Sobre certezas e dúvidas


“Queremos ter certezas e não dúvidas, resultados e não experiências; mas não percebemos que as certezas só podem surgir através das dúvidas, enquanto os resultados, somente por meio das experiências” – Carl Gustav Jung.

E, de súbito, o palestrante começou

Sejamos racionais e dialéticos, nunca paranoicos, pois o calor da imaginação desenfreada é sempre uma barreira implacável para o nosso raciocínio. Reinventemo-nos a cada instante, sempre a duvidar de nossas certezas.

Perguntam-me, “a quais certezas me refiro”? Respondo-lhes: “a todas; certezas definitivas só existem no tempo passado”. Certezas momentâneas permanecem como dúvidas. Afinal, todas as nossas certezas foram as dúvidas que nos conduziram até aqui: nesse exato momento, a esse salão, com olhos nos olhos de cada um. Alguém discorda disso?

Pelo silencio ensurdecedor que ouço, creio não haver discórdia. Assim, continuo a palestra.

Dúvidas são ansiedades fortuitas, que podem ser motivadas pelo interesse em esclarecê-las. Coisas para salas de aula. Mas também podem ser criadas por fugas decorrentes de ameaças de acasos inesperados. Estes, são surpresas que podem trazer bons e maus resultados. Vem daí o medo de enfrentarmos acasos, pelo simples fato de não termos qualquer certeza. Claro, só temos uma pálida ideia – que é uma bela dúvida – de como vamos nos comportar diante de ameaças provindas de acasos.

Chamo a atenção para o fato de que são perigosos todos aqueles que afirmam nunca terem tido qualquer dúvida na vida. Consideram-se os Donos da Certeza. Mas, por outro lado, tolos e otários serão os que neles acreditarem.

Uma certeza cheia de belas dúvidas

Uma certeza cheia de belas dúvidas

Creio que alguns de vocês devem estar a se perguntar:

─ “Afinal, aonde esse cara quer chegar?

Agradeço o interesse de todos. Esta dúvida é bem-vinda. Pretendo que, ao fim dessa palestra, todos sejamos capazes de identificar certezas e dúvidas.

Todavia, nada melhor para o aprendizado de uma técnica do que aplicá-la a um caso real.

Certezas e dúvidas na Ação Penal 470

Nos últimos dois anos o assunto da moda, mais discutido no Brasil, foi conhecido internacionalmente como Escândalo do Mensalão, vulgarizado com esse apelido por envolver personagens políticos de destaque que, ora eram os pagadores de propina – os “mensaleiros” –, ora recebedores de vultosos desvios de dinheiro público – os “mensalistas”.

Todos eles tinham certeza de que nunca seriam descobertos. Estreparam-se! O Procurador Geral da República, uma espécie de Xerife do Sistema Público, indiciou 40 elementos. Enviou para o Supremo Tribunal Federal toneladas de indícios para serem avaliados e, caso a Alta Corte aceitasse a denúncia, instauraria uma Ação Penal. O que foi feito, há absoluta certeza disso.

No entanto, existe dúvida quanto à hierarquia dos elementos que cometeram crimes contra a administração pública. Uma grande lista de crimes. Tudo leva a crer que o Diretor Executivo da quadrilha foi arrolado pelo Xerife. No entanto, a quadrilha não teria um Presidente? Existem dúvidas.

Passaram-se quase dois anos de julgamentos e chicanas. Os réus contrataram as mais caras bancas de advocacia do país para defende-los, mesmo sempre com a certeza de que não seriam condenados. Afinal, a maioria dos ministros do Supremo fora indicada por gente da mesma raça deles. Gastaram muitos milhões de Reais mas, mesmo assim, a maioria dos réus foi condenada e apenada.

dúvida se o tempo de cadeia para alguns condenados não foi reduzido de forma deliberada por juízes da mesma jaça. É cruel, mas há muitas dúvidas. De toda forma, com a certeza de que a legislação penal brasileira permite empurrar certos julgamentos com a barriga, teve início a fase dos recursos: embargos declaratórios, embargos infringentes e, aguardem, pois ainda teremos a temporada de embargos dos embargos.

