees. Para estimular a dedicação de todos nós, tínhamos orçamento garantido para mais vinte anos de pesquisa e produção científica.

Selecionamos a América Latina como sendo o espaço humano com maior probabilidade para encontrarmos manifestações visíveis do fenômeno em pauta (Suma Idiotice) e seguimos pesquisando por esse caminho.

A partir de amostras aleatórias das populações de diversos países latino-americanos, durante mais de uma década fizemos e documentamos milhares de entrevistas. Encontramos manifestações evidentes do fenômeno em nove países. Porém, de certos traços de suas populações, sobretudo antropológicos e psiquiátricos, sobreveio uma nova questão:

─ “O que está por detrás do poder corrupto e da submissão de um povo”? Ou, de outro modo:

─ “Que forças fazem com que a Suma Idiotice seja a gestora máxima de uma nação”?

A resposta automática e superada que recebemos de muitos entrevistados permaneceu a mesma de séculos atrás: “falta educação pública de qualidade para seu povo”. Trata-se de uma falácia, de uma balela [2]. Temos uma visão diferente, assim simplificada.

Nos primórdios, o ser humano era caçador-coletor e por isso nômade; evoluiu quando plantou e colheu o primeiro grão. Pouco depois fixou-se em pequenas povoações, com parte de sua alimentação provinda de culturas agrícolas. Mais tarde, construiu seus burgos murados, onde criou o primeiro shopping da história. Nele comercializava o excedente do que produzia e fundou a chamada “burguesia”.

O Homo sapiens tem procedido dessa maneira ao longo dos 50 mil anos de “comportamento moderno”. Contudo, no mais das vezes sem possuir educação específica, apenas a cultura do “ensaio e erro” que ele próprio cunhou e acumulou.

Entretanto, hoje parece que após realizar novos ciclos de sua evolução, o Homem anda para trás e refaz um ciclo anterior, que já superara no tempo. Assim, a imagem da trajetória humana em algumas regiões do planeta é similar à de uma mola helicoidal esticada, sempre com risco de se romper nas áreas submetidas aos maiores esforços.

A mola esticada e a ranger

A mola esticada e a ranger

Embora a África apresente nações com esta característica, decorrente da ação de fatores externos nocivos, novamente a América Latina se destaca na Suma Idiotice, pois falta-lhe contribuições positivas de fatores externos (inteligência) e ela se autoconsome em processos entrópicos, de alto risco e desordem. Poucos são os países latino-americanos que não se encontram impactados por essa adversidade – Chile, Colômbia, Peru e, talvez, o México foram os casos que identificamos.

A questão daí derivada é a seguinte:

─ “O que faz com que países escorreguem na direção desses precipícios de alto risco?”.

Muitas são as ciências humanas que visam a responder esta questão. No entanto, até agora apenas apresentaram sucesso relativo. Talvez estejam longe de identificar as causas exatas da Suprema Idiotice. Mesmo a nossa contribuição ainda é uma hipótese em teste, fruto das pesquisas que realizamos na América Latina.

Hipótese da Improbidade Psíquica

Procuramos sintetizar ao máximo a apresentação dessa hipótese, mas permitindo ao leitor o devido entendimento de seu processo e quais são seus principais agentes.

Para esta hipótese, “improbidade psíquica significa desonestidade e perversidade que se empilham geneticamente na psique do indivíduo, e são capazes de se manifestarem em todos os seus centros nervosos, sempre de forma consciente”.

Quem detém a improbidade psíquica é o ator, que sabe os alvos que mais lhe interessam para aplica-la. Alvos são indivíduos, instituições públicas e empresas privadas. O ator sempre é o único beneficiado em todas as operações da improbidade psíquica. Os alvos sofrem passivos os efeitos da desonestidade e da perversão.

Quando um ator ocupa o cargo máximo numa nação (Ditador, Presidente, Primeiro Ministro, Apedeuta), tem-se o fenômeno da Suma Idiotice Instalada, que passará a definir a trajetória medíocre da nação no cenário internacional.

