Tirando o conhecimento da gaveta


Distribuir conhecimento contribui com a educação profissional.

O principal foco deste site é manter a qualidade do ambiente e beneficiar a qualidade de vida de toda a sua biota, da qual fazem parte a Flora, a Fauna, o Ser Humano e outros organismos.

Um dos fatores de máxima importância nesse foco refere-se às licenças ambientais de novos projetos produtivos, em todos os setores da economia. As determinações legais de estudos ambientais específicos para as licenças estão corretas, sem a menor dúvida. No entanto, sua forma de aplicação é desgastante e dispendiosa. Por ser muitos mal gerida, afugenta importantes investidores privados.

Outro aspecto é a chamada “compra de licenças ambientais”. Dado que a União, Estados e Municípios podem ter seu próprio órgão público licenciador, são antigos e notórios os casos de corrupção nas relações entre investidor x funcionários públicos. Alguns criam dificuldades para “vender facilidades”.

Por fim, é comum a ocorrência de “guerras políticas” entre instâncias do poder. Um município diz que cabe a ele a concessão das licenças, mas o Estado a que pertence afirma que ele, o município, não possui competência delegada para tanto.

Acredita-se que enquanto o sistema de licenças ambientais não for considerado “uma genialidade da inteligência brasileira“, isto é, ser informatizado para operar na internet e ter as mesmas características e processos na União, Estados e Municípios, esses “vícios da burocracia” permanecerão a existir e quem pagará a conta dos desperdícios públicos será, como sempre, o bendito cidadão comum.

O lançamento do SLAN

Na noite de 17 de dezembro de 2003, foi lançado o livro “SLAN – Sistema de Licenciamento Ambiental Nacional: é possível” [1], com vistas a oferecer uma proposta objetiva para integrar e unificar os processos públicos do licenciamento ambiental no Brasil. Para tanto, foi realizado um evento na sede da Fundação Getulio Vargas, cidade do Rio de Janeiro.

Capa do SLAN

Coube ao Professor Dr. Paulo Nogueira-Neto [2], reconhecido e notório fundador do setor ambiental público no Brasil, redigir a abertura do livro, onde fez diversas considerações acerca de seu teor. Sobretudo, duas delas se destacam:

-– Foi com muita admiração e interesse que li o livro de Ricardo Kohn de Macedo, sobre ‘SLAN – Sistema de Licenciamento Ambiental Nacional: é possível’. Trata-se de um trabalho notável, verdadeiramente raro no seu gênero”.

-– Em resumo, a meu ver, este livro será uma importante fonte de sugestões e de inspiração, sobretudo para os Estados. O autor aliás prevê um ‘Estado-piloto’, no qual as propostas seriam primeiro implantadas. Além disso, haverá uma Rede Nacional para a Gestão Ambiental – RNGA, onde as informações ambientais estariam disponíveis via internet”.

Este esforço de integração e transparência pública permanece a ser necessário no país. Por esse motivo, decidiu-se ofertar aos interessados no tema os últimos exemplares do livro (cerca de 350), em condições especiais.

Estrutura do SLAN

De forma concisa, o conteúdo do Sistema de Licenciamento Ambiental Nacional, encontra-se assim detalhado no livro:

  • A definição do problema a enfrentar;
  • Os atores envolvidos com o problema;
  • Discussão de nove questões básicas decorrentes do sistema vigente;
  • Enunciado da solução do problema enfrentado;
  • Conteúdo detalhado da Etapas do SLAN: Licença Ambiental Preliminar; Licença Ambiental de Obras: Licença de Gestão Ambiental; Licença Ambiental de Operação; e Renovação da Licença Ambiental de Operação;
  • Relatórios Anuais de Gestão Ambiental;
  • Implantação e operacionalização do SLAN;
  • Discussão das mesmas noves questões decorrentes do SLAN.