Existe certeza de que qualquer condenado precisa ser mi ou bilionário para manter a tropa de advogados sempre alerta e muito bem paga, de preferência em bancos de Paraísos Fiscais. E com mais um detalhe: condenados e advogados de defesa com conta na mesma agência.  Parece que essa estranha figura jurídica é chamada Evasão Legal de Divisas. Mas há quem duvide.

Poderíamos ficar confabulando sobre certezas e dúvidas durante séculos. Mas vou poupá-los dessa ameaça. Não consideramos as prisões que ora ocorrem, nem as que em breve deverão acontecer. Esquecemos das certezas de certos prisioneiros que desejam cumprir suas penas em um Resort no Taiti. Sequer lembramos das dúvidas de outros condenados, sobre em que faculdade deverão cursar o Mestrado de Roubos e Desvios, com área de concentração em Corrupção Administrada.

Espero que com essas dicas vocês passem a duvidar de todas as próprias certezas e plantem um grande pomar de dúvidas em si mesmos.

Cuidado com certezas em alta velocidade!

Cuidado com certezas em alta velocidade!

Internet: a ultrapassar o bom-senso


Nem Freud explica….

Por João Kohn, publicado no Facebook

João KohnPara começar, namoro há quase dois anos. Estou muito satisfeito com meu relacionamento e considero-me um cara de sorte por ter uma parceira tão companheira e leal a meu lado. Não me vejo terminando e “buscando outras pessoas pelo mercado” (melhor definição encontrada, considerando a atual conjuntura da nossa sociedade).

No último fim de semana, passei todos os dias com o celular desligado e não li o Whats App. No domingo, ao chegar em casa, botei meu telefone no carregador e me surpreendi com mais de 200 mensagens nos meus grupos. Fiquei surpreso, pois todos falavam de um único tema: o aplicativo “Lulu”, plataforma digital que permite a mulheres avaliarem os homens do Facebook, quanto à beleza, humor, qualidade do sexo, tamanho da caceta, etc. Pasmem, chegamos a esse ponto.

Antes da óbvia curiosidade em saber se tinha algo sobre mim, comentei em todas as conversas que achava tudo isso uma grande palhaçada. Algo que podia prejudicar a vida e o relacionamento de pessoas que não buscam qualquer tipo de exposição. Comentei, também, que se não fosse anônimo, deveria, ao menos, ser intrigante. Mas, sendo anônimo, deletaria qualquer avaliação dada a mim por não crer na “veracidade” de um dito “relatório“. Fui dormir e, até então, não sabia o que poderia ter no meu perfil, segundo o aplicativo.

Chegando no escritório, uma amiga do trabalho falou que havia visto a minha avaliação. Achei que era brincadeira. Afinal, como disse ao início desse post, namoro muito feliz há quase dois anos. Não achei possível que, após tanto tempo, ainda tivesse alguém falando algo de mim.

Independentemente da nota que tive, os vários hashtags marcados só poderiam transparecer três fatos:

  • Fiz muito mal “para” alguém;
  • Fiz muito mal “com” alguém; e
  • Recalque de alguém.

Considerando as três opções, garanto que não foi um grande fã quem me avaliou…

Para esse Ser, que defino como Passado – não como inimigo –, gostaria de dizer que sinto muito. Sinto se eu #ArrotoEPeido, se sou #FilhinhoDaMamãe, ou #PrefiroOVideoGame. Sinto, mais ainda, por #CurtirORomeroBritto (???).

Para as minhas amigas que estão usando essa nova “Pesquisa de Mercado“, repensem sobre a possibilidade de um aplicativo igual, mas para uso dos homens. Para quem não sabe, trabalho em uma aceleradora de empresas digitais e, pelos bastidores, corre um fortíssimo boato de que em breve virá uma bomba do sexo oposto.