Porém, o ator não joga sozinho. Necessita de grandes equipes subsidiárias (cargos comissionados), formadas por bedéis amestrados, e as transforma em tentáculos nacionais. Todavia, não raras vezes, são substituídos (ou eliminados), função de necessidades particulares instantâneas do ator. São verdadeiros neandertais, repetindo passados longínquos, “contorcer a mola“.

Se essa hipótese estiver correta, países como Cuba, Venezuela, Argentina, Bolívia e Equador (e Brasil?) encontram-se em processo de alto risco.

Nesses países, até mesmo o tempo derrete, por força da ação de atores aquartelados em seu comando, dotados de plena improbidade psiquiátrica.

De todo modo, desejamos um feliz 2015 a todos, porque, como dizem, “2014 já era”.


[1] Nota do tradutor: A tradução desse artigo do Professor Memorito foi um pouco complexa. Verter seu texto, redigido originalmente em japonês, por vezes obrigou-me a encontrar termos compatíveis na língua portuguesa. Todavia, as ideias e focos da tese do professor não foram alterados – Takeo Shimata, nissei brasileiro.

[2] Nota do tradutor: no texto original, pela falta de um substantivo equivalente em japonês, o Professor Memorito redigiu “Bullshit!”.

Sveltina


“Sveltina”…

Propaganda de janeiro de 1923, em Roma.

A invenção de "Madama Renata"

A invenção de “Madama Renata”

Interessante, dado que a tradução literal da palavra “sveltina” é “rapidinha“. Sem saber dessa origem, muitos brasileiros repetiram isso várias vezes, pelo menos nas décadas de 1960 e 70…

E tudo nos leva a crer, pelo escrito na última linha do tarifário “della rinomata casa del piacere”, foram os romanos que inventaram a prática do “estudante paga meia” pelo mesmo serviço. Na época, em Roma, os militares “gozavam” da mesma vantagem.

A “Internet das Coisas”


Na revista Veja de sábado passado foi publicada uma reportagem especial com o título “A Revolução da Internet das Coisas”, assinada por Filipe Vilicic. Filipe é um jornalista nascido em São Paulo, editor de Ciência e Tecnologia na revista Veja/Abril.

Basicamente, o texto trata da última aquisição do Google: a empresa Nest, fundada há pouco mais de três anos, adquirida, com porteira fechada, por 3,2 bilhões de dólares. E o motivo aparente foi um termostato para domicílios.

A princípio, parece uma informação descabida. Quem pagaria mais de três bilhões de dólares por uma nova “fábrica de termostatos?!

Mas não há dúvida acerca da genialidade dos sócios fundadores da Nest, instalada em Sillicon Valley [1]. Verificaram que, dadas as normais variações diárias do clima nos Estados Unidos, a maioria das residências possui um termostato [2]. Porém, são equipamentos que precisam ser calibrados manualmente pelos usuários.

Imagem do termostato tradicional

Imagem do termostato tradicional

O CEO da Nest [3], Tony Fadell, e seu sócio, Matt, concluíram que fariam coisa melhor. Assim, criaram um termostato digital, que “aprende” os hábitos do usuário e pode receber comandos wi-fi via celular, tablet ou computador. Funciona automaticamente e regula a temperatura do ambiente, com base nas variações do “humor climático” da região e dos hábitos da família usuária.

Termostato Next - design e inteligência

Termostato Nest – design e inteligência

Sem paralelo são seu tamanho reduzido, leveza e design. Segundo a reportagem, desde que foi lançado, estão a serem comercializados 100.000 desses aparelhos por mês, ao preço unitário de US$ 249. Observem que a Nest já está presente nos mercados norte-americano, canadense e britânico.

O maior interesse do Google

A visão do Google não se resume ao termostato e a outros aparelhos da Nest. Um executivo da Neura – empresa especializada na prospecção de softwares capazes de conectar objetos – diz que o Google pretende criar a “internet das coisas”, ou seja, fazer com que pessoas, animais domésticos, residências, equipamentos urbanos e objetos em geral, que fazem parte do dia-a-dia das pessoas, sejam capazes de trocar informações úteis entre si e de realizar serviços que despendem tempo produtivo, pois sobrecarregam quem trabalha com o conhecimento.