Há dez anos, quando este livro foi lançado, seu autor tinha interesse em pelo menos pagar os custos da edição, o que conseguiu com uma pequena margem. Todavia, com a certeza de que a sociedade brasileira atual possui capacidade para trabalhar em conjunto, a partilhar experiências e conhecimentos adquiridos em décadas, oferece este trabalho (um pouco revolucionário para países emergentes) a preço de custo. Afinal, o setor ambiental brasileiro já possui mais de dois milhões de acadêmicos e profissionais atuantes nas Ciências do Ambiente.

Como adquirir o SLAN

O livro somente teve uma edição, a qual se encontra esgotada nas livrarias técnicas que o comercializaram. Os exemplares restantes encontram-se de posse do autor, mas podem ser adquiridos.

  • Cada exemplar do SLAN é adquirível por seu valor de custo: R$ 15,00 (quinze reais), acrescido das despesas da remessa pelos Correios.
  • O peso estimado do livro é de até 300 gramas, com medidas de 23 cm x 16 cm x 1,5 cm.
  • O Serviço de Correio para entrega do livro poderá ser por meio de Encomenda Comum (PAC) ou qualquer tipo de SEDEX, à escolha do adquirente.
  • Para calcular o valor da remessa acesse Correios e use como CEP de Origem “22050-012″.
  • O adquirente pode solicitar quantos livros desejar.
  • Através desse mesmo e-mail serão trocadas todas as informações necessárias à aquisição do Livro.

Para finalizar

Espera-se que, pela própria abordagem crítica adotada pelo autor do SLAN, tanto leigos, quanto especialistas, atuem socialmente para melhorar a si próprios e possam elucidar a terceiros acerca de técnicas, modelos e metodologias ambientais, que já são o fundamento do desenvolvimento estável de qualquer nação civilizada.

Outrossim, permanecer a repetir manchetes jornalísticas, muitas vezes duvidosas, equivale a anular a própria capacidade de reflexão crítica.


[1] MACEDO, R. K. “SLAN – Sistema de Licenciamento Ambiental Nacional: é possível”, editado por Kohän-Saagoyen. Rio de Janeiro, RJ. 207 p. 2003.

[2] Para obter informações sobre a história acadêmica e profissional do Professor Dr. Paulo Nogueira-Neto acesse “As florestas e os três profissionais de biodiversidade”.

Sobretudo, para quem gosta do Ambiente


Sobretudo, para quem gosta do Ambiente

Porém, útil a todos que seguem “Sobre o Ambiente”.

A empresa que concede espaço personalizado para nosso blog, acaba de oferecer mais uma facilidade gratuita, tanto para os responsáveis pelo site mas, sobretudo, para quem gosta de debates sobre Ciências do Ambiente, Política, Análise Crítica, Literatura e Filosofia que, afinal, são as linhas mestras de conteúdo que têm conduzido este espaço, desde maio de 2012, até agora.

Para os seguidores do blog a facilidade é simples de ser encontrada, mas complexa para ser produzida, em especial considerando os milhares ou milhões de blogs que residem em computadores desta empresa e estão disponíveis para o mundo, 24 horas por dia.

Trata-se do seguinte

Ao clicar no título de qualquer postagem do blog, o leitor encontra ao final do texto três outras postagens, relacionadas ao mesmo tema. Como já temos 618 textos postados, esta facilidade permite aos mais interessados a leitura de todos os artigos de “Sobre o Ambiente”.

A novidade para ler melhor o blog

A novidade para ler melhor o blog

Como estamos envolvidos em mais dois novos projetos editorias acadêmicos sobre Sustentabilidade do Ambiente, em breve poderemos informar a todos acerca de seu conteúdo.

Como se deu a transformação desse ambiente?

Como se deu a transformação desse ambiente?

Educação libertária


Educação libertária

Por Simão-pescador, Praia das Maçãs.

Recebi, cá nas Maçãs, a notícia de que, em março de 2013, foi fundada uma faculdade de informática em Paris, cujo nome é École 42. Isso mesmo, Escola 42, uma alusão ao romance de Douglas Adams, “O Guia do viajante Galáctico”. Por sinal, não o adquiri, não o li e decerto nunca vou lê-lo. Mas, mesmo a desconhecer a motivação do nome da Escola, fiquei bastante interessado. E explico.