Você, querida, que fala que seu ex-companheiro #NãoFazNemCócegas, imagine o hashtag que pode vir sobre “o cheiro da sua amiga” ou “a frouxidão do seu amigo“. Não quero nem imaginar se você estiver namorando alguém e sua paixão descobre que você #JáDeuParaTodosDaFaculdade ou que #DeVirgemSóTemOSigno.

Enfim, antes de avaliar os outros, olhe-se no espelho e reflita. Pergunte-se quão significante você é para definir e julgar quaisquer pessoas. Por mais que meu Humor seja 10, como me classificaram, minha esperança de ver um mundo melhor é 100!

Beijos e abraços, #Ursinho.

Tirando o conhecimento da gaveta


Distribuir conhecimento contribui com a educação profissional.

O principal foco deste site é manter a qualidade do ambiente e beneficiar a qualidade de vida de toda a sua biota, da qual fazem parte a Flora, a Fauna, o Ser Humano e outros organismos.

Um dos fatores de máxima importância nesse foco refere-se às licenças ambientais de novos projetos produtivos, em todos os setores da economia. As determinações legais de estudos ambientais específicos para as licenças estão corretas, sem a menor dúvida. No entanto, sua forma de aplicação é desgastante e dispendiosa. Por ser muitos mal gerida, afugenta importantes investidores privados.

Outro aspecto é a chamada “compra de licenças ambientais”. Dado que a União, Estados e Municípios podem ter seu próprio órgão público licenciador, são antigos e notórios os casos de corrupção nas relações entre investidor x funcionários públicos. Alguns criam dificuldades para “vender facilidades”.

Por fim, é comum a ocorrência de “guerras políticas” entre instâncias do poder. Um município diz que cabe a ele a concessão das licenças, mas o Estado a que pertence afirma que ele, o município, não possui competência delegada para tanto.

Acredita-se que enquanto o sistema de licenças ambientais não for considerado “uma genialidade da inteligência brasileira“, isto é, ser informatizado para operar na internet e ter as mesmas características e processos na União, Estados e Municípios, esses “vícios da burocracia” permanecerão a existir e quem pagará a conta dos desperdícios públicos será, como sempre, o bendito cidadão comum.

O lançamento do SLAN

Na noite de 17 de dezembro de 2003, foi lançado o livro “SLAN – Sistema de Licenciamento Ambiental Nacional: é possível” [1], com vistas a oferecer uma proposta objetiva para integrar e unificar os processos públicos do licenciamento ambiental no Brasil. Para tanto, foi realizado um evento na sede da Fundação Getulio Vargas, cidade do Rio de Janeiro.

Capa do SLAN

Coube ao Professor Dr. Paulo Nogueira-Neto [2], reconhecido e notório fundador do setor ambiental público no Brasil, redigir a abertura do livro, onde fez diversas considerações acerca de seu teor. Sobretudo, duas delas se destacam:

-– Foi com muita admiração e interesse que li o livro de Ricardo Kohn de Macedo, sobre ‘SLAN – Sistema de Licenciamento Ambiental Nacional: é possível’. Trata-se de um trabalho notável, verdadeiramente raro no seu gênero”.

-– Em resumo, a meu ver, este livro será uma importante fonte de sugestões e de inspiração, sobretudo para os Estados. O autor aliás prevê um ‘Estado-piloto’, no qual as propostas seriam primeiro implantadas. Além disso, haverá uma Rede Nacional para a Gestão Ambiental – RNGA, onde as informações ambientais estariam disponíveis via internet”.

Este esforço de integração e transparência pública permanece a ser necessário no país. Por esse motivo, decidiu-se ofertar aos interessados no tema os últimos exemplares do livro (cerca de 350), em condições especiais.