Quanto às técnicas que deverão ser utilizadas, não temos meios de discuti-las. Mas é possível afirmar que há várias iniciativas de grandes empresas e universidades que convergem para realizar a “internet das coisas”: comunicação entre veículos (velocidade e trajetória), sensores capazes de detectar e identificar um indivíduo, dispositivos de voz associados aos sensores, prédios inteligentes, dispositivos que permitem a localização de pessoas, aparelhos com inteligência artificial, etc.

Mas há ameaças e riscos

Sem dúvida, há vários benefícios que poderão ser obtidos com a “internet das coisas”. Sobretudo, no que diz respeito ao trabalho cerebral, sua racionalização e aumento de produtividade. No entanto, cremos que também haverá graves riscos, quando tudo à volta estiver fornecendo informação acessível a todos.

Todas as ameaças e riscos decorrerão do mal uso da informação. O mesmo dispositivo que localiza crianças perdidas, também localizará vítimas de crimes de diversas naturezas. Um autocrata, ansioso para tornar-se ditador, de posse de informações sobre seu povo, decerto o destruirá.

A ciência e a tecnologia, que poderão criar a Internet das Coisas, possuem duas características típicas: são céticas e desconhecem a direção dos melhores valores humanos.


[1] Região da Califórnia, com área de aproximadamente 3000 km2, que envolve várias cidades. O Vale, desde os anos 1960, é dedicado à criação, desenvolvimento e produção de inovações na área da eletrônica e informática. Hoje essa região detém atrações para grandes investidores e reúne a maioria das potências industriais norte-americanas das áreas a que foi dedicada: Adobe, Apple, Google, Intel, Oracle, etc. É interessante o fato de 1/3 de sua população ser formada por estrangeiros.

[2] Em residências os termostatos são adotados para o controle da temperatura ambiente, com a finalidade de ligar ou desligar equipamentos de refrigeração, ventilação, aquecimento, conforme varia a temperatura; ou notificar quando ela atingir o valor em que está calibrado.

[3] Página da Nest: https://nest.com/.

Breve intervalo para a inocência


Breve intervalo para a inocência

Quando escrevo, sinto-me quase na obrigação de criticar e denunciar a maior parte das práticas cometidas por nossos governantes: abusos, crimes e diatribes. Creio que o silêncio diante deles não os destronará e os quadros político e econômico que criaram à revelia da nação, vividos por nossos filhos e netos há mais de uma década, poderão se agravar ainda mais.

Por outro lado, também não posso perder a capacidade de ser suave e até infantil, de pensar como criança. Não se trata de sentir saudades do passado, mas de confirmar a mim mesmo que a continuidade dos tempos não eliminou a criança que vive em mim, sempre plena de infantis sentimentos que esfumaçam a alegria, tal como um trem a vapor.

Cândida e pura é a inocência, que nunca se aliena à realidade; apenas a supera.

No início dos anos 1980, anos após a morte de meu avô, uma de minhas crianças, então com 5 anos, perguntou-me a fazer uma abstração:

Papai, porque que “todo dia é hoje”? ─ e, olhando o céu como a uma miragem, murmurou a si mesma, resignada: “acho que sei onde o bivô está…” Conhecera-o três anos antes.

Questiono-me sobre o que passava em sua cabeça para criar esse diálogo. Não sei se hoje ela se recorda dessa conversa, embora eu acredite que, com base nessa inocência, é que dúvidas e soluções vivem aos pares no cérebro das crianças.

Tenho histórias de mesmo gênero, vividas com outros filhos. O caçula, quando tinha 2 anos, assistia num jornal na tv as imagens de um acidente de avião, que caiu no mar envolto em chamas. “Ninguém sobreviveu”, concluiu o locutor.