Chamou-me a atenção uma série de inventos que a Escola 42 oferece aos alunos que nela ingressam, após várias fases de rigorosa seleção. Segundo a notícia, o curso de informática tem cerca de três anos de duração e é gratuito. Mas há ainda um curso complementar de dois anos, para aqueles que desejarem montar suas próprias empresas. Os pretendentes aos cursos não precisam possuir qualquer diploma. Basta que saibam pensar.

Para o primeiro curso houve cerca de 60 mil inscrições, mas apenas mil foram selecionados neste ano. Todos entre 18 e 30 anos de idade. Assim, curiosíssimos, seguimos de carro até Paris – eu e Quincas – para conhecer a 42, aberta para “cursos que informatizam pessoas” desde julho passado.

Prédio da 42: Boulevard Bessières 96, com área de 4242 m2

Prédio da 42: Boulevard Bessières 96, com área de 4.242 metros quadrados

Mesmo depois de pedir muito, quase implorar, só nos foi permitida uma hora para visitar a 42, durante a tarde. Se fôssemos jornalistas de peso, decerto teríamos descoberto mais coisas. Mas, sem sermos da área, coube-nos apenas organizar nossas anotações e produzir este breve relato.

As tomadas fotográficas foram-nos cedidas por um coordenador de alguma função da Escola. Pela forte emoção que nos casou a estrutura e a proposta da 42, não guardamos seu nome e área de atuação. Que ele nos perdoe esse imperdoável esquecimento.

Relato da visita [1]

Xavier Niel [2] é o fundador e Presidente da 42. Investe em internet e telecomunicações há pelo menos 20 anos. Dizem as “más línguas” que, embora jovem, é um dos 10 franceses mais ricos do país. A 42 é uma de suas várias criações. Niel garantiu, a título de doação, de 20 a 50 milhões de Euros para os 10 primeiros anos de funcionamento da Escola. Dá para imaginar o que falam as “boas línguas” acerca dele.

Hall da Escola 42: limpo, claro e funcional. Precisaria mais?

Hall da Escola 42: limpo, claro e funcional. E precisaria mais?

O foco da Escola baseia-se na liberdade do aprendizado. Segundo Niel e seus pares, nos últimos tempos a educação na França tem declinado em qualidade. Acreditam que um dos fatores que motivaram essa queda é decorrente dos inúmeros defeitos da tradicional hierarquia “professor & aluno”.

Entretanto, acreditam que os jovens educandos do século 21 anseiam por definir, de forma independente, o que desejam aprender e em que profundidade. E é isso que a 42 oferece e, de certa forma, impõe a seus “aprendizes de programação”.

Salão para a seleção final dos candidatos – La Piscine

Salão para a seleção final dos candidatos – La Piscine

A Escola permanece aberta durante todo o ano, 24 horas por dia. Não possui salas de aula e professores, mas apenas tutores que orientam os alunos pelos caminhos que desejam trilhar na informática. A todos os pretendentes selecionados, “que não se afogaram em La Piscine”, são disponibilizadas máquinas, equipamentos e acessórios de última geração – vimos fileiras de mesas de trabalho portando 1.000 Macintosh!

Da mesma forma que o mercado de trabalho, durante todo o curso a Escola 42 faz demandas imprevistas a seus educandos. Eles precisam estar prontos para, a qualquer instante, serem avaliados, tal como as empresas fazem aleatoriamente com seus funcionários, por força das demandas do mercado de serviços.

Essa é a base de sua pedagogia: preparar seus aprendizes para conviver de acordo com a realidade. Por isso, trabalhos práticos são intensamente aplicados e os alunos devem buscar soluções através de pesquisas na internet e das relações de ajuda mútua que estabelecem entre si. Os tutores nunca informam “como fazer”, apenas os orientam aonde talvez encontrem a solução.