Estrutura do SLAN

De forma concisa, o conteúdo do Sistema de Licenciamento Ambiental Nacional, encontra-se assim detalhado no livro:

  • A definição do problema a enfrentar;
  • Os atores envolvidos com o problema;
  • Discussão de nove questões básicas decorrentes do sistema vigente;
  • Enunciado da solução do problema enfrentado;
  • Conteúdo detalhado da Etapas do SLAN: Licença Ambiental Preliminar; Licença Ambiental de Obras: Licença de Gestão Ambiental; Licença Ambiental de Operação; e Renovação da Licença Ambiental de Operação;
  • Relatórios Anuais de Gestão Ambiental;
  • Implantação e operacionalização do SLAN;
  • Discussão das mesmas noves questões decorrentes do SLAN.

Há dez anos, quando este livro foi lançado, seu autor tinha interesse em pelo menos pagar os custos da edição, o que conseguiu com uma pequena margem. Todavia, com a certeza de que a sociedade brasileira atual possui capacidade para trabalhar em conjunto, a partilhar experiências e conhecimentos adquiridos em décadas, oferece este trabalho (um pouco revolucionário para países emergentes) a preço de custo. Afinal, o setor ambiental brasileiro já possui mais de dois milhões de acadêmicos e profissionais atuantes nas Ciências do Ambiente.

Como adquirir o SLAN

O livro somente teve uma edição, a qual se encontra esgotada nas livrarias técnicas que o comercializaram. Os exemplares restantes encontram-se de posse do autor, mas podem ser adquiridos.

  • Cada exemplar do SLAN é adquirível por seu valor de custo: R$ 15,00 (quinze reais), acrescido das despesas da remessa pelos Correios.
  • O peso estimado do livro é de até 300 gramas, com medidas de 23 cm x 16 cm x 1,5 cm.
  • O Serviço de Correio para entrega do livro poderá ser por meio de Encomenda Comum (PAC) ou qualquer tipo de SEDEX, à escolha do adquirente.
  • Para calcular o valor da remessa acesse Correios e use como CEP de Origem “22050-012″.
  • O adquirente pode solicitar quantos livros desejar.
  • Através desse mesmo e-mail serão trocadas todas as informações necessárias à aquisição do Livro.

Para finalizar

Espera-se que, pela própria abordagem crítica adotada pelo autor do SLAN, tanto leigos, quanto especialistas, atuem socialmente para melhorar a si próprios e possam elucidar a terceiros acerca de técnicas, modelos e metodologias ambientais, que já são o fundamento do desenvolvimento estável de qualquer nação civilizada.

Outrossim, permanecer a repetir manchetes jornalísticas, muitas vezes duvidosas, equivale a anular a própria capacidade de reflexão crítica.


[1] MACEDO, R. K. “SLAN – Sistema de Licenciamento Ambiental Nacional: é possível”, editado por Kohän-Saagoyen. Rio de Janeiro, RJ. 207 p. 2003.

[2] Para obter informações sobre a história acadêmica e profissional do Professor Dr. Paulo Nogueira-Neto acesse “As florestas e os três profissionais de biodiversidade”.

Sobretudo, para quem gosta do Ambiente


Sobretudo, para quem gosta do Ambiente

Porém, útil a todos que seguem “Sobre o Ambiente”.

A empresa que concede espaço personalizado para nosso blog, acaba de oferecer mais uma facilidade gratuita, tanto para os responsáveis pelo site mas, sobretudo, para quem gosta de debates sobre Ciências do Ambiente, Política, Análise Crítica, Literatura e Filosofia que, afinal, são as linhas mestras de conteúdo que têm conduzido este espaço, desde maio de 2012, até agora.

Para os seguidores do blog a facilidade é simples de ser encontrada, mas complexa para ser produzida, em especial considerando os milhares ou milhões de blogs que residem em computadores desta empresa e estão disponíveis para o mundo, 24 horas por dia.

Trata-se do seguinte

Ao clicar no título de qualquer postagem do blog, o leitor encontra ao final do texto três outras postagens, relacionadas ao mesmo tema. Como já temos 618 textos postados, esta facilidade permite aos mais interessados a leitura de todos os artigos de “Sobre o Ambiente”.

A novidade para ler melhor o blog

A novidade para ler melhor o blog

Como estamos envolvidos em mais dois novos projetos editorias acadêmicos sobre Sustentabilidade do Ambiente, em breve poderemos informar a todos acerca de seu conteúdo.

Como se deu a transformação desse ambiente?

Como se deu a transformação desse ambiente?

Educação libertária


Educação libertária

Por Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Recebi, cá nas Maçãs, a notícia de que, em março de 2013, foi fundada uma faculdade de informática em Paris, cujo nome é École 42. Isso mesmo, Escola 42, uma alusão ao romance de Douglas Adams, “O Guia do viajante Galáctico”. Por sinal, não o adquiri, não o li e decerto nunca vou lê-lo. Mas, mesmo a desconhecer a motivação do nome da Escola, fiquei bastante interessado. E explico.

Chamou-me a atenção uma série de inventos que a Escola 42 oferece aos alunos que nela ingressam, após várias fases de rigorosa seleção. Segundo a notícia, o curso de informática tem cerca de três anos de duração e é gratuito. Mas há ainda um curso complementar de dois anos, para aqueles que desejarem montar suas próprias empresas. Os pretendentes aos cursos não precisam possuir qualquer diploma. Basta que saibam pensar.

Para o primeiro curso houve cerca de 60 mil inscrições, mas apenas mil foram selecionados neste ano. Todos entre 18 e 30 anos de idade. Assim, curiosíssimos, seguimos de carro até Paris – eu e Quincas – para conhecer a 42, aberta para “cursos que informatizam pessoas” desde julho passado.

Prédio da 42: Boulevard Bessières 96, com área de 4242 m2

Prédio da 42: Boulevard Bessières 96, com área de 4.242 metros quadrados

Mesmo depois de pedir muito, quase implorar, só nos foi permitida uma hora para visitar a 42, durante a tarde. Se fôssemos jornalistas de peso, decerto teríamos descoberto mais coisas. Mas, sem sermos da área, coube-nos apenas organizar nossas anotações e produzir este breve relato.

As tomadas fotográficas foram-nos cedidas por um coordenador de alguma função da Escola. Pela forte emoção que nos casou a estrutura e a proposta da 42, não guardamos seu nome e área de atuação. Que ele nos perdoe esse imperdoável esquecimento.

Relato da visita [1]

Xavier Niel [2] é o fundador e Presidente da 42. Investe em internet e telecomunicações há pelo menos 20 anos. Dizem as “más línguas” que, embora jovem, é um dos 10 franceses mais ricos do país. A 42 é uma de suas várias criações. Niel garantiu, a título de doação, de 20 a 50 milhões de Euros para os 10 primeiros anos de funcionamento da Escola. Dá para imaginar o que falam as “boas línguas” acerca dele.

Hall da Escola 42: limpo, claro e funcional. Precisaria mais?

Hall da Escola 42: limpo, claro e funcional. E precisaria mais?

O foco da Escola baseia-se na liberdade do aprendizado. Segundo Niel e seus pares, nos últimos tempos a educação na França tem declinado em qualidade. Acreditam que um dos fatores que motivaram essa queda é decorrente dos inúmeros defeitos da tradicional hierarquia “professor & aluno”.

Entretanto, acreditam que os jovens educandos do século 21 anseiam por definir, de forma independente, o que desejam aprender e em que profundidade. E é isso que a 42 oferece e, de certa forma, impõe a seus “aprendizes de programação”.

Salão para a seleção final dos candidatos – La Piscine

Salão para a seleção final dos candidatos – La Piscine

A Escola permanece aberta durante todo o ano, 24 horas por dia. Não possui salas de aula e professores, mas apenas tutores que orientam os alunos pelos caminhos que desejam trilhar na informática. A todos os pretendentes selecionados, “que não se afogaram em La Piscine”, são disponibilizadas máquinas, equipamentos e acessórios de última geração – vimos fileiras de mesas de trabalho portando 1.000 Macintosh!

Da mesma forma que o mercado de trabalho, durante todo o curso a Escola 42 faz demandas imprevistas a seus educandos. Eles precisam estar prontos para, a qualquer instante, serem avaliados, tal como as empresas fazem aleatoriamente com seus funcionários, por força das demandas do mercado de serviços.

Essa é a base de sua pedagogia: preparar seus aprendizes para conviver de acordo com a realidade. Por isso, trabalhos práticos são intensamente aplicados e os alunos devem buscar soluções através de pesquisas na internet e das relações de ajuda mútua que estabelecem entre si. Os tutores nunca informam “como fazer”, apenas os orientam aonde talvez encontrem a solução.

Área de imersão para a busca de soluções

Área de imersão para a busca de soluções

Segundo nos disse um dos tutores, muitos alunos da 42 permanecem em suas dependências. Praticamente acampam na Escola por longos períodos e dormem nas salas de trabalho.

Não há dúvida que a diretoria da École 42 está em busca de talentos, de gênios inovadores. Resta saber qual será a resposta de seus alunos face ao estresse que essa educação libertária poderá criar. Ou seja, diante dessa panela de alta pressão, qual poderá ser sua taxa anual de evasão.

A considerar a faixa da idade dos jovens aprendizes e de sua alucinação pela informática, esperamos que seja igual a zero.

Tudo nos leva a crer que a Escola 42 não está em busca de formar excelentes programadores, mas de descobrir criadores de soberbas e inesperadas soluções de informática.

Vista da cobertura do prédio da Escola 42

Vista da cobertura do prédio da Escola 42

Para os que desejarem mais informações sobre a 42, deixamos o endereço de seu site oficial, em “Born to Code”.

Para ver uma boa reportagem feita in loco, basta acessar Faculdade de informática em Paris inova em sistema educacional.


[1] Fontes de informação: visita à Escola 42, conversa com funcionários e entrevista com passantes pelo bulevar, acerca do que pensam sobre a 42. Ou seja, factos vividos e experimentados.

[2] Xavier Niel é um autodidata que montou o primeiro provedor de acesso à Internet na França: Worldnet. Atua nas áreas da telemática, da Internet e das telecomunicações. É um grande investidor em startups, a promover a aceleração de até 100 novas empresas por ano.

Uma irretocável aula de matemática


Muito antiga, mas sempre funciona…

Um gaúcho, dono de um pequeno rancho no sul do país, nas bandas do Alegrete, tinha 17 cavalos e 3 filhos. Porém, infelizmente faleceu. Quando o testamento foi aberto, dizia que metade dos cavalos ficaria para o filho mais velho, um terço para o do meio e um nono dos equinos para o caçula.

─ O que deveriam fazer? …

A herança

A herança

Se eram dezessete cavalos, como dar metade ao filho mais velho? Será que um dos animais deveria ser cortado ao meio?! …

Tal decisão não iria resolver o problema, porque um terço deveria ser dado ao segundo filho. E a nona parte dos cavalos entregue ao caçula.

É claro que os três filhos correram em busca do homem mais erudito na cidade, que fosse muito estudioso, além de matemático.

Procuraram o prefeito, como sempre ignorante. Então foram ao Juiz da Comarca, que disse só ter embasamento em legislação. Mas, mesmo assim, resignado tentou. Ele raciocinou muito, mas não conseguiu encontrar a solução, já que a mesma é de matemática.

A cidade já estava em polvorosa, quando então alguém sugeriu:

─ Olha lá, vem vindo um oficial de cavalaria montado em seu cavalo.

Perguntaram-lhe se ele entendia de matemática, pois de cavalo ele parecia ser bom. O oficial disse:

─ “Sou 2º tesoureiro do 3º Comando de Cavalaria. Me digam qual é o problema”.

Passaram-lhe o problema e o oficial sorriu:

─ “É muito simples, não se preocupem“.

Emprestou seu cavalo aos herdeiros – como eram 17 cavalos herdados, agora os irmãos ficaram com 18. Depois o oficial fez a divisão. Nove foram dados ao primeiro filho, que ficou satisfeito. Ao segundo coube a terça parte – seis cavalos – e ao terceiro filho foram dados os dois cavalos, conforme o testamento – a nona parte. Sobrou um cavalo: o que fora emprestado.

O oficial pegou seu cavalo de volta e disse:

─ “Agora podem seguir, a divisão está feita e o testamento cumprido. Recebam meus sentimentos“.

Os cálculos do cavaleiro

17 herdados + 1 emprestado = 18 cavalos para dividir entre três herdeiros.

─ O primeiro filho recebeu seus 9 animais → 18/2.

─ O segundo, recebeu 6 animais → 18/3.

─ O primeiro filho recebeu 2 animais → 18/9.

Cumprido o testamento: 9 + 6 + 2= 17 cavalos.

─ 18 – 17, sobrou 1 cavalo, por sinal o emprestado, que foi devolvido ao oficial.

Esta história simples serve para ilustrar a diferença entre sabedoria e erudição. Ela conclui dizendo: “A sabedoria é prática, o que não acontece com a erudição. A cultura é abstrata, a sabedoria é terrena; a erudição são palavras e a sabedoria é experiência“.

Nota: Isto também funciona com jegues, mulas, antas, toupeiras, burros e jumentos.

Beatles, história de 44 anos


Há 44 anos eles atravessaram a Abbey Road.

Era 8 de agosto de 1969 quando os Beatles se reuniram para lançar mais um novo álbum. Viria a ser motivo de um dos seus últimos ensaios fotográficos juntos.

Nessa época Paul McCartney já decidia muitas coisas da banda, mas tudo era complicado. Reunir todos os membros era bastante difícil. Sair para negociar, agendar horários, marcar encontros, conseguir que todos estivessem presentes, nada disso acontecia sem boas doses de desgastes. Talvez o único que ainda queria ser Beatle fosse Ringo.

Foi de Paul a ideia e iniciativa de fotografar a capa do álbum naquela exata faixa de pedestres da Abbey Road.

Rascunho de Paul para a capa

Rascunho de Paul para a capa

O fotógrafo escocês Iain Stewart Macmillan foi chamado para executar o trabalho. Antes de começar, Iain fez uma tomada da rua vazia. Precisava “ver no papel” o ambiente da ideia de Paul.

A Abbey Road vazia

A Abbey Road vazia

Linda McCartney também tirou mais de uma dúzia de fotos do grupo e “dos preparativos”, enquanto o quarteto aguardava o ensaio começar:

Paul e Ringo, by Linda McCartney

Paul e Ringo, by Linda McCartney

The "bunch of kooks", by Linda

The “bunch of kooks”, by Linda – fora de foco…

John e Paul, by Linda McCartney

John e Paul, by Linda McCartney

Iain Macmillan fez seis tomadas da banda atravessando a rua nos dois sentidos. Mas apenas uma indicava o equilíbrio dos Beatles em termos de suas posições, passadas largas e sua desorganização natural. Segue a imagem selecionada e uma das que não serviu para nada…

Foto da capa selecionada por Paul

Foto da capa selecionada por Paul

A quarta tentativa de Iain

A quarta tentativa de Iain

A história fez a sua parte após desse evento. Ninguém imaginava que os Beatles chegariam ao fim alguns dias depois. Nem o fã mais pessimista, nem mesmo John Lennon, “que declarou numa reunião seu desejo de sair da banda, por força das ambições de George Harrison em ter mais espaço para compor”.

Na foto selecionada, atrás do perfil de George, há um Fusca com placa LMW 281F. Após o lançamento do álbum a placa foi roubada repetidas vezes, até o carro ser leiloado em 1986. Foi arrematado por £2.530. Atualmente ele se encontra no museu da Volkswagen, Alemanha.

O Fusca Abbey Road ainda existe

O Fusca Abbey Road ainda existe

Fica aqui o registro. A incrível história do fim da vida de uma banda que dificilmente se repetirá no planeta com a mesma intensidade. Assistam a Come Together.