Ele ficou sério, com o dedo em riste para a tela, e falou com energia:

─ “Foi nesse avião que eu morri quando tinha 7 anos.” O que passava em sua cabeça? Seria medo ou sentimento da solidariedade? …

Claro que, tal como os pais, ficou muito assustado. Tanto que durante anos não deixou que o levássemos a passear por avenidas à beira-mar. Mas logo se superou: voltou à paz, viajou para a Europa (seu irmão viveu por dois anos em Dublin), adora o mar e em breve completará 21 anos.

As crianças na comemoração da passagem deste ano – Jota, Neca, Rapha e Pimpa

As crianças na comemoração da passagem deste ano – Jota, Neca, Rapha e Pimpa

Outra característica das crianças mais comunicativas é a franqueza, a verdade falada. “Gosto de você”, “não gosto de você”, “seu nariz é grande”, são frases curtas com que encerram certas circunstâncias.

Nosso filhote, em seu aniversário de 3 anos, pela primeira vez demonstrou que tinha valores próprios, que era capaz de ser severo e repreender até mesmo um adulto.

Ao fim da festa, seguiu para o quarto com amigos e desembrulhava alguns dos presentes que ganhara. Meu irmão, dedicado em registrar a data e a turma, fazia um vídeo do grupo. Para dar mais movimento à garotada, pegou um embrulho do aniversariante e deu a um amiguinho para que o abrisse.

Sentado com os amigos ao chão, o filhote recuperou o embrulho:

Deixa que eu abro meus presentes. Falou calmo, guardando o embrulho às costas, junto à janela, apenas a seu alcance.

Foi então que o tio resolveu insistir na qualidade do vídeo, sem avaliar a qualidade do caráter do aniversariante. Pegou um novo embrulho e deu a outra criança para abri-lo. O miúdo ficou zangado, levantou-se e, para sua idade, deu uma bela bronca:

Isso não tá legal! Isso não é justo! E, olhos nos olhos do tio, já demonstrava ser gente.

Por óbvio, não houve consequências pessoais de parte a parte. Houve somente um suave entrevero familiar. Mas, devo confessar: está registrado em minha memória o instante em que descobri ser pai de uma criança que já bradava por justiça aos 3 anos de idade!

Vandalismo nacional


ou “Salve-se quem puder!”

Por Zik Sênior

Zik Sênior

Zik Sênior

Visto do espaço, em suas linhas gerais, o Brasil é um país habitado por beócios de 4ª classe, governados por vândalos de 1ª classe. Esse é o cenário que se descortina ao início do feliz ano novo de 2014: beócios manipulados por vândalos, a troco de nada.

Enquanto isso, os vândalos de 1ª classe têm certeza de que permanecerão no poder por pelo menos mais quatro anos (mas sonham com 4 décadas). Isso se, até lá, o Brasil ainda sobreviver à sua sanha destrutiva, tal hienas esfomeadas diante de um apetitoso bucho apodrecido.

A armadilha montada

Constituem o núcleo duro da 1ª classe ex-dirigentes e alguns dos mensaleiros que cumprem pena em penitenciárias e se auto classificam “consultores”. Para eles basta ter acesso a um telefone para fazer consultorias milionárias.

Membros subalternos, selecionados na caterva, montam a logística que satisfaça à clientela dos consultores. Para isso, possuem gigantescos propinodutos que cortam os subterrâneos do planeta e deságuam com segurança (?) em “instituições financeiras paradisíacas”.

No entanto, os membros da caterva são operacionais, meros cumpridores de ordens. Não têm livre arbítrio e nada decidem. Venderam-se aos consultores em troca de cargos públicos mais elevados e, de vez em quando, percebem benesses em dinheiro e até mesmo a salvação da prisão. Diz a mídia que o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, foi uma maquinação de vários vândalos de 1ª classe, mas coordenado por um caterva especial que foi blindado, função de ter o domínio de informações classificadas sobre objetivos e ações da 1ª classe.

Mas ainda há outra classe de personagens com relativa importância, que nem são consultores ou caterva operacional. Tratam-se dos “espasmos da 1ª classe”. Habitam no seu limbo, na favela moral de sua periferia. São ignorantes, mas responsáveis por realizar as tramas dos consultores.  São sempre temas prontos para criar litígio e dividir as forças que consideram adversárias. Essas tramas visam a gerar discórdia nacional, mas têm forte apelo na mídia. Desta maneira os espasmos dão suporte às ações dos consultores, sempre com posturas populistas, demagógicas e arrogantes.

