Mídia Ninja, o MST do jornalismo


Mídia Ninja, o MST do jornalismo

Ninja é a sigla de Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação.

Assistimos no dia 05 de agosto o programa Roda Viva, onde foram entrevistados o jornalista Bruno Torturra e o “produtor cultural” Pablo Capilé, ambos idealizadores do grupo Mídia Ninja, conhecido por transmitir em tempo real os principais protestos que eclodiram no país, em especial os do Rio de Janeiro e São Paulo.

O MST abraçado pelo Mídia Ninja

O MST abraçado pelo Mídia Ninja

Antes de comentar sobre o programa, nossa opinião, em síntese, é que ou o par de gênios lunáticos descobriu o caminho do Paraíso, ou tem como foco principal ganhar muito dinheiro com sua “mídia alternativa”, a que chamam, por descuido, de pós-jornalismo.

Seria um desastre se o jornalismo brasileiro ficasse reduzido a uma confusão de imagens toscas, sem edição, sem qualquer conteúdo relevante, com “editoriais” eivados de argumentos muitas vezes tendenciosos. Os dois entrevistados chamam a essa coleção de fragilidades figadais de “narrativas independentes”.

O programa teve início com perguntas básicas, para situar os telespectadores acerca do que é o Mídia Ninja, o que ele faz, quem o financia e se os dois entrevistados acreditavam que estavam a fazer jornalismo por meio dessa prática.

As respostas foram muitas estranhas pois, além de incompletas, criaram centenas de novas dúvidas, dadas as argumentações que remontaram a uma outra entidade chamada “Fora do Eixo”, nascida há dez anos, que é uma espécie de “incubadora” do Mídia Ninja.

De nossa parte, observamos que essa “imprensa em tempo real” pode se tratar de uma grande arapuca, destinada a dar suporte a políticos fascistas e, quem sabe, ser paga com dinheiro do alheio. Também pode ser uma máquina de produzir fumaça concentrada, que vise a iludir e manipular cidadãos mais jovens ou carentes. Em suma, ela pode ser tudo, dentro “do mosaico de parcialidades”, a que se referem quando estão a demonizar os veículos históricos da imprensa escrita e falada no Brasil.

Capilé acompanhado pelo colega Zé Dirceu

Capilé acompanhado pelo colega Zé Dirceu

Quando perguntados se acreditavam que esta “mídia caratê” permaneceria após o fim natural dos protestos de rua, responderam que substituiriam as coberturas por uma grande agenda que será realizada. Porém, ninguém ficou sabendo quais são os magníficos temas dessa digna agenda.

Declararam que “existe uma salada ideológica na cabeça de quem vai para as ruas”. Disseram que estão a “oxigenar a representação popular”. Na verdade, em nosso entender, estão a asfixiar as reais finalidades dos protestos que cobrem. Deveriam permanecer somente em projetos culturais e não políticos.

Só falaram através de metáforas ininteligíveis, dando a todos os entrevistadores números incertos de participantes nas “300 casas Fora do Eixo”, além de contarem com “duas mil pessoas que estão a trabalhar em rede, por todo o Brasil”. Imaginem qual seria a custo de uma empresa apenas com essas duas informações: 300 casas e 2.000 funcionários. Haja “contabilidade criativa” para pagar a todos, ainda mais sem registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas – CNPJ, tal qual o MST.

Consideram-se perfeitos na imparcialidade particular que tentam propalar. Um deles afirmou que “um dos objetivos [do Mídia Ninja] é se tornar desnecessário”. Esperamos que alcancem rapidamente este alvo, pois marcará o fim do badernalismo midiático e de fatos ainda insondáveis.

Pasquim: o melhor dentre os piores

Pasquim: o melhor dentre os piores.

Em tempo

O jornal O Pasquim, nas décadas de 1960 e 1970, feito por notórios intelectuais e artistas gráficos, também foi um agente da imprensa alternativa. Era um grande desafio viver debaixo de uma dura ditadura militar.

Foi um documento impresso, que era dotado de grande inteligência jornalística para sobreviver à repressão daquela época. Saudades do Pasquim…

3 pensamentos sobre “Mídia Ninja, o MST do jornalismo

  1. Pingback: Meditações liberais | Sobre o Ambiente

  2. Tive a impressão de que se trata de gente sem qualquer formação acadêmica, e prática, teorizando aqui e ali, com base no que pensa haver compreendido(!) de más leituras ou de auscultação viciada em ambientes pouco sérios. Sem quaisquer perspectivas elitistas, vejo neles os “sans culottes” dos tempos modernos. Muita revolta mal dirigida. Substituem os “estudantes profissionais” dos anos 60, mas sem as fantasias daquele tempo. Desejam, como a atual UNE viver às custas do dinheiro público(parece que recebem uma boa quantia da Petrobrás!), esperando obter com o riso alvar de alguns imbecis, o nicho desocupado da imprensa de WC. Lamentável!.

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    • Mirault,
      Para não dizer que nada acrescentei à sua lúcida análise, sequer “sans culottes” podem ser designados, pois estes participaram da Revolução Francesa e muitos morreram em Paris, a partir de 1771.

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