Área de imersão para a busca de soluções

Área de imersão para a busca de soluções

Segundo nos disse um dos tutores, muitos alunos da 42 permanecem em suas dependências. Praticamente acampam na Escola por longos períodos e dormem nas salas de trabalho.

Não há dúvida que a diretoria da École 42 está em busca de talentos, de gênios inovadores. Resta saber qual será a resposta de seus alunos face ao estresse que essa educação libertária poderá criar. Ou seja, diante dessa panela de alta pressão, qual poderá ser sua taxa anual de evasão.

A considerar a faixa da idade dos jovens aprendizes e de sua alucinação pela informática, esperamos que seja igual a zero.

Tudo nos leva a crer que a Escola 42 não está em busca de formar excelentes programadores, mas de descobrir criadores de soberbas e inesperadas soluções de informática.

Vista da cobertura do prédio da Escola 42

Vista da cobertura do prédio da Escola 42

Para os que desejarem mais informações sobre a 42, deixamos o endereço de seu site oficial, em “Born to Code”.

Para ver uma boa reportagem feita in loco, basta acessar Faculdade de informática em Paris inova em sistema educacional.


[1] Fontes de informação: visita à Escola 42, conversa com funcionários e entrevista com passantes pelo bulevar, acerca do que pensam sobre a 42. Ou seja, factos vividos e experimentados.

[2] Xavier Niel é um autodidata que montou o primeiro provedor de acesso à Internet na França: Worldnet. Atua nas áreas da telemática, da Internet e das telecomunicações. É um grande investidor em startups, a promover a aceleração de até 100 novas empresas por ano.

Uma irretocável aula de matemática


Muito antiga, mas sempre funciona…

Um gaúcho, dono de um pequeno rancho no sul do país, nas bandas do Alegrete, tinha 17 cavalos e 3 filhos. Porém, infelizmente faleceu. Quando o testamento foi aberto, dizia que metade dos cavalos ficaria para o filho mais velho, um terço para o do meio e um nono dos equinos para o caçula.

─ O que deveriam fazer? …

A herança

A herança

Se eram dezessete cavalos, como dar metade ao filho mais velho? Será que um dos animais deveria ser cortado ao meio?! …

Tal decisão não iria resolver o problema, porque um terço deveria ser dado ao segundo filho. E a nona parte dos cavalos entregue ao caçula.

É claro que os três filhos correram em busca do homem mais erudito na cidade, que fosse muito estudioso, além de matemático.

Procuraram o prefeito, como sempre ignorante. Então foram ao Juiz da Comarca, que disse só ter embasamento em legislação. Mas, mesmo assim, resignado tentou. Ele raciocinou muito, mas não conseguiu encontrar a solução, já que a mesma é de matemática.

A cidade já estava em polvorosa, quando então alguém sugeriu:

─ Olha lá, vem vindo um oficial de cavalaria montado em seu cavalo.

Perguntaram-lhe se ele entendia de matemática, pois de cavalo ele parecia ser bom. O oficial disse:

─ “Sou 2º tesoureiro do 3º Comando de Cavalaria. Me digam qual é o problema”.

Passaram-lhe o problema e o oficial sorriu:

─ “É muito simples, não se preocupem“.

Emprestou seu cavalo aos herdeiros – como eram 17 cavalos herdados, agora os irmãos ficaram com 18. Depois o oficial fez a divisão. Nove foram dados ao primeiro filho, que ficou satisfeito. Ao segundo coube a terça parte – seis cavalos – e ao terceiro filho foram dados os dois cavalos, conforme o testamento – a nona parte. Sobrou um cavalo: o que fora emprestado.

O oficial pegou seu cavalo de volta e disse:

─ “Agora podem seguir, a divisão está feita e o testamento cumprido. Recebam meus sentimentos“.

Os cálculos do cavaleiro

17 herdados + 1 emprestado = 18 cavalos para dividir entre três herdeiros.