Em síntese, a atuação dos espasmos se resume em criar conflitos com a opinião pública, com o uso de informação falsa. Todavia, para serem selecionados, precisam possuir traços físicos que convençam aos beócios de 4ª classe que não se tratam de patranheiros, a saber:

  • Cândida expressão facial, próxima a de uma freira;
  • Rosto sem maquiagem quando dão entrevistas;
  • A portar óculos da intelectualidade, que lhes forneça aparência de credibilidade;
  • Olhar fixo no espaço longínquo, a denotar que dominam as complexidades sociais; e
  • E, quando possível, ter corpo bem magro, tal como os milhões de brasileiros que não se alimentam da forma suficiente há pelo menos um mês. Acreditam que isso lhes dá certa empatia com os miseráveis que ganham o bolsa-esmola.

Por tudo isso, no cerimonial da 1ª classe, os espasmos são tratados por “tadinhas”. Embora tenham sonho de crescerem e, algum dia, tornarem-se elementos da caterva, continuam improdutivos. Em algumas situações são promovidos a ministros de estado, mas continuam a “enrolar as massas” e são apenas usados para legitimar as tramas da 1ª classe, nada mais.

Em suma, esse bando organizado – 1ª classe, caterva e espasmos –, acredita piamente que, por longos anos, ainda permanecerá vandalizando a nação em seu próprio benefício.

Mensaleiros, assessores e mensalistas

Na oportunidade do julgamento da ação penal 470, o juiz relator classificou as quadrilhas envolvidas para facilitar sua argumentação e dar lógica ao raciocínio. Por sua vez, a imprensa brasileira universalizou-as. Chamou a todos os réus simplesmente de “mensaleiros”.

Nesse registro, os réus estão classificadas em três esferas, que são distintas mas complementares, a conformar um único bando de vigaristas:

  • Mensaleiros – aqueles que planejaram e executaram desvios do erário público, por interesses pessoais em obter mais poder para vandalizar o estado;
  • Assessores – “contratados” por mensaleiros, coube-lhes estabelecer a arquitetura dos desvios e os agentes financeiros e publicitários necessários para esconde-los; e
  • Mensalistas – aqueles que se venderam aos desígnios políticos de mensaleiros, porém livres para não aceitar propostas ou denunciá-los, o que, afinal, fez eclodir a maior ação penal da história brasileira.

Se essa classificação estiver correta, os mensaleiros foram a alma de todas as articulações. Porém, assim como os mensalistas, receberam as menores penas de prisão. Coube aos assessores pagarem a maior parte da conta, com penas de até 40 anos em regime fechado. Parece que determinados juízes do Supremo não notaram que eles foram meros acessórios na armadilha montada, algo como mais dois air bags no veículo da corrupção.

Seriam manobras legais?

Chegou-se ao cúmulo de um mensaleiro criar uma página na internet para “recolher doações” visando a pagar a multa determinada pela justiça! A imprensa conta que ele alugou uma casa em Brasília para cumprir sua prisão em regime aberto. E, ao que tudo indica, em dez dias já recebeu de beócios e vândalos menores mais do que o necessário para quitar sua multa (algo em torno de R$ 600 mil). O excedente decerto servirá para pagar as despesas de aluguel e alimentação de sua nova casa. Isso é patético!

Caso a justiça brasileira determinasse que todos os atuais presidiários 1ª classe devolvessem ao Estado o produto do roubo, eles são tão hediondos que é possível que abrissem páginas para captar mais “doações de íntimos beócios brasileiros”.

Mas muito cuidado, senhores beócios! Além de estarem a jogar seu próprio dinheiro na lixeira, o que é uma decisão pessoal, poderão incorrer em crime de cumplicidade, que é uma questão da justiça pública. O prêmio de cadeia em regime fechado do beócio poderá ser o resultado mais óbvio.

Todavia, como uma pronta-resposta da 1ª classe, já há os que pensam em criar “debêntures penitenciários”. Permitirá aos ladrões públicos arrecadarem “fortunas honestas” pela Bolsa de Valores. Afinal, para corruptos políticos, nada melhor do que vender suas cotas de corrupção produtiva, pois não desejam ser os majoritários em uma eventual derrocada nacional.

Mesmo havendo muito mais a narrar, encerro aqui esse registro, sabendo que, desgraçadamente, muita água ainda há de rolar para bolsos escusos.

Todavia, também tenho uma notícia alvissareira: nosso blog vai criar uma página para receber doações de pessoas cultas, honestas, democráticas e politizadas, de forma a continuar com seu trabalho e aumentar a equipe de redatores. Quem sabe se no ano de 3014 já não terá conseguido arrecadar a ínfima quantia de SUR$ 1.000,00?  O Surreal, a futura moeda inflacionada a circular no Rio de Janeiro e, quem sabe, em todo Brasil.

Desastres e tragédias


Resta saber como, porque e quando…

Faz pouco tempo que clima, flora e fauna tiveram sua existência descoberta pelo homem e ganharam destaque em canais a cabo internacionais. Alguns transmitem bons documentários, trazendo imagens de campo com forte apelo científico. Dentre eles, destacam-se os que têm bons narradores, que conhecem bem a matéria e convidam experts para explicar como podem se comportar esses fatores ambientais.

Embora com menor frequência, há ainda canais a cabo que trazem entrevistas com notórios cientistas. A diferença é que tudo acontece dentro de uma sala refrigerada, típica do habitat humano. Dessa forma, há debates que iluminam as ideias daqueles que as assistem, desde que o mediador fale menos do que os cientistas. E isto nem sempre ocorre.

Recentemente assisti a uma entrevista em um canal a cabo nacional. Dois especialistas foram convidados e, apesar de não simpatizar com o mediador – um incômodo grilo falante –, assisti às explanações dos cientistas até o fim.

O pano de fundo da entrevista foi, outra vez, desmatamento no Brasil, aquecimento global antropogênico (aquele causado pelas atividades humanas) e desastres naturais.

Sobre desmatamento e aquecimento global creio que já falei bastante neste blog. No entanto, sobre desastres e tragédias naturais ainda não me detive o suficiente. Considero-os um grave desvio conceitual e, sobretudo, um erro crasso na análise entre causa e efeito. Por isso, dou-lhes “zero, nota zero!”, pois desconhecem o Postulado da Causalidade.

Desastre humano com tragédias

Desastre humano com tragédias

Explico

Todos os presentes afirmaram com clareza que ocorrem desastres e tragédias naturais, como se a dinâmica do espaço natural (ou Ambiente, ou Natureza) fosse a causadora da destruição de casas, prédios, vias urbanas, cidades e causasse a morte de pessoas.

Para o Postulado da Causalidade é necessário que existam e sejam explicados os processos de causalidade entre os eventos da dinâmica ambiental. Assim sendo, alguns requisitos são importantes para seu entendimento pela visão científica:

  • Eventos causais originais – identificar as causas da transformação ambiental.
  • Correlação entre os eventos – as causas precisam se correlacionar com efeitos ocorrentes e previstos.
  • Variáveis intervenientes – identificar e avaliar os processos ou decisões que possam aumentar ou reduzir a correlação entre os eventos considerados.
  • Ordem dos eventos – as causas precedem no tempo os efeitos ocorrentes e previstos.

Aplicando essa lógica, não é difícil compreender o elevado risco a que se submetem pessoas que moram em casas, ruas e cidades próximas a vulcões. Não temos esse risco graças à Geologia, pois no Brasil todos parecem estar extintos.

O mesmo acontece com aqueles que habitam em vales, entre encostas por onde as chuvas são drenadas. Em casos de grandes tempestades, sem dúvida, a água “lavará a tudo e a todos”, decerto com prejuízos e mortes. Da mesma forma, os que habitam áreas íngremes de vertentes, onde se encontra a maioria das favelas do Rio. Os riscos são os mesmos. Hei! Autoridades, vocês nunca se mancam?!

