Desinformação sobre datas e fatos históricos


Desinformação reduz o tempo de vida

Todas as nações do planeta possuem datas e fatos relevantes que constituem a essência de sua história. Na cultura mundial é provável que a Revolução Francesa, com seu ápice ocorrido na Queda da Bastilha, datada em 14 de julho de 1789, seja uma das mais expressivas datas históricas do planeta. Na França, durante dez anos, no período entre 5 de maio de 1789 e 9 de novembro de 1799, ocorreu a abolição e substituição da monarquia francesa, por uma república democrática. Ou seja, a mudança social para novas bases forjadas em princípios iluministas de cidadania e de direitos inalienáveis da sociedade francesa.

Pintura da Queda da Bastilha

A independência dos Estados Unidos da América deu-se através de uma guerra que durou quase nove anos (1775-1783), embora seja festejada como se tivesse sido concluída em 4 de julho de 1776. Os EUA nunca foram governados por reis ou imperadores. Tornaram-se independentes e república democrática ao mesmo tempo. Dizem alguns historiadores que este evento teve influência decisiva na motivação para a Revolução Francesa.

No Brasil também tivemos duas datas memoráveis, marcando a independência de Portugal, em 7 de setembro de 1822, e a proclamação da república, em 15 de novembro de 1889. Os dois atos de tomada do poder ocorreram sem lutas, com simples assinaturas de papéis por seus líderes e testemunhas. Até os dias de hoje “comemoramos” nossa independência e, recônditos, falamos pouco acerca da proclamação de nossa república. Mas, por que tem sido assim?

Comparando as repúblicas francesa e brasileira, somos mais novos por apenas 33 anos, mas com uma grande diferença: fomos uma colônia explorada por mais de três séculos e os franceses nunca foram colônia de nenhum outro Estado. Talvez este fato seja a explicação para permanecermos com a postura subalterna de subjugados, fazendo anualmente festas para comemorar a independência da colonização portuguesa.

Declaração da Independência norte-americana

Mas há um fato bastante curioso com relação a todas essas datas e eventos de poder. Nos séculos XVIII e XIX, quando ocorreram, os meios de comunicação eram bastante frágeis, insipientes. É de se admitir então que os povos americano, francês e brasileiro levaram muitos meses ou talvez anos para saberem do novo estado político em que se encontravam, que estavam libertos do jugo de outros Estados ou de Monarcas.

Porém, no Brasil parece que o cenário do conhecimento e da informação é um pouco distinto. Por exemplo: a ditadura de Vargas (1937-1945) levou tempo para ser conhecida por toda a população brasileira, o que é mais ou menos normal. No entanto, em 1964, a tomada do poder por militares, mesmo com a cobertura pela mídia (jornais e televisão), também não alcançou rapidamente todos os rincões do país.

Nos dias de hoje, com a extrema velocidade dos meios de comunicação, era de se esperar que quase toda a população mundial, com as exceções polares, estivesse atualizada com as notícias dos acontecimentos mais expressivos. Mas não é bem assim que acontece, pelo menos no Brasil.

Ontem, conversando com um amigo em um restaurante de Copacabana, zona sul do Rio, notei o nome do maitre em seu paletó: Artron (supostamente). Lembrei-me que conhecera em meu trabalho um profissional de advocacia que tinha o mesmo nome incomum e comentei com ele.

─ Artron, trabalhei na sala ao lado de um advogado que tinha o mesmo nome que você; você já conheceu outra pessoa com o esse nome?

Ele me disse que não, nem na sua própria família. E eu continuei:

─ É curioso mesmo, ele trabalhava com o então advogado Joaquim Barbosa, atual Ministro do Supremo. Deste certamente você já escutou falar…

─ Não, nunca ouvi falar dele, o que ele faz?…

Então, expliquei-lhe tudo acerca do julgamento do “escândalo do mensalão”: quem é o ministro Joaquim Barbosa, quais os criminosos que já foram condenados, as penas de prisão que terão de cumprir, os partidos envolvidos, a quadrilha que formaram, o desvio do dinheiro público, bem como quem foi condenado como chefe da quadrilha e seus assessores “especiais”.

Meu amigo e eu ficamos pasmos quando o maitre nos respondeu, espantado, que nunca ouvira nada sobre esse assunto!

A desinformação e a falta de interesse em obtê-la certamente não faz nenhum mal a saúde de pelo menos 80% dos brasileiros. Nem ao apreço de si próprios como cidadãos, seres com educação e civilizados. Gostaríamos de saber como e por quê votam. Cremos mesmo que o voto precisa deixar de ser obrigatório e tornar-se seletivo: sem passar nas provas de conhecimentos básicos não podemos votar!

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