─ O primeiro filho recebeu seus 9 animais → 18/2.

─ O segundo, recebeu 6 animais → 18/3.

─ O primeiro filho recebeu 2 animais → 18/9.

Cumprido o testamento: 9 + 6 + 2= 17 cavalos.

─ 18 – 17, sobrou 1 cavalo, por sinal o emprestado, que foi devolvido ao oficial.

Esta história simples serve para ilustrar a diferença entre sabedoria e erudição. Ela conclui dizendo: “A sabedoria é prática, o que não acontece com a erudição. A cultura é abstrata, a sabedoria é terrena; a erudição são palavras e a sabedoria é experiência“.

Nota: Isto também funciona com jegues, mulas, antas, toupeiras, burros e jumentos.

Beatles, história de 44 anos


Há 44 anos eles atravessaram a Abbey Road.

Era 8 de agosto de 1969 quando os Beatles se reuniram para lançar mais um novo álbum. Viria a ser motivo de um dos seus últimos ensaios fotográficos juntos.

Nessa época Paul McCartney já decidia muitas coisas da banda, mas tudo era complicado. Reunir todos os membros era bastante difícil. Sair para negociar, agendar horários, marcar encontros, conseguir que todos estivessem presentes, nada disso acontecia sem boas doses de desgastes. Talvez o único que ainda queria ser Beatle fosse Ringo.

Foi de Paul a ideia e iniciativa de fotografar a capa do álbum naquela exata faixa de pedestres da Abbey Road.

Rascunho de Paul para a capa

Rascunho de Paul para a capa

O fotógrafo escocês Iain Stewart Macmillan foi chamado para executar o trabalho. Antes de começar, Iain fez uma tomada da rua vazia. Precisava “ver no papel” o ambiente da ideia de Paul.

A Abbey Road vazia

A Abbey Road vazia

Linda McCartney também tirou mais de uma dúzia de fotos do grupo e “dos preparativos”, enquanto o quarteto aguardava o ensaio começar:

Paul e Ringo, by Linda McCartney

Paul e Ringo, by Linda McCartney

The "bunch of kooks", by Linda

The “bunch of kooks”, by Linda – fora de foco…

John e Paul, by Linda McCartney

John e Paul, by Linda McCartney

Iain Macmillan fez seis tomadas da banda atravessando a rua nos dois sentidos. Mas apenas uma indicava o equilíbrio dos Beatles em termos de suas posições, passadas largas e sua desorganização natural. Segue a imagem selecionada e uma das que não serviu para nada…

Foto da capa selecionada por Paul

Foto da capa selecionada por Paul

A quarta tentativa de Iain

A quarta tentativa de Iain

A história fez a sua parte após desse evento. Ninguém imaginava que os Beatles chegariam ao fim alguns dias depois. Nem o fã mais pessimista, nem mesmo John Lennon, “que declarou numa reunião seu desejo de sair da banda, por força das ambições de George Harrison em ter mais espaço para compor”.

Na foto selecionada, atrás do perfil de George, há um Fusca com placa LMW 281F. Após o lançamento do álbum a placa foi roubada repetidas vezes, até o carro ser leiloado em 1986. Foi arrematado por £2.530. Atualmente ele se encontra no museu da Volkswagen, Alemanha.

O Fusca Abbey Road ainda existe

O Fusca Abbey Road ainda existe

Fica aqui o registro. A incrível história do fim da vida de uma banda que dificilmente se repetirá no planeta com a mesma intensidade. Assistam a Come Together.

Honestidade de expressão


A lógica da informação.

Desde o início do século 21 fala-se muito sobre o direito do cidadão em expressar suas ideias, opiniões, sugestões e convicções. Trata-se da chamada liberdade de expressão, normal nas democracias modernas. Porém, cremos que há muito a ponderar sobre esse tema. Nunca a partir dos preceitos estabelecidos em lei, mas sempre pela lógica racional.

No Brasil, desde 1884, a liberdade de expressão constitui direito definido pela Constituição do Império. Direito que somente foi extirpado durante a ditadura de Vargas e as do período militar. Períodos em que a liberdade de expor o pensamento foi castrada pela censura, por ações arbitrárias e até mesmo pelo uso irracional da violência. Enfim, uma completa falta de lógica.

Qual é a lógica dessa porcaria?

Qual é a lógica dessa porcaria?

Mudanças foram realizadas em relação a liberdade de expressão a partir da Constituição de 1988. Demagogicamente, quando a expressão foi libertada, voltou a ser um direito inalienável de todos os cidadãos brasileiros. Em tese, esse nobre desejo – a liberdade – constitui requisito básico para a existência de sociedades democráticas e civilizadas. Mesmo assim, ainda lhe falta a maldita lógica.

Quando a informação é algemada

Quando a informação é algemada

A lógica da liberdade de expressão

Seja de um cidadão isolado ou de uma grande empresa da mídia, a liberdade de expressão deve seguir a lógica dos princípios da sociabilidade: qualquer publicação ou discurso não pode conter falácias, deve ser honesta, objetiva e clara, além de oferecer ao público todas as informações disponíveis sobre assunto tratado. Afinal, embora possa cansar o leitor, o que abunda não prejudica – quod abundant non nocet.

Desta forma, o conteúdo da liberdade de expressão deve ser a exata medida da honestidade do redator. Omissões casuais precisam ser revistas e esgotadas. Omissões dolosas, punidas pelo esquecimento de seu público. Assim, optamos por ir além da simples liberdade e adotar o termo Honestidade de Expressão, o qual consideramos mais completo.

Rumo a uma nova marca

Achamos que o ultrapassado lema positivista da bandeira brasileira – Ordem e Progresso – precisa ser atualizado com certa urgência. Uma vez que ambos os “tags” teimam em não funcionar desde quando foram criados, em 1889, propomos uma nova visão dos valores nacionais desejados por sua população – “Liberty and Honesty” –, com vistas a dotar o país de maior credibilidade internacional, e trazer a reboque investimentos produtivos que aumentem seus futuros parceiros no comércio bilateral.

Decerto alguns países acreditarão nesse “novo grito de independência”. Restará à nação, e somente à nação, erigir um Estado que realmente a represente, bem como seja capaz de realizar e de demonstrar a seriedade do teor desse grito ao mundo.

Para tanto, a sociedade brasileira precisará renovar a lógica de sua honestidade.

O neurônio político


Não funciona por que é solitário e chega a ser cômico.

Por Zik Sênior, o eremita.

Zik Sênior

Zik Sênior

Tenho acompanhado pelos jornais os acontecimentos políticos mundiais, com ênfase para os que ocorrem no Brasil. Aos 104 anos de idade tenho todo o tempo do mundo para ler e fazer pesquisas pela internet.

Foi assim que descobri um espaço digital que só trata de conversas e falações de políticos. Em cada texto o jornalista faz comentários quase sempre cômicos sobre o autor. Trata-se do Sanatório Geral, que é uma seção do blog de Augusto Nunes. Não sei quantos prédios, alas e salas tem este Sanatório, mas decerto é gigantesco, pois a quantidade de pacientes e das besteiras proferidas é muito grande e diária. Uma solenidade de asnices sem fim.

Ontem fiquei durante mais de 12 horas estupefato ao ler as falações políticas proferidas, bem como as chacotas provocantes de Augusto. Imaginem, compilei, mesmo com bastante seletividade, cerca de 13 páginas de asneiras monumentais!

Como seus autores são muito variados, assim como as circunstâncias e temas sobre o que falaram, optei por apresentar apenas um autor, que se destaca sobremaneira na sua forma inteligente de fazer política.

Transcrevo a seguir, como mais um registro de minha passagem neste planeta, algumas falas da Sra. Dilma Rousseff, candidata à reeleição para a Presidência da República. Todas têm um título, a data em que foi proferida e as considerações do Sanatório. Saliento o fato de que não consegui descobrir quem é um tal de “Celso Arnaldo”, sempre citado pelo Sanatório. Acho que só pode ser um diretor executivo da instituição.

A esperar a licença do jornalista Augusto Nunes e equipe, mas com respeito, e obviamente sem cerimônia, reproduzo uma pequena parcela de seu rico material informativo. A sátira é ancestral e verdadeira. Portanto, receba meus parabéns pela criatividade do que é capaz de nos apresentar, com base em fatos corriqueiros da nossa putrefata democracia.

Seguem, grafados em bege, discursos, verborreias e textos da “presidenta”.

Neurônio em parafuso, em 07/08/2013

“E é essa a forma pela qual um país vira uma grande nação, porque uma coisa é um grande país, outra coisa é uma grande nação. Uma grande nação é grande porque a sua população é grande. E nós só podemos ser de fato um país desenvolvido, não é se o nosso PIB crescesse – é também –, não é só se nós descobrimos mais riquezas, é também, mas é, sobretudo, se nós mudarmos radicalmente a qualidade da educação prestada às crianças e aos jovens deste país, e também aos adultos, porque também adulto não pode pará (sic) de estudar, não”.

Hoje, na cerimônia de inauguração do campus avançado da Universidade Federal de Alfenas, internada por Celso Arnaldo ao dar um exemplo extraordinário de adulto que parou de estudar e chegou à Presidência da República.

Neurônio espacial, em 18/07/2013

“Se a gente for olhar essas manifestações de junho, nós vamos ver que elas foram feitas por quê? Por que elas foram feitas? Por causa do seguinte: uma característica do ser humano nos distingue e nos transforma em capazes de fazer, de sair da idade do bronze e colocar um voo na lua. Qual é essa característica? É querer mais, é cada vez querer mais, como aquele pessoal que você tentava e tentava”.

Nesta quinta-feira, durante inauguração de estações do metrô de Fortaleza, internada por Celso Arnaldo ao revelar que os manifestantes de junho pararam o Brasil porque agora querem ir da Idade da Pedra a Marte.

Antecipando o antecipado, em 04/06/2013

“Mas hoje eu queria antecipar – até porque eu falei disso ontem – algumas, praticamente uma questão, que engloba tudo o que eu vou antecipar”.

Na cerimônia de lançamento do Plano Agrícola e Pecuário 2013/2014, internada por Celso Arnaldo ao antecipar o que já foi antecipado antes de ser antecipado novamente.

Neurônio atrapalhado, em 15/05/2013

“Porém esse processo está sub judice, e a MP que define essa parte, essa parte dos royalties que é royalties, participações… essa parte da lei, aliás royalties, participações especiais e os recursos do pré-sal, destina à educação… essa lei, ela está parada porque ela está sub judice. O Supremo Tribunal está avaliando essa questão, se é ou não é inconstitucional ou não”.

Tentando dizer alguma coisa sobre royalties numa variação do dilmês ainda não catalogada por Celso Arnaldo.

Neurônio de porre, em 11/05/2013

“E hoje aqui eu aproveito a posse do ministro para mais uma vez – eu fiz esse anúncio, ali quando eu compareci em São Paulo à posse da Associação Comercial de São Paulo e do presidente da Federação de Associações Comerciais do Estado de São Paulo – eu fiz um anúncio que foi que nós estamos reduzindo os juros desses empréstimos de 8% para 5%, portanto juro zero”.

Na posse de Guilherme Afif Domingos, revelando em dilmês de botequim que, para o neurônio solitário, 5% é igual a zero.

Neurônio ministeriável, em 10/05/2013

“E por que um novo ministério? No Brasil nós temos de ter e de reconhecer que é necessário um processo de expansão para depois abrir um processo de redução e assinamento”.

Na cerimônia de posse de Guilherme Afif Domingos, titular da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, o 39º ministério de seu governo, internada por Celso Arnaldo ao insinuar que, antes de se saber o que é “assinamento”, vamos chegar fácil aos 50º.

[Neurônio] Não entendeu, em 07/05/2013

“Mas voltando desse parêntese, a destinação dos royalties do petróleo. Ela não é trivial. Eu enviei para o Congresso quando vetei a medida, aliás, vetei parte da Lei dos Portos, dos Portos não, dos Royalties, e era do Petróleo, que mudava os contratos para trás, em uma afirmação que o Brasil tem que respeitar contratos gostando dos contratos ou não, não é uma questão de vontade, é uma questão de respeito à lei. Porém esse processo está sub judice, e a MP que define essa parte, essa parte dos royalties que é royalties, participações… essa parte da lei, aliás royalties, participações especiais e os recursos do pré-sal, destina à educação… essa lei, ela está parada porque ela está sub judice. O Supremo Tribunal está avaliando essa questão, se é ou não é inconstitucional ou não”.

Na posse da nova diretoria da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo, internada por Celso Arnaldo ao insinuar aos empresários presentes que a lei dos royalties ainda está sub judice no Supremo porque nenhum ministro entendeu o que a presidente quis dizer e persiste a dúvida se é ela inconstitucional ou não ou vice-versa.

Como é que é?, em 05/05/2013

“E nós, agora, estamos fazendo por um método brasileiro. Me desculpem… Não, não vou falar isso, não, porque é uma dó. É um método brasileiro que é o seguinte. Nós, agora, construímos e já beneficiamos… a gente não constrói… por exemplo, nós construímos um trecho e entregamos, e ele já dá água. Aí construímos outro e entregamos, e ele continua dando água, porque antes você construía o primeiro e o terceiro, e aí você não tinha um intermediário. Agora nós construímos por módulos. Eu chamo de sistema brasileiro para não chamar sistema de outro país. Eu não posso falar o outro país. Mas é… o sistema nosso agora é um sistema brasileiro, bem inteligente. Ficou bem inteligente o nosso sistema”.

Ao tentar explicar como é o novo e revolucionário sistema brasileiro de combate à seca, deixando claro que, se depender do neurônio solitário, o Nordeste inteiro vai morrer de sede.

Neurônio criativo, em 27/04/2013

“Por exemplo, eu vou dar um exemplo, morreu muita criação. Morreu muita galinha, morreu cabra, morreu boi, morreu criação. Então, nós vamos ter de retomar. Nós vamos criar um programa para retomar a criação. Justamente o bovino, tem de recuperar a criação. A mesma coisa com semente. Nós perdemos todas as sementes. E nós vamos voltar a distribuir”.

Diretamente do Portal do Planalto, avisando que, assim que chover no Nordeste, o governo vai semear bovinos, colher galinhas, criar sementes e plantar cabras.

Neurônio doentio, em 23/04/2013

“Nós colocamos à disposição das pessoas, nas farmácias populares, nas farmácias populares que se chamam Aqui Tem Farmácia Popular, são as privadas, coloca à disposição tanto remédios para hipertensão como remédio para insulina”.

Na coletiva de hoje no Palácio do Planalto, internada por Celso Arnaldo ao anunciar uma boa nova: a partir de agora, as farmácias populares, também conhecidas como as privadas, passarão a oferecer remédios para essa doença ameaçadora chamada insulina.

Neurônio comprometido, em 03/04/2013

“Eu queria dizer para vocês, nesta noite, aqui no Ceará, em Fortaleza e nessa escola, o compromisso forte, o compromisso que é um compromisso que eu diria o maior compromisso do meu governo. Porque é que o compromisso com a educação tem que ser o maior compromisso de um governo”.

Na cerimônia de inauguração de uma escola de educação profissional em Fortaleza, internada por Celso Arnaldo ao deixar bem claro que tem compromisso com o compromisso.

Para os que tiverem interesse na leitura dos absurdos proferidos por todos os “artistas políticos” brasileiros e sul-americanos, cliquem em Sanatório Geral.