Assim, vê-se que a natureza não promove desastres ou tragédias. Apenas o Ambiente do planeta, pré-existente ao Homem, vez por outra apenas dá “sacudidelas de acomodação”, sem se preocupar com o que está em cima dele, o que é natural há milênios.

Dessa forma, o que ocorre realmente são desastres humanos seguidos de tragédias, posto que são causados pela pretensão do homem em ignorar o poder da transformação espontânea do Ambiente do Planeta. Segundo estudiosos, essa transformação sistemática acontece há pelo menos 4,54 bilhões de anos.

Sendo assim, sugiro “um pequeno Big Bang de atenção” para os que desejarem um imóvel bem localizado e, sobretudo, seguro de eventos ambientais elementares.

Visita inesperada


O novo dilúvio mundial.

Estava num bate-papo animado com o engenheiro Lima, em seu apartamento. Falávamos sobre assuntos aleatórios: computador, conexão wireless, política em geral, promessas de santa carochinha, “dis-putas eleitorais” e atos de corrupção, quando o toque da campainha nos fez parar.

Pelo olho mágico viam-se três senhoras muito bem trajadas, todas com idade mais avançada. Não pareciam ser vendedoras e, caso o fossem, o porteiro não as deixaria entrar.

Lima abriu a porta e as cumprimentou. Como não as conhecia, ficou um pouco confuso em como deveria saudá-las, mas saiu-se bem.

─ “Boa tarde, em que posso ser útil?”, disse ele.

Notei que as três carregavam às mãos um livro grosso, com capa de couro escuro, e escritas gravadas em dourado.

A mais audaz respondeu:

Somos moradoras aqui do prédio e temos uma proposta para fazer ao senhor… Aguardou a resposta.

─ “Pois não, senhora, qual é a proposta?”, disse Lima gentilmente.

Brandindo seu livro no ar, respondeu a ele com uma atitude grave que lhe franziu o cenho:

Estamos à beira de um novo dilúvio no mundo. Fortes ventos, maremotos, raios e trovões, chuvas e enchentes causarão destruições nas cidades e a maioria das pessoas morrerá afogada no mar da vergonha. Porém, os Adventistas do Sétimo Dia irão sobreviver, sempre com a missão de reconstruir o mundo. Nós contamos com a boa vontade do senhor…, qual é mesmo seu nome? …

O Grande Dilúvio

O Grande Dilúvio

─ “Pode me chamar de Lima, é assim que todos me conhecem”.

Lima já estava impaciente por dois minutos de conversa com a senhora bem trajada. Decerto, creio eu, pensava o que aconteceria se as três falassem ao mesmo tempo.

A senhora falante, por sua vez, suava na testa, nas axilas e ficou sem ar após proferir o palavrório decorado. Parecia existir um tele-prompt engastado na traseira do livro e ela desembestava a ler o texto.

─ “Não entendi, contam comigo exatamente para o quê?”, indagou Lima assustado.

Nós nunca nos falamos, seu Lima, mas sabemos de sua distinção, de seus interesses, moramos nesse mesmo prédio e…

Mas Lima a interrompeu, enquanto ela continuava a brandir o tal livro:

─ “Senhora, por favor, sem rodeios. Eu estava ocupado e fui interrompido para escutar coisas que não fazem nenhum sentido para mim. Ora! Um novo dilúvio a afogar a população… É possível ser mais direta? Diga o que quer.”

A senhora ficou nervosa e elevou a voz:

Pois bem, vim lhe convidar para ser mais um Adventista do Sétimo Dia e ajudar-nos a salvar o mundo! Todos vão morrer afogados pelo dilúvio! Mas nós três não vamos! Nos sentiremos infelizes se o senhor se afogar…

─ “As senhoras moram em que andar do prédio?”.

Moramos no 7º andar, por quê?!, disse ela exaltada.

E Lima encerrou a inesperada visita:

─ “Se não vão morrer afogadas no 7º andar, muito menos eu, que moro no 13º. Passem muito